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 Como irmã de médica, eu preciso registrar meu apoio ao movimento #YoTambienMeDormi.

Há 20 anos acompanho os plantões desumanos e os “voluntariados”, trabalho praticamente escravo de estudantes que precisam colecionar horas sem fim de “interesse e empenho” nas áreas que desejam seguir nas futuras residências. 

A realidade trabalhista dos profissionais de saúde é cruel e desumana, mas pouco sabemos e praticamente ninguém reage porque há o corporativismo (dos empresários do setor), o orgulho profissional e a cobrança da sociedade por uma postura de “sacrifício e doação” que faz com que ser médico se assemelhe à vida de um mártir. 

Converse com alguns médicos da sua convivência e depois conte se os relatos atuais da situação de quem trabalha em hospitais melhorou. 

Desejo que mudanças sejam reconhecidas, mas temo que a realidade das 72h direto no trabalho ainda exista como rotina.

“As jornadas de trabalho são longuíssimas. Em algumas áreas do país, há plantões de até 72 horas. As condições normalmente são ruins, há pressão, não dá tempo às vezes nem de comer ou ir ao banheiro”,.

Quem conta dessa realidade é dr. Fernando Sabia Tallo, coordenador da UTI do Hospital São Paulo (Unifesp) e presidente da Associação Brasileira de Medicina de Urgência e Emergência (Abramurgem).

“A gente luta contra essas jornadas longas, justamente para que o médico não fique exausto. Mas diante do cenário atual, não vejo um cochilo como desvio de conduta, se for feito com bom senso.”

O médico vai além e disse que polêmica do #YoTambienMeDormi está bem longe de abordar questões mais importantes do sistema de saúde no Brasil.

“Agora, diante de todos os problemas que a saúde no Brasil enfrenta, condenar um médico que tirou um cochilo quando não há pacientes, depois de ficar 20 horas acordado, é uma grande hipocrisia”.

Está na hora de deixarmos de ser hipócritas, concordam?

Pessoas com falta de sono têm dificuldade de se concentrar.

E você não vai querer que um cara que não dorme há 72h trate sua saúde, vai?

 
Curiosidade sobre as 72 horas sem dormir:

“Em artigo na publicação especializada Proceedings of the National Academy of Science, os pesquisadores, chefiados por Elizabeth Gould, disseram [em 2007] que embora o papel da produção de neurônios em adultos continue desconhecido, a inibição da produção pode explicar algumas deficiências de aprendizado associadas à privação prolongada de sono.

“O especialista em distúrbios do sono do Hospital da Universidade de Norfolk e Norwich, na Grã-Bretanha, Neil Stanley, disse que as conclusões do estudo não podem ser aplicadas diretamente em seres humanos porque as pessoas só ficam sem dormir por 72 horas em circunstâncias extremas.”

Leia também: Precisamos reagir e limpar o país em todas as esferas! 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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