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Nesta semana me senti uma péssima mãe de menina: manchei um vestido lindo (e super especial) da minha pecorrucha por um descuido bobo. Deixei de molho por muito tempo, pensando em lavar separado e as bolinhas brancas sobre o fundo preto ficaram cinzas. Não é que eu seja um zero à esquerda nos cuidados com a casa. Nos últimos anos me acomodei e perdi o ritmo porque tenho uma empregada muito eficiente e raramente preciso fazer algo fora da cozinha – local que faço questão de assumir, por puro prazer.

inverta do seu jeito - cozinha da Betty Draper

Cresci ouvindo minha mãe (que também sempre teve empregadas – no plural – em casa) me falando sobre as europeias e norte-americanas que cuidavam da casa sem ajuda.

Como aquelas mulheres conseguiam, trabalhar muito, criar os filhos, manter a casa impecável e ainda fazer trabalhos manuais como patchwork? Como estavam arrumadas para receber convidados para um jantar cheio de petiscos, entradas, sobremesas?

Creio que a resposta é organização! E uma certa ajuda, pois há um acordo tácito na etiqueta social também.

Veja algumas descobertas que fiz: Ninguém almoça em casa e ninguém chega sem ser convidado. Assim, nada da cozinha bagunçada e 2h perdidas para limpar tudo no meio de um dia da semana. Os almoços são na escola, no trabalho ou em restaurantes, sempre leves, para não dar “lambeira” no meio do dia. E nada de parar tudo para receber alguém no meio do dia, “atrapalhando” a programação. – A cozinha americana geralmente é grande e aberta, convidando todos a participarem. Essa parte eu fiz questão de criar na minha casa: quem está pilotando o fogão ou a pia não fica sozinho, este momento é partilhado, o que torna mais leve e garante ajuda voluntária. Por aqui é o momento em que “exijo” a presença dos filhotes e nada de gadgets! Temos um dock para ouvir música e os iphones são carregados lá enquanto convivemos offline 😉

Há muitos equipamentos que tornam tudo prático. Lavadora de louças em tamanho família é meu favorito. Na casa que alugamos na Flórida neste ano, não tinha nem condições de lavar louças na pia e convenci em definitivo meu marido de que tudo pode ser levado à máquina. Aqui no Brasil, por termos muita “facilidade” para usar a pia, ficamos sempre com a impressão de que nem tudo fica bom na máquina, né? Pois fica, mas precisamos ter uma vida organizada sem contar com o trabalho braçal.

As roupas são muito favoráveis. Já reparou que quando compramos roupas americanas elas raramente precisam de ferro? Fizemos o enxoval da nossa bebê no exterior e isso me deu a percepção do quanto as (poucas) roupas brasileiras dela amassavam. Mas roupa de bebê a gente costuma passar aqui no Brasil, né? Como secamos tudo ao sol e vento (se possível, claro), achamos que o ferro termina de higienizar. Pois a secadora de roupas dos EUA fazem o mesmo, com uma vantagem extra: amaciam as roupas. Aqui não tenho secadora – o clima de São Paulo, extraordinariamente seco nos últimos tempos, e minha lavanderia super privilegiada com 4 enormes janelões e o sol da tarde fazem isso parecer ridículo – mas eu compro roupas com malha mescla e que exijam o mínimo de ferro para usar. Estendo tudo com cuidado, algumas peças direto no cabide, retiro do varal também sem embolotar tudo para facilitar a vida, poupando tempo e insumos.

Ninguém passa rodo e pano. Sabem por quê? Para não colocar a mão na água suja do balde, nos produtos de limpeza que misturamos lá, para não ter que lavar o pano depois… eu elencaria mil motivos que me fazem usar, há uma década e meia, o mop para limpar a casa. Minha empregada ainda usa panos de chão na faxina, mas para o dia a dia acho que o balde especial do mop (aquele que torce a ponta da vassoura redonda e deixa no ponto de umidade para passar no chão) me parece o ideal. E nos quartos e sala, onde tenho piso de madeira (carpete de madeira e tábua corrida) eu uso o mop aflanelado, serve para “varrer” e ao mesmo tempo tirar o pó, com a vantagem de caber até embaixo da cama e sofás baixos, além de se encaixar nos cantos.

– Como nos EUA, eu uso também muitos paninhos de limpeza variados (os da Scotch-Brite são excelentes) e fórmulas prontas para o uso (como o Mr Músculo desengordurante e o tradicional Veja azul), sem falar nos paninhos de limpeza prontos para o uso e descartáveis, que já vêm com os produtos,  lenços umedecidos para a casa. Podem não ser para todo dia, por conta da sustentabilidade, mas são bons para manter a casa em ordem num dia ou semana mais corrido.

E você, tem mais dicas para tornar a rotina de casa fácil? Conte aí das suas descobertas!

P.S. E sobre o método Fly Lady: é o tema da minha coluna semanal na Disney Babble. Para mim, a ideia de Marla Cilley, criadora do método FlyLady (Finally Loving Yourself, algo como “finalmente amando a mim mesma”), é ao mesmo tempo um desafio e uma inspiração. O FlyLady ensina, através de um sistema “babysteps” (passos de bebê), 31 pequenos passos (um por dia do mês) para criar uma boa rotina doméstica e que prometem lhe ensinar a manter a casa em ordem. Vai lá conferir.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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