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“Se nada for feito pelo tatu-bola, a espécie corre o risco de desaparecer da natureza nos próximos 50 anos e estima-se que, na última década, 30% da população remanescente tenham desaparecido.”

No primeiro jogo do Brasil na Copa, subi uma foto no instagram com a casa arrumada para torcer e uma pessoa comentou que o Fuleco só apareceu aqui. Achei que era distração minha ter “perdido” o tatu-bola na decepcionante cerimônia de abertura, mas pelo visto tinha mais por aí. Acompanhei notícias e descobri que uma discussão comercial atrapalhou a visibilidade que poderia ser dar ao animal em vias de extinção uma chance impar.

“Até o final do ano, a espécie do Tatu Bola passará de “vulnerável” para “criticamente ameaçada”, último nível antes de entrar em processo de extinção da natureza, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).”

Como a FIFA e a Copa poderiam ajudar…

Foram 16 meses de discussão sobre formas diferentes do tatu-bola se beneficiar com o sucesso da imagem do Fuleco e surgiram muitas propostas para a FIFA ajudar, como atrelar parte das vendas dos bonecos para a conservação do mamífero – na loja online oficial da Fifa, o preço do boneco do Fuleco varia de R$ 32,90 a R$ 179,90. A imprensa especializada afirma que, “depois de meses de negociação e um período de silêncio, às vésperas da abertura do evento, neste mês, veio a primeira proposta concreta da Fifa, uma doação de US$ 300 mil dólares e a ONG recusou a investida, por considerá-la insuficiente para executar com eficiência o Plano de Conservação do tatu-bola.”

A mesma FIFA que não quis usar o Fuleco porque não quer ajudar preservar o animal em perigo de extinção, perde tempo proibindo o uso de fones de ouvido dos jogadores e até das cuecas de Neymar! Ora, com tantos patrocinadores, por que não faz bonito e patrocina este projeto?

“It’s not quite on the same level as Luis Suarez’s biting investigation, but fellow South American striker Neymar is finding himself in FIFA’s doghouse for the heinous act of wearing non-sponsored underpants.”

Parece besteira, mas não é. Viajei para o exterior nos últimos meses e se vende o Fuleco e itens com a imagem dele em todo lugar. Nos aeroportos brasileiros (Brasília é um deles) eu também vi lojas cheias de produtos oficiais da Copa, quase todos com o tatu-bola estampado.

Alguém está lucrando com toda esta exposição.

E não são os animais.

Quem está errado? Sinceramente, creio que os dois lados.

A Associação Caatinga, organização não governamental que propôs o tatu-bola como mascote da Copa, errou tanto quanto a FIFA ao recusar o valor ofertado e a FIFA por perder a chance de fazer pelo menos greenwashing. Concordo que o valor e realmente insuficiente para executar com eficiência o Plano de Conservação do tatu-bola, mas perdemos a chance de mostrar adequadamente para o mundo esta espécie.

Sim, perdemos.

Com o personagem mais em evidência – e não esta briga que se repetiu em muitos portais, com a mesma argumentação sempre – uma super campanha poderia ter sido criada, chamando celebridades, ambientalistas, atletas (como Marta e Bebeto na foto abaixo) e assim motivar as pessoas a se engajarem, trazendo doações e, mais importante, patrocinadores para este trabalho de preservação.

O que a ONG que fechou questão conseguiu? Invisibilidade. Exatamente o contrário do que o tatu-bola precisava.

E a nós, cidadãos, resta acompanhar o movimento dos ambientalistas. Em fevereiro deste ano, o MMA (Ministério do Meio-Ambiente) anunciou a criação de um plano para salvar o tatu-bola, Plano Nacional de Conservação de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, que ficará a cargo do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e deve estar concluído até o final de 2014.

O objetivo principal do “Projeto Tatu-Bola”, desenvolvido pela ONG em parceria com a TNC (The Nature Conservacy) e a UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), além da manter a espécie na natureza, é apoiar ações de pesquisa e a elaboração de ações de implantação do plano nacional de conservação do animal.

Agora é acompanhar e cobrar!

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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