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adolescente fumando colorido

Na semana passada tive a companhia cotidiana do meu pai, 70 anos e fumante desde os 24 (ou 26, idade em que passou num concurso para um banco estatal, saiu de casa e ganhou “alforria” para beber e fumar fora sem os pais proibirem). Constrangido porque aqui em casa ninguém fuma, temos crianças e eu estou grávida, ele descia para alimentar o vício nas dependências externas do condomínio varias vezes por dia e em até pouco antes de dormir, tarde da noite.

Num dos dias de sua visita fomos a um evento esportivo num clube de campo e ele repetiu esta prática: ficava à margem, onde podia fumar sem perturbar. Resultado: como aconteceu aqui no prédio, em pouco tempo ele estava conversando com alguém e tinha feito amizades. Incrível com esta “marginalidade” reforça laços.

Lembrei imediatamente desta história quando li o artigo sobre um ensaio de Abel Brodeur (da Paris School of Economics) baseado em pesquisas feitas nos EUA que sugerem que “banir” os fumantes dos locais públicos não só não tem sido efetivo para reduzir o consumo de cigarro, quando tem feito bem para a socialização (o artigo diz felicidade, mas gosto mais de pensar na socialização) dos fumantes.

Ao oportunizar a formação de guetos e grupos sociais com pontos fortes em comum estamos criando também uma força que precisará de mais empenho da nossa parte para se dissolver. E aqui entram dois elementos de um segundo ensaio sobre cigarros. John Cawley (da Cornell University) e Stephanie von Hinke Kessler Scholder (da York University) compararam o comportamento de jovens estadunidenses que fumam. Apesar das altas taxas cobradas sobre o produto, os jovens não deixam de fumar, dando conta de que lá 46% das meninas e 30% dos garotos não por prazer, mas, pasmem, fumam para emagrecer ou ficar em forma!

E, apesar de não ter nada de saudável, é justificável: os cigarros parecem aumentar o metabolismo e reduzir o apetite.

Este foi outro detalhe que me lembrou uma piadinha que meu pai fazia por estes dias também, dizendo que a única época em que engordou na vida foi no ano em que ficou sem fumar, perto dos 40 anos. Ao dizer que chegou a 80kg (ele normalmente pesa menos de 60!), assustou a todos por aqui.

Estaremos então, com a segregação dos fumantes, criando oportunidades para que eles se unam e troquem ideias inclusive sobre estes “pretensos benefícios”? A considerar as pesquisas, infelizmente creio que sim!

substancias cancerigenas no cigarro.jpeg

Vale relembrar dos malefícios do cigarro para a saúde:

“O cigarro pode causar cerca de 50 doenças diferentes, especialmente problemas ligados ao coração e à circulação, cânceres de vários tipos e doenças respiratórias. “A fumaça do cigarro é absorvida por combustão, o que aumenta ainda mais os males da sua composição”, diz Valéria Cunha de Oliveira, técnica da divisão de tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. Parece papo de ex-fumante, mas é a pura verdade: em cada tragada são inaladas 4 700 substâncias tóxicas. Entre elas, três são consideradas as piores:

  1. Nicotina provoca dependência e chega ao cérebro mais rápido que a temida cocaína, estando associada aos problemas cardíacos e vasculares (de circulação sanguínea)
  2. Monóxido de carbono (CO) combina com a hemoglobina do sangue (responsável pelo transporte de oxigênio) e acaba reduzindo a oxigenação sanguínea no corpo – e sim, é o mesmo que sai do cano de escapamento dos carros
  3. Alcatrão reúne vários produtos cancerígenos, como polônio, chumbo e arsênio – todo câncer relacionado ao fumo (como na boca, laringe ou estômago) tem alguma ligação com o alcatrão.

A união desse poderoso trio de substâncias na composição do cigarro só poderia tornar o produto extremamente nocivo à saúde. Para se ter uma idéia, 90% dos casos de câncer de pulmão – a principal causa de morte por câncer entre os homens brasileiros – estão ligados ao fumo.

Não é motivo mais que suficiente para não cair nesta armadilha?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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