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emilio orciolo como gustavo franco

Emílio Orciollo Netto como Gustavo Franco (Foto: Divulgação)

Ainda me pergunto o que exatamente me fez resolver ver o filme “Real – O plano por trás história“.

Vivi tudo, não precisava aprender, pois a transição de governo aconteceu quando eu era estudante de cursinho e depois da faculdade de jornalismo e por isso lia (devorava) jornais e revistas. Meu marido, na época namorado, entrou na faculdade de Economia no ano do Plano Real. E eu convivi com muito “economês” na assessoria de imprensa do Procon-PR.

Talvez por tudo isso eu tive uma curiosidade enorme com o filme que me surpreendeu ao colocar Gustavo Franco, o futuro presidente do Banco Central e um dos mentores do plano, como protagonista do filme que se posiciona, desde o primeiro minuto, como “de direita”.

Mal aproveitado na Globo, sempre sinônimo de imigrantes ou de personagens cômicos, Emílio Orciollo Netto está muito bem como Gustavo Franco e a como espinha dorsal do filme. Para quem viveu a época e se lembra dos personagens, vale muito falar sobre Tato Gabus Mendes no papel de Pedro Malan.

 Li em alguns lugares, quando o filme saiu nos cinemas, que “o foco em um personagem, que cresce de seu cargo de professor universitário a presidente do Banco Central ao longo da trama, prende a atenção do público”.

Wladimir Candini, Giulio Lopes, Tato Gabus Mendes, Guilherme Weber, Emílio Orciollo Netto, Carlos Meceni e Fernando Eiras são a 'nata da economia brasileira' no filme (Foto: Divulgação)

Wladimir Candini, Giulio Lopes, Tato Gabus Mendes, Guilherme Weber, Emílio Orciollo Netto, Carlos Meceni e Fernando Eiras são a ‘nata da economia brasileira’ no filme (Foto: Divulgação)

Creio eu foi melhor assim, não só porque “é mais fácil torcer por um protagonista claro, uma pessoa de carne osso, do que para algo imaterial como um plano econômico”, mas porque deixamos de lado as figuras políticas como FHC (vivido por Norival Rizzo) e Itamar Franco, numa interpretação excelente de Bemvindo Siqueira. Claro que eles tiveram muito mais participação em tudo, mas o foco da história parece ser outro, a “brincadeira” que foi fazer este plano funcionar e a “piada” que era deixar os tais amigos se divertirem brincando com o câmbio, com o país, jogando com a alegria da Copa do Mundo e etc.

Na falta de personagens femininos marcantes, chamaram Cássia Kiss Magro para o papel de jornalista no filme seria de um homem. Juliano Cazaré esté bem (sou suspeita, gosto do estilo dele interpretar) como um deputado petista que, admito, não me recordei de jeito nenhum! Já Marcelo, interpretado por Klebber Toledo, é um adorno ao filme, quase me pareceu (só) um chamariz!

Serviço:
RealO Plano Por Trás da História está disponível para compra e locação online no Now (Net), Vivo Play, Google Play e  iTunes (AppleTV).

Senta que lá vem história e livro!

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O filme se baseia no livro de Guilherme Fiuza, “3.000 dias no bunker”, que apresenta um grupo de amigos assumiu o poder no Brasil e fez quase tudo o que quis no final do século XX, no vácuo da derrubada de um presidente, revelando os bastidores das mudanças mais ruidosas e das mais silenciosas, que mexeram com a vida do país. Do plano econômico que nasce de uma operação secreta para driblar o FMI, à articulação internacional que cria uma blindagem política em torno da equipe de Fernando Henrique Cardoso.

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No começo de 1995, tive que ler, para a disciplina de “Técnicas de entrevista e reportagem” da UFPR, o livro “A história real: trama de uma sucessão”, escrito pelos jornalistas Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, sobre os bastidores da eleição presidencial brasileira de 1994. O livro – que perdi emprestando por aí – seria resultado de uma extensa pesquisa realizada pelos autores nos arquivos de diversos jornais e revistas, principalmente no banco de dados da Folha de S.Paulo, jornal para o qual trabalhavam à época, e de diversas entrevistas, feitas a partir de janeiro de 1994, com diversos personagens da política brasileira. O enfoque é outro, mas vale como complemento ao filme.

E os caras continuam aí, olha só!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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