mãe


Feliz dia das bruxas… não acredito nelas, mas… andei lendo e descobri que pelo menos nas historinhas infantis elas são bem saudáveis.
Mamãe você parece uma bruxa!
A difícil relação dos primeiros ódios, dilemas e conflitos dos nossos filhos

“Mamãe você parece uma bruxa!” Outro dia escutei isso dos meus filhos porque eu estava pegando no pé deles. Disseram que sou a bruxa da limpeza do quarto, que só pensa em arrumar os brinquedos. Como é que, de repente, a gente passa a ser bruxa para o filho da gente?

Ô pergunta difícil de responder! Afinal quem quer ser a Madastra da Branca de Neve mesmo sendo ela (quase) a mais bela? Que dirá então ser a feia e solteirona Bruxa Onilda, tia que manda as Trigêmeas para dentro dos contos de fadas! Eu queria ser sempre a Princesa dos Power Rangers e não a bruxa malvada dos megazords. Mas as bruxas têm um papel importante no desenvolvimento psicológico do ser humano.

Descobri num artigo muito interessante em que a autora, Cristiane Madanêlo de Oliveira, cita Carl Jung e Jean-Yves Leloup, que as bruxas retratam o medo da gente. Elas são quem nos fazem vencer o medo da separação e o medo de ser rejeitado pela sociedade. E o que é melhor: as crianças (e nós também, daí o sucesso de filmes de terror) lutam e vencem contra o mal sem precisar brigar com ninguém amado.

Quando as crianças começam a perceber que não são parte da mãe — e que, coitados, coincidem com a chegada dos dentes, dos alimentos salgados, enfim da fase das descobertas — também começam a sentir medo de perder a mãe, sua garantia de segurança e proteção. Justamente neste peíodo, nós, mães, começamos a dizer “não!” com mais ênfase e, com isso, deixamos de ser só fadas-madrinhas. Podendo odiar a bruxa, a criança não precisa odiar a mãe. O Giorgio é uma prova dessa teoria: depois que a escola apresentou a Cuca, bruxa do Sítio do Picapau Amarelo, durante um mês, a personagem passou a povoar o imaginário dele, que a culpa até da chuva que o proíbe de brincar no parquinho. E eu deixei de ser a chata que não tem tempo de levá-lo ao parque.

————————–Eu te odeio!—————

Mas até acharmos uma Cuca, eu escutei algumas vezes “eu te odeio, você não é mais minha amiga” no período de egocentrismo dele, dos 3 anos. Sofri no começo, mas menos do que quando o Enzo passou por isso, pois já estava preparada e sabia que não era sério, era uma forma do meu filho manifestar suas emoções, porque as crianças pequenas precisam da ajuda da gente até para conseguir entender o que sentem.

Se eles dizem que te odeiam, na verdade te amam muito e estão ressentidos do tempo dispensado ao trabalho ou ao irmãozinho. Ou gostariam que você não fosse a bruxa da arrumação! (risos) Aqui em casa, o Enzo ainda tem alguns chiliques comigo porque às vezes (muito às vezes) eu ganho nos nossos jogos noturnos de super trunfo. Nesta hora ele me compara à Bruxa dos Megazords, que sempre quer ganhar a batalha contra os Power Rangers.

Fazer o que? Vestir o chapéu de bruxa e aceitar que nem sempre dá para ser fada, é ser Ora Fada, Ora Bruxa, como no conto da Sylvia Orthof, outro livro ótimo para falar das bruxas e do papel delas no mundo. Não uma bruxa clássica, como a de João e Maria, que come crianças ou a madrasta que convence o pai a abandoná-las na floresta, sequer a invejosa bruxa que castigou A Bela Adormecida ao sono porque não foi convidada para a festa de batizado dela ou a bruxa-vizinha dos pais de Rapunzel, que tomou a criança recém-nascida da mãe que desejara uma maçã do seu pomar na gravidez. Mas no imaginário infantil talvez eu seja assim.

Quando o Giorgio quebra alguma coisa na cozinha, eu costumo dizer: “sai daqui, tem vidro, machuca”. E ele entra sempre num choro doído falando: “você me mandou embora, mamãe?”, porque eu falei “sai daqui”. Para as crianças da idade dele tudo é exacerbado, uma avalanche de emoções.

Trancando-os na torre

E a figura da bruxa ajuda a vencer estas situações, pois elas fazem coisas que lembram (vagamente) o que a gente faz no dia-a-dia. Algumas trancam as princesas na torre (Rapunzel e A Bela Adormecida, e até a Fiona, do Shrek) ou até submetem os heróis a trabalhos pesados (como Hades com Hércules, a bruxa de João e Maria e a madrasta-bruxa de Cinderela), como eu faço com meus pequenos mandando-os arrumar a bagunça ou ficar de castigo no quarto sem TV “para pensar um pouco”.

Assim, concluí que as bruxas, sejam elas do Power Rangers, das Princesas Disney ou do Harry Potter são uma vitamina a mais, talvez (ô chavão) “um mal necessário”. Mas na atualidade temos que apresentá-las para nossas crianças sem rotular este tipo de personagem como mau ou bom e sim mostrando que ele pode “estar” bom ou mau diante diferenciadas situações que enfrenta e da forma como reage a elas.

Ao se identificar com os heróis (como meus pequenos heróis em casa) ou os vilões, a criança está resolvendo, inconscientemente, sua situação pessoal. Se esta experiência for boa, garantem os especialistas, ela conseguirá enfrentar e superar o medo presente à sua volta e alcançar o equilíbrio na fase adulta. Não é exatamente isto que sonhamos para eles?

Então vamos aos livros para contar estorinhas de bruxas, princesas e heróis.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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