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Hoje a Sam postou um artigo muito bom, falando para os pais não criticarem a aparência das filhas, e eu gostaria de falar um pouco mais sobre isso, além é claro da campanha da C&A que nessa semana lançou uma peça publicitária para a nova linha “entre na mistura” onde retratam várias pessoas e suas diferenças, como uma ode a diversidade, entre as peças tem “Sou forte & sou feminina” e para o público plus size colocaram uma modelo que não é gorda com a frase: “Sou gorda & sou sexy”.

A modelo Maria Luiza Mendes deve usar 44 no máximo!

Essa mulher é gorda?? Óbvio que não!

Olhando bem para essa foto várias coisas me chocaram, essa modelo é gorda? “Ain para os padrões da moda sim!” Mas olhe ao seu redor, mulheres que usam 44 são gordas? Ou melhor as mulheres que usam 44 podem começar a se considerar gordas? Que desserviço a C&A fez para as mulheres e para tantas que lutam contra transtorno alimentares, baixa auto-estima e auto aceitação!

Falo por experiência própria pois sou uma mulher gorda, e sei como é difícil entrar numa loja querendo uma roupa.

Poderia relatar as inúmeras vezes em que ao entrar numa loja fui completamente ignorada pelos vendedores, ou quando pedi para ver uma determinada peça, sem a menor educação o atendente fala: “Ah não tem para o seu tamanho!” entre outras humilhações diárias que uma pessoa acima do peso passa.

Mas quero me concentrar na moda dessa vez, mesmo porquê falar sobre ser/estar gorda, é uma conversa mais profunda e ainda não muito fácil para mim.

Renda, paetê e tachinhas

As roupas plus size tem as seguintes variações: É para verão? Coloca uma rendinha! É para festa? Coloca um paetê! É para ser descolada? Coloca uma tachinha! Todos seguindo o mesmo modelo de camisetão! É muito desestimulante, porquê uma pessoa gorda tem o direito de estar na moda, de usar cores e modelos diferentes.

As lojas que são especializadas para o segmento, nem sempre possuem preços acessíveis, uma das explicações é o corte das peças e gasto de material.

Mas e na fast fashion? Com muito mais dinheiro, poder de barganha e canal de distribuição? Porquê as roupas plus size sempre ficam escondidas no final das lojas, tendo duas ou no máximo 3 araras com pouquíssima variedade de modelos e cores? É notório que a sociedade está engordando, por inúmeras questões, mas as lojas parecem não entender isso como uma oportunidade de mercado.

Claro que o foco está na C&A mas as outras grandes redes também não ficam atrás, algumas roupas bacanas que tenho são da Forever 21 que foram compradas fora do país, aqui no Brasil a rede tem em algumas lojas roupas plus size, mas mesmo assim não são tão bonitas e descoladas como as de fora.

Falar sobre inclusão está super na moda, mas há uma distância muito grande em mostrar que é e realmente ser, a ponto de começarem a criar novos parametros para gordas, como bem disse a blogueira Mariana Rodrigues, do Blog Da Rua pra Lua, ela definiu esta campanha em seu Facebook como “A gorda de Taubaté”, comparando o caso da falsa grávida de Taubaté que usava uma Gym Ball no lugar dos quadrigêmeos, a tentativa da C&A colocar uma modelo que não é gorda, para representar as gordas.

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Christina Santos

Christina Santos, química, com especialidade em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos, adora gatos e pipoca e tem grande interesse em meio ambiente, e sustentabilidade corporativa.

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