“Não preciso esconder meu fogão. Nem exibi-lo” (Adélia Prado)

“Porque quando falamos de escolhas, estamos também falando de momentos.”
@srtabia

Neste mês participei do Seminário da Revista Crescer – Familias contemporâneas. Foi um encontro interessante, já na sua terceira edição, que debate as pequenas mudanças nas familias atuais e ontem focava os debates (entre pais e especialistas) no impacto das novas tecnologias nas famílias contemporâneas e na (difícil) tarefa de conciliar tudo em 24 horas.

No primeiro ano, eu acho, o tema eram papeis na familia, ser pai, mãe, pãe, single parent… tinha lá gente como Astrid e Leão, duas figuras que eu encontro em pré-estreias infantis em Sampa (sem babá de branco, realmente curtindo estar ali com a criança) e que encararam ter filho num esquema sem parceiro. No outro ano lembro da presença de pais de segundos e terceiros casamentos como Marcelo Tas e Paulo Tatit, além de novos pais como Abel Neto, que tinha filho bem pequeno e se preparava para viajar para cobrir a Copa do Mundo.

Estou citando pais, notaram? Em todas as conversas sobre as famílias contemporâneas, o que vejo é o que eu e Gui comentávamos ontem no jantar sobre minha visão do seminário, que as familias mudaram numa coisa fundamental: não são estáticas! Hoje podemos escolher viver momentos, estar em casa, estar executivo, estar pãe, ESTAR… não precisamos mais, como nossos pais e avós, SER uma mesma coisa para sempre e esperar tristemente a aposentadoria chegar para mudarmos de vida.

Aqui em casa em 15 anos de casamento já vivemos fases em que eu fiquei em casa, outras do Gui em casa, outras de muito trabalho de um, muito trabalho do outro, de homeoffice dos dois, já assumimos vários papeis e vejo que esta situação é da nossa geração, não é exclusividade nossa. Só quem ainda não viveu a vida (como estes jovens que vivem teorizando) pode pensar que a gente ainda assume papeis para sempre, sem flexibilidade, sem cansaço, sem ajustes…

Algo que está descrito neste relato da @srtabia:

“Na última vez que fui a SP, peguei um táxi para Guarulhos e uma amiga me recomendou uma taxista mulher. E a primeira coisa que quis saber é como ela se tornou taxista, porque é geralmente uma profissão masculina. Aí ela me disse que era casada e dona-de-casa há 17 anos, até que o marido se apaixonou por outra pessoa e quis separar. A partir daí ela teve que se virar, tentou ser boleira, mas descobriu que ser taxista era um bom caminho, gosta do que faz, criou 4 filhos, o marido até quis voltar depois mas, nas palavras dela: “Não tinha mais como, eu me tornei uma nova pessoa, apesar de que adorei criar meus filhos e ser dona-de-casa”.

Então, talvez exista mesmo um fenômeno nas classes sociais mais abastadas em que mulheres largaram o emprego para serem donas-de-casa, os filhos deram uma crescida e não são mais tão dependentes e elas se vêem querendo descobrir novas coisas. É algo que tem elementos para serem discutidos, mas ficar reclamando de gosto do bolinho?”

E completo com uma clássica frase do Nelson Rodrigues (dita ao final da entrevista feita por Oto Lara Resende) e relembrada por @patricegu numa conversa sobre este assunto do post.

“Quando o Oto perguntou ao Nelson qual conselho ele daria aos jovens, o mestre foi curto, direto, preciso e inteligente:

– Envelheçam.

Simples assim. Somente o envelhecer nos dá a rara oportunidade de vivenciar situações diversas, momentos altos, momentos baixos, revisão de postura e, principalmente, a deliciosa aventura que é acompanhar o crescimento de um ser humano, às vezes perto às vezes à distância, às vezes com muito trabalho às vezes com pouco trabalho, às vezes com tempo para fazer cupcakes, às vezes com tempo só para dar beijinho… essa é a beleza da vida: a diversidade.”

P.S. A frase que abre o post eu li num comentário neste post http://bit.ly/kibjO8 e que explica também o “gosto do bolinho”, citado por @srtabia e por @patricegu.

[E se você se perguntou, como muitas mães blogueiras, de onde saiu o Tas lá como mediador, vale acompanhar a conversa aqui e ali no Facebook.]

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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