Fernando Pessoa: Teatro do êxtase #euli

Foi, admito, meu primeiro Fernando Pessoa inteiro. Li tantos excertos de fãs apaixonados do escritor português que nunca me detive, até agora, a uma leitura mais tranquila de seus escritos.

O fato é que vi um Pessoa diferente do que encanta a maioria dos leitores: o livro reúne cinco peças que todos (todos, inclusive “meu amigo do teatro” @maxreinert) dizem que foram destinadas mais à leitura do que à encenação. De minha parte acho Pessoa tão dramático que é sempre encenável – ou talvez sempre uma encenação.

Como sempre nos livros da Hedra, é um prêmio ler também a introdução à obra, neste caso escrita por Caio Gagliardi, o organizador da edição. Gagliardi destaca dentre as “peças” O Marinheiro como a única que publicada em vida, pelo importante papel dessa peça no conjunto da obra de Pessoa, pois “aborda sua forte reflexividade discursiva, que relaciona com o teatro pirandelliano, além de nos ajudar a compreender as particularidades do teatro pessoano, em especial as noções, definidas pelo próprio autor, de “êxtase” e de “drama estático”.”

Segundo Gagliardi, “Fernando Pessoa escreveu ou planejou escrever cerca de trinta peças, tendo deixado a maioria inacabada e, em grande parte das vezes, apenas esboçada”. Afora O marinheiro, dizem que as outras quatro peças publicadas em Teatro do êxtase estão entre as melhor finalizadas pelo autor: A morte do príncipe, Diálogo no jardim do palácio, Salomé e Sakyamuni – vale lembrar que todas eram inéditas no Brasil.

E como Pessoa no Teatro é o tema da tese de um conhecido virtual, não duvido que voltemos ao tema no futuro…

[Se você gosta do tema, tem uma conversa boa de Teresa Rita Lopes, ensaio publicado originalmente no programa da peça de teatro “O Marinheiro”, encenada pelo Teatro Plástico, no Porto,  neste link]

P.S. E vejam que no blog da Hedra a editora deixou o texto do livro para ser incorporado:

Fernando Pessoa: Teatro do êxtase -Introdução, por Caio Gagliardi ( trecho)

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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