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Imagine que você é um garoto de 12 anos e mora numa ilha que tem, ao todo, 6 mil habitantes. Sua vida é pacata e o cotidiano tem uma rotina simples, quase de antigamente de tão singela.

Agora calcule a mudança que acontece quando este local bucólico no sul da Europa torna-se um  ponto de transição para as multidões de fugitivos da África e do Oriente Médio.

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Posto avançado da crise dos refugiados na Europa, a pequena ilha siciliana de Lampedusa e seus moradores dedicados à pesca e aos serviços turísticos, é o cenário do filme que vimos nesta semana na AppleTV. Fogo no mar (Fuocoammare, 2016), documentário italiano que venceu em fevereiro o Urso de Ouro de melhor filme do Festival de Berlim e ganhou o Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Documentário.

A produção mostra como os habitantes de Lampedusa, o ponto mais ao sul da Itália, se transformou desde que a ilha se tornou um ponto de desembarque de milhares de imigrantes sem documentos procedentes do continente africano.

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O diretor Gianfranco Rosi, que venceu o Leão de Ouro de Veneza em 2013 com “Sacro GRA”, mostra, sem narração ou comentários, a vida cotidiana de uma criança, um médico e de migrantes que chegam em embarcações precárias, arriscando a vida, em muitos casos com resultados fatais.

Ele passou cerca de um ano em Lampedusa, observando os movimentos dos migrantes – dados dão conta de que, nos últimos 20 anos, tenham desembarcado ali cerca de 400 mil pessoas, dos quais 15 mil pelo menos morreram na tentativa – e ao mesmo tempo mostrando o impacto na vida dos habitantes de Lampedusa, capazes de traduzir a imensa carga emocional que a tragédia cotidiana dos refugiados vem impondo à população local.

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Conheça alguns:

  • Samuele Pucillo, de 12 anos. Um garoto normal, que prefere caçar passarinhos do que ir à escola e que está experimentando alguns problemas de saúde. Sutilmente, o filme evidencia como as emoções do menino, um símbolo de outras crianças da ilha, estão sendo contaminadas pela visão constante de vítimas do medo e da morte nas praias aparentemente límpidas.
  • Pietro Bartolo, único médico local, sobre quem pesa a responsabilidade de zelar pelos vivos – com muitos dos quais não consegue comunicar-se, pois falam línguas estranhas – e também pelo destino final dos mortos. Ele perdeu a conta das autópsias que realizou, muitas delas de crianças – um cenário que perturba seu sono, com justas razões.
  • membros da equipe de operações de socorro a barcos em perigo pela guarda costeira italiana, sobrecarregados dia e noite, que o diretor apresentou numa série imensa de rostos, captando emoções que ator algum conseguiria reproduzir, medo, tristeza, alívio, incerteza quanto ao futuro.
  • refugiados, como um grupo nigeriano que conta que escapou de bombardeios na Nigéria (onde é ativo o grupo extremista Boko Haram), fugindo pelo deserto do Saara, onde morreram vários, de sede, fome ou exaustão, e os que puderam e entraram pela Líbia, onde outros tantos foram presos e também morreram. Os sobreviventes embarcaram no barco precário que os trouxe a Lampedusa – dos 90 iniciais, restaram apenas 30.

Minha escolha foi ver o filme com meu filho de 14 anos, que neste ano ingressou no Ensino Médio e me surpreendeu por ter referências interessantes sobre essa região, fruto do bom trabalho do seu professor de história.

E para quem não tem um professor assim, quer entende melhor a situação dos europeus que recebem os refugiados, a dica é ver o filme, lançado no Brasil em VoD, sistema cada dia mais frequente para trazer rápido para o público filmes independentes.

Gosto muito do modelo, nos permite ver em casa produções independentes de qualidade que ficariam disponíveis apenas em poucos “cinemas de arte” das grandes cidades.

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Hoje moro na maior cidade do Brasil, mas, nascida e criada no interior, imagino a revolução que um modelo de distribuição assim causará!

Por crer neste caminho para democratização da informação e do consumo de cultura, iniciei uma parceria com a Sofá Digital para assistir e indicar em reviews bons títulos.

A Sofá Digital que é uma agregadora e distribuidora digital que faz a ponte entre as principais distribuidoras independentes do Brasil, como California Filmes, Mares Filmes, Imovision, Pandora, e as plataformas digitais, como Netflix, iTunes, Now. Usuária deste sempre destes sistemas, por comodidade e praticidade (pois a logística de uma mãe e empreendedora é muito menor se puder ver um filme em casa do que programar tudo para ir ao cinema no horário marcado!), eu tenho notado que a janela entre cinema e VoD está cada vez mais curta, e alguns filmes entram direto em VoD.

Fiquem ligados na gente!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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