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Dia 18 de junho é o aniversário do meu pai e também a data que o Brasil comemora o Dia do Imigrante. O motivo remete aos meus ancestrais: é a data em que, em 1908, o primeiro navio japonês aportou no país.

Mas nem todo mundo veio para cá em paz e em busca de oportunidades de trabalho, com contratos assinados previamente e tudo ajeitadinho como meus avós que vieram do Japão ou meus bisavós que eram alemães radicados na Rússia e vieram pro Brasil ainda no Segundo Império.

Alguns desembarcam no Brasil porque precisam de um lugar seguro para ficar.

“O refugiado só recebe esse status ao chegar ao Brasil, que só é concedido em caso de sofrimento de perseguição. Seja política, religiosa, ideológica, por orientação sexual ou em caso de guerra. Já o imigrante é aquele que escolhe mudar por N fatores, inclusive o econômico, como é o caso dos haitianos e muitos latino-americanos.”
Evelyn Cheida, da Missão Paz.

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Na escola eu tive uma colega de faculdade que era refugiada política. O pai, político em Moçambique, obteve asilo político no Brasil e a família vivia sob proteção. Aprendi muito com aquela experiência e com a comparação das perspectivas de vida dela, dos meus ancestrais e, anos mais tarde, da minha própria experiência como migrante, quando morei no Japão para trabalhar temporariamente.

Eu voltei para cá depois de alguns anos, mas quantos podem fazer este caminho de retorno?

Alguns não podem ou não querem voltar aos seus países de origem, outros não tem mais país para onde voltar. 

E todos somos iguais, parte da vida nômade sobre a Terra, parte do planeta que vive sob guerras e atritos por conta de fronteiras que são artificiais e mudam conforme os interesses dos ditadores do momento. 

O Brasil sempre teve uma fama de ser acolhedor e de não discriminar, mas, na prática, sabemos que não é verdade. Meus avós japoneses sofreram durante a Segunda Guerra Mundial a discriminação de cor e de cultura que hoje muitos outros sofrem, mas hoje em dia, com tanto acesso às informações, não podemos mais fingir que não sabemos e não vemos isso.

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Sei que temos que organizar a vida dos refugiados, o Brasil tem que ser capaz de cuidar de seus cidadãos e não pode abrir as portas para outros sem ter condições de atendê-los. Mas o fato é temos recebido essas pessoas e precisamos de uma política pública para atender a todos. E, mais do que isso, precisamos de movimentos de integração, que teriam feito toda diferença na vida dos nossos ancestrais e podem fazer da vida dos nossos filhos e netos uma experiência integrada, pacífica e construtiva.

Neste ano houve uma mudança considerável no fluxo migratório no Brasil. Se antes eram haitianos os refugiados, em 2016 eles são de Angola, Congo, Nigéria, Guiné-Bissau e Togo. E ainda temos no nosso cotidiano os chineses e bolivianos, só para citar suas etnias que estão muito presentes em São Paulo, trabalhando e usufruindo de serviços públicos. Será que o Estado os vê? Eles têm chance de construir socialmente para compensar sua presença? Em que condições este trabalho se dá? Como moram, comem, estudam, vivem estes novos brasileirinhos que nascem dos pais imigrantes e refugiados?

 

Neste Dia Mundial do Refugiados, deixo aqui algumas sugestões de espaços para vivenciar esta integração e inspirações para criar projetos na sua região.

Entre os dias 24 e 26 de junho, acontece em São Paulo o primeiro “creatathon” sobre o tema da migração no Brasil, o Dream-makers Creatathon: Facilitando sonhos de novos brasileiros, uma realização do Migraflix e Impact Hub com apoio da apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O objetivo é reunir novos brasileiros – migrantes e refugiados – à comunidade local de mentes criativas, empreendedores sociais e makers, que irão sensibilizar, discutir e propor soluções aos desafios de integração desta população na maior metrópole da América Latina. A dinâmica será focada nos processos de welcoming, rooting e connecting dos novos brasileiros, que trazem grandes sonhos e capacidades em suas bagagens.  O evento acontecerá no Impact Hub São Paulo – Rua Bela Cintra, 409, bairro Bela Vista). O valor de participação é de R$ 50,00 (cinquenta reais) e será revertido integralmente para o apoio de projetos conduzidos por imigrantes.

O Abraço Cultural é outro projeto pioneiro que tem refugiados como público, buscando a integração social e cultural. Neste projeto, que nasceu em São Paulo e já está no Rio, com desejo de expandir as atividades para outras cidades brasileiras, os “novos brasileiros” são professores de cursos de idioma e cultura, num movimento de troca de experiências, geração de renda e valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil. Ao mesmo tempo, possibilitam aos alunos o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais de outros países.

 

Eu tenho interesse em mudar esta realidade antes que ela se torne aqui o problema que vemos crescer em outros países mundo afora. E para isso estou de olho em iniciativas que tenham como objetivo principal mesclar, reunir, integrar e criar oportunidades conjuntas entre nós, que somos da terra, e os que chegam a ela com vontade de serem brasileiros.

E você, como está convivendo com essa mudança de paradigma no mundo que chegou aqui, à nossa vizinhança? Como quer conviver com os novos conterrâneos?

Temos condições de escolher se não deixarmos a distância entre nós se tornar grande demais. Vem, gente!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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