Genesis, Sebastião Salgado

Gênesis – a exposição que retrata a esperança de Sebastião Salgado

Genesis, Sebastião Salgado
Uma das fotos da exposição Gênesis, de Sebastião Salgado

Ficará em cartaz até 1 de dezembro, em São Paulo, a melhor exposição de fotos que vi nesse ano, Gênesis, de Sebastião Salgado. Ela é gratuita e está no Sesc Belenzinho, que fica pertinho de uma estação de metrô e conta com ótima estrutura para receber os visitantes. Mas, mais do que isso, o melhor argumento para defender a mostra com 245  fotos é que ela devolve a esperança na humanidade, ou melhor, no nosso planeta e na nossa capacidade de se deslumbrar e respeitar o que ele tem de mais natural e selvagem.

Muito foi dito sobre a qualidade técnica das fotos tiradas entre 2004 e 2011, a máquina utilizada, a impressão… Porém, o que toca nas imagens é o que a pequena descrição ao lado delas não conta. É o olhar de Sebastião Salgado tentando captar o que há de essencial e vital em cada paisagem, animal e povo primitivo, o que nos conecta a todos em um único ecossistema. Algo que precisa ser resgatado e cuidado, para que possa voltar a crescer, se equilibrar e nos tornar mais… humanos.

O fotógrafo, que já foi acusado de se aproveitar da desgraça alheia para lucrar com suas imagens, teve que se afastar de sua grande paixão – a fotografia – porque estava morrendo. Não por uma doença que atacou seu corpo, mas pela aridez humana que torturou sua alma, vejam só que ironia, através das lentes e de tudo aquilo que não é possível revelar nos filmes, mas sangra. E sangrou, literalmente, através dos póros de Sebastião, que precisou voltar ao início de sua própria história para recuperar a fé e encontrar um novo sentido.

Sebastião Salgado e a esposa Leila no Instituto Terra, em Minas Gerais
Sebastião Salgado e a esposa Leila no Instituto Terra, em Minas Gerais

Na fazenda em que nasceu e foi criado em Minas, que estava desolada pelo nosso progresso, ele começou a cuidar da alma e da terra, que se fundiram em um projeto de recuperação da mata e dos sonhos nativos. E, vendo as árvores crescerem, expandiu-se nele a vontade de voltar a fotografar, mas não os cenários humanos desoladores de outrora.… Apenas a natureza em sua forma mais bruta e bela, seja em paisagens deslumbrantes nos extremos e interior do mundo, através dos olhares curiosos de animais selvagens ou do corpo de povos que se confundem com a mata.

O resultado é um encontro com o sublime, que você pode conferir nas fotos de Sebastião e também através de uma apresentação feita pelo fotógrado no TED, em San Francisco, no início desse ano:

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@talitaribeiro

Apaixonada por palavras e viagens, gestora em formação, jornalista não praticante, esposa, amiga, prima-irmã, filha, neta, futura tia e mãe.