Felicidade é uma decisão pessoal

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Em viagem de trabalho no Rio de Janeiro, conversei com uma colega de trabalho que contava da sua experiência apadrinhando uma criança no projeto Make a Wish. Ela contava da mudança no paradigma de mundo que sentiram em família e como, ao ajudar um menino em tratamento de câncer linfático, venceram as preocupações com uma pequena cirurgia que a própria filha faria e que os consumia de preocupação.

Mas não é só ao nos doarmos para os outros que mudamos de foco e conseguimos nos sentir mais felizes. A felicidade está também na aceitação do que somos, daquilo que sentimos, do que nos é natural e dos sentimentos espontâneos que temos. Claro que a gente não vai sair por aí atuando na sociedade totalmente “sem filtro”, atuando no mundo como numa praia de nudez na qual somos os únicos seres vivos. Entender o outro faz parte de uma vida harmônica, mas para que esta vida nos traga satisfação é importante encontrarmos um equilíbrio entre o que nós consideramos importante e o que a sociedade nos sugere como bom.

Exemplos são nossa insatisfação por não ter aquele smartphone ou tablet último modelo do qual todo mundo fala, por não viajar para Paris no verão europeu, por não fazer enxoval do bebê em Nova York, por ser “nanica” ou “gordinha” e não caber no padrão… aliás, vamos combinar, esta tortura (a do que somos, mais do que daquilo que compramos) é a pior porque não nos permite muito espaço de manobra para agradar aos outros, né?

Um estudo conduzido por uma equipe de pesquisadores da Alemanha, EUA e Holanda concluiu que as fotos das modelos em revistas, sejam elas magras ou gordas, fazem as mulheres acima do peso se sentirem pior com os seus corpos. E, na contramão disso, mulheres abaixo do peso normal se sentem melhor ao ver as mesmas fotos.

E o que faz a gente se sentir bem ou mal?

Creio que muita coisa advém do padrão de beleza, mas também da “falta de padrão” que é o povo brasileiro (temos de tudo um pouco aqui, eu mesma sou quase um samba do crioulo doido, com japonês, alemão-russo e português no DNA e mãe de filhos que herdaram sangue ibérico) a gente se sente desigual o tempo todo.

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Mas, por força da mídia, insistimos em tentar achar um jeito de ser igual e esta busca incessante só nos traz sofrimento, tristeza, angústia e sensação de fracasso.

Em 1998, o peso médio de uma modelo era 23% mais baixo do que o ponteiro da balança marcava, em média, entre as mulheres em geral. Vinte anos antes, essa diferença era de apenas 8%. Alarmadas com este quadro, as mulheres da fundação norte-americana NOW – National Organization for Women (Organização Nacional das Mulheres) decidiram criar um dia especial, para alertar as mulheres sobre a importância de encontrar sua própria beleza, em vez de tentar alcançar os padrões de revistas e passarelas – que, cá entre nós, só existem à base de muito make up e photoshop. Nascia o Love Your Body Day – algo como “Dia de Amar o Seu Corpo”, comemorado e marcado por ações de ativismo anualmente em 19 de outubro.

Este texto foi originalmente publicado no Blog Renovável
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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