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Começo junho em Minas Gerais, onde nasce o querido Velho Chico, rio da integração nacional e um ícone das águas do nosso Brasil. Estarei como jornalista, cobrindo e participando da Coletiva de lançamento da campanha anual “Eu viro carranca para defender o Velho Chico”, do o CBHSF, Comitê de Bacias Hidrográficas do São Francisco.

(mas na verdade gostaria de me transformar em carranca, como estes vídeos incríveis da campanha)

Em 2014 estive na coletiva para o dia nacional em defesa do Velho Chico e defendi com muito entusiasmo que os influenciadores de mídias sociais (eu, você, quem tem blog, Instagram, Facebook, etc) fosse convidado para ser protagonista neste trabalho de conscientização da importância dos rios brasileiros, tomando como exemplo o excelente trabalho multisetorial que se faz no CHBSF, um colegiado com representantes desse do setor público,  da sociedade civil (que vivem em torno dos estados por onde o rio passa) e empresas que utilizam a água em seus negócios. Na ocasião também pedi uma coisa: para levarem a imprensa para ver o rio. E foi assim que em 2015 eu acompanhei a reunião anual do colegiado, um embate incrível de atores sociais e um trabalho de gente séria e comprometida com sua causa, mas disposta a encontrar um caminho em comum pelo bem do rio e de todos que usufruem de suas dádivas, um exemplo de cidadania e democracia no qual todos conciliaram suas diferenças e se unem em torno de um só objetivo: garantir a preservação do Rio São Francisco.

eu viro carranca para proteger o velho chico

O grupo de jornalistas maravilhado após um passeio de barco pelo Velho Chico – eu estou de velho, à esquerda. A embarcação que emoldura a foto é um retrato do que o CBH do São Francisco evita: importar modelos de fora, como este barco que veio há 100 anos do Mississipi e não conseguiu navegar no Velho Chico. A ideia é empoderar a comunidade local e informar todos os brasileiros, trazendo referências, mas buscando soluções mais ajustadas às diferentes realidades deste Senhor Rio.

Me pego convidando sempre mais e mais gente para estar conosco no dia 03 de junho e pensar neste rio querido. O Velho Chico é especial por ser o único rio que nasce e deságua dentro do território nacional. E ainda é utilizado para gerar energia hidrelétrica e abastecer a população ribeirinha. E mesmo com essa importância, vem sendo ameaçado.

what is carranca

Mas gente, por que carranca?

Fiz uma pesquisa porque uma amiga portuguesa me perguntou no Facebook numa das vezes que divulguei esta campanha.

Carranca é uma escultura com forma humana ou animal, produzida em madeira e utilizada a princípio na proa das embarcações que navegam pelo rio São Francisco. Espalhou-se no Brasil como uma forma de arte popular, sendo vendida em feiras e lojas de produtos artesanais. Não se sabe ao certo se sua origem é negra ou ameríndia, ou se seriam amuletos ou simplesmente ornamentos. Os artesãos que produzem carrancas são chamados de carranqueiros.

Segundo li, as primeiras referências às carrancas datam de 1888 em livros de Antônio Alves Câmara e Durval Vieira de Aguiar, dando conta de que as carrancas eram construídas a princípio com um objetivo comercial, pois a população ribeirinha dependia do transporte de mercadorias pelo rio e os barqueiros utilizavam as carrancas para chamar a atenção para sua embarcação. Em certo momento, a população ribeirinha passou a atribuir características místicas de afugentar maus espíritos às carrancas, o que a tornou uma forma de manifestação cultural popular de uma região brasileira – em especial idades de Petrolina, em Pernambuco, Pirapora, em Minas Gerais, e Santa Maria da Vitória, Juazeiro, na Bahia. Assim, as carrancas passaram a ter um significado importante para as embarcações, preservado até hoje no imaginário popular: espantam maus espíritos, ajudam para que a embarcação não afundasse, livram das tempestades e atraem muitos peixes.

No vídeo abaixo, o curador Lorenzo Mammì revela a origem destas grotescas criações, apresentando Guarany, o mais talentoso escultor, e o fotógrafo Marcel Gautherot, responsável pela divulgação e popularização destes monstros tão brasileiros.

Essa história está num livro, A viagem das carrancas, que tem imagens das carrancas e uma série fotográfica de Marcel Gautherot, além de registros de Hans Gunter Flieg, Pierre Verger e do pesquisador Paulo Pardal. A publicação do Instituto Moreira Salles inclui ainda ensaios de Lorenzo Mammì e Samuel Titan Jr.

Então, hora de virar carranca? Vem com a gente!

Em 2016, o principal enfoque da campanha será pela necessidade de incremento de pesquisas e ações acadêmicas por parte das universidades presentes nos estados que integram a bacia. Por esse motivo, o CBHSF realizará, a partir do dia 5 de junho, nas cidades ribeirinhas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), o I Simpósio da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, reunindo professores, pesquisadores, especialistas em recursos hídricos, gestores públicos, ambientalistas, além de membros do Comitê do São Francisco.

 

eu viro carranca em defesa do rio são francisco velho chico

 

#virecarranca

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  1. […] São Francisco (SBHSF) será realizado em junho na Univasf – 31/05/16 O Diário da Região Eu viro carranca quando… – 31/05/16 A Vida Como A Vida Quer Ministério Público constata diversas irregularidades no […]

  2. […] Vem virar carranca com a gente também!  […]

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