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Dias antes do domingo que comemora o Dia dos Pais estivemos na exposição que explora o universo de Pinóquio no SESC Belenzinho e neste dia de pensar nos modelos de pai eu lembrei várias vezes do Gepeto, um pai que todos gostaríamos de ter, num enredo que sabemos que nunca funcionaria de verdade.

A imagem paterna, figura que nos guia como pessoas de verdade no universo adulto é tão bem explorada na história de Carlo Collodi que nem nos apercebemos do quanto o menino de madeira que se torna gente é um símbolo da forma como nós crescemos e nos ajustamos ao mundo real, sem a proteção da manipulação dos nossos pais nem a chance de termos nossas mentiras descobertas logo, antes que elas nos machuquem seriamente. O pai que neste dia de agosto costumamos homenagear, agradar, festejar ou mesmo repelir, criticar e rejeitar é esta figura que esperamos que nos ensine a caminhar direito e corrija-nos pelo caminho, sem jamais perder o amor e a fé em nossa capacidade de nos tornarmos verdadeiros.

Como esta figura é importante. Tenho um pai que amo e fui sempre amada por ele. Não tive avós (os pais de meus pais faleceram antes do casamento deles), mas vi amigos que tinham sua figura paterna no avô ou em tios, eventualmente até numa mescla de vários pais, resultando num todo cheio de referências e de amor.

E quanto ao Pinóquio…

A história do boneco de madeira que quer se tornar gente está impregnada nos imaginários infantil e adulto graças à clássica animação Pinóquio, dos estúdios Disney, de 1940. Até alcançar seu objetivo, acompanhado pelo Grilo Falante fazendo o papel de sua consciência, o garoto passa pelas mais diversas aventuras, nem sempre se valendo da verdade – o que lhe rende mais encrencas e o nariz crescido a cada mentira. Lembrada no cinema também pelo ator e diretor Roberto Benigni, de A Vida é Bela (1997), que protagonizou e dirigiu um filme sobre Pinóquio em 2002, a história foi criada pelo escritor italiano Carlo Collodi, que começou a publicá-la em capítulos em um jornal, em 1881.

Deste livro original – publicado no Brasil pela CosacNaify e que, admito, ainda não li – surgiram as obras de Pinóquio: Uma Bela Arte, em cartaz no Sesc Belenzinho.

Soube que a ideia de montar o evento surgiu da constatação da artista ítalo-brasileira Vera Uberti de que as exposições voltadas ao público infantil eram escassas na cidade. Temos eventos culturais infantis, mas no geral os “tweens” (pré-adolescentes) ficam muito abandonados e os adolescentes são “forçados” a se encaixar no universo adulto para consumir cultura.

Vera disse que a escolha de Pinóquio para aproximar as crianças do universo da arte se deu pelas características do personagem, que é um tanto rebelde, inconformista e quer ir além, lembrando muito o jeito dos próprios artistas.

“Ele é protagonista da sua própria vida. Toma suas atitudes, assume seus riscos, sofre com as consequências de seus atos. Mas ele não é bom, nem ruim. Tem momentos em que faz coisas legais, momentos em que erra, se arrepende. Acho que Pinóquio somos todos nós, no final das contas”.

Recomendo a todos a visita à exposição interativa (muito interativa, vá com roupas confortáveis e ânimo para entrar no clima) do Sesc e repensar este Pinóquio que está em cada um de nós. Vale ver a agenda da unidade pois em paralelo à exposição, o Sesc Belenzinho tem espetáculos teatrais, oficinas e contação de histórias relacionados ao garoto de madeira.

Na entrada da unidade, um boneco de 4 metros de altura, o Auto-Pinóquio, do artista Maurizio Zelada, convida a criançada a entrar no universo da arte.

Sei que vão dizer que a Mooca é longe, mas o Sesc Belenzinho fica na rua Padre Adelino, 1.000, do lado do metrô Belém. A mostra está pode ser visitada de terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 19h30. É grátis e tem censura livre.

P.S. Tem mais fotos da nossa visita no post Quando a arte exige talentos especiais dos fotógrafos de final de semana #smartcamera.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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