O Gato de Botas meio Zorro da DreamWorks

“Um moleiro possuía três bens: um moinho, um burro e um gato. Ele resolve repartí-los entre os três filhos na hora da morte.O filho mais moço, que recebeu o gato, ficou muito descontente, mas o gato demonstrou que um amigo leal e astuto vale mais que as riquezas.”

Esqueça tudo que sabia do conto de fadas de Charles Perrault. O personagem que está nos cinemas está mais para um “Zorro” (sim, o Robin Hood mexicano, com direito à voz do espanhol Antonio Banderas) do que para o gato medieval que ajudava o filho caçula empobrecido. O cenário de desolação e “pobreza” mental da vila mexicana, no entanto, se mantém em Puss in Boots (O Gato de Botas, 2011) e as crianças são convidadas a visitar outros contos famosos que tratam da mesma solidão que leva à busca de bens materiais milagrosos, em especial do Ganso de Ouro e João e o pé de feijão.

O novo Gato de Botas que a Dreamworks traz ao cinema tampouco é a continuação de Shrek, série cinematográfica que reviveu no imaginário coletivo este mito do gatinho muito inteligente e levemente subversivo em relação aos costumes. A mensagem da busca da família de origem e da formacão de uma nova com os companheiros de aventura que se tornam grandes amigos e com a “mocinha” da história também estão lá, em versões interessantes e que abrem espaço para várias conversas com as crianças acerca do certo, do errado e do (cada dia mais) necessário respeito às diferenças e diversidade.

Gostei de ver que não há um certo e um errado, preto no branco, mas sim espaços acinzentados que nos fazem refletir sobre o comportamento humano, deixando brechas para julgamentos ao longo do roteiro que conta com o Gato de Botas ao lado de seu amigo de infância Humpty Dumpty e uma gata de rua (Kitty Softpaws) para criar este jogo de ética que tem aquele fundo sentimental mexicano que agrada nas narrativas de heróis do deserto americano.

Para quem está em busca de um programa leve para estas férias, eu recomendo. E na volta não deixem de reler as histórias relacionadas, elas fazem diferença na trama e podem ser pontos de partida para papos interessantes depois.

P.S. Nem na história original o Gato de Botas tinha um livro próprio: o conto está inserido em “Les contes de ma mère l’Oye”, publicado em 1697.

P.P.S. Você conhece a história do Humpty Dumpty, que agora é o amigo de infância do Gato de Botas? Hampty Dampty é um personagem de uma rima enigmática infantil de Mamãe Gansa na Inglaterra muito conhecido nos contos de língua inglesa. Ele é retratado como um ovo antropomórfico, com rosto, braços e pernas. Este personagem aparece em muitas obras literárias, como Alice através do Espelho de Lewis Carroll.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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