Os custos sociais e os benefícios da bicicleta nas cidades

Sesc_divulgação

Novas políticas de transporte de baixo custo para promover saúde pública e benefícios ambientais. Seria lindo ter novidades de políticas públicas brasileiras – fora as ruas pintadas em São Paulo na administração Haddad. Mesmo não sendo aqui, esta defesa, de novas políticas de transporte de baixo custo para promover saúde pública e benefícios ambientais, me fez pensar em muitas coisas.

Mexeu comigo porque como sabe quem lê o blog há tempos, eu sempre defendi mais a educação para convivência no trânsito do que o gasto com a “construção” de ciclovias. Acho que fazer algo novo é custoso e, como aconteceu a princípio com as bicicletas alugadas nas grandes cidades – Paris, Nova York, São Paulo, Rio – a novidade é uma indicação de especialistas da Nova Zelândia indicando que este tipo de transporte pode promover saúde.

A “magia” se deve à redução de custos com saúde, poluição e tráfego.

Os pesquisadores da Nova Zelândia exploraram algumas escolhas políticas que são realistas, a preços acessíveis, transformadoras e saudáveis, criando num artigo para a revista norte-americana científica Environmental Health Perspectives, do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental, uma realidade em que o uso de bicicleta recebesse investimentos adequados.  Simulando os efeitos de políticas específicas a partir de sistemas de modelos dinâmicos, os seis pesquisadores analisaram a cidade de Auckland, a maior da Nova Zelândia, usando métodos da agência de transporte local para calcular índices indicativos de custo-benefício em dólares neozelandeses para diferentes investimentos em ciclovias (lembram-se que falamos disso aqui?). Dentre suas conclusões, dados animadores: os benefícios de todas as políticas de intervenção superam os danos, entre 6 até 24 vezes. 

Estima-se que essas mudanças trariam grandes benefícios para a saúde pública nas próximas décadas, em dezenas de dólares para cada dólar gasto em infraestrutura.

Os maiores benefícios serão a redução da mortalidade por todas as causas.

“No momento em que a maioria das cidades está dominada pelos carros, é fácil justificar o dinheiro gasto com novas estradas como resposta à crescente utilização do automóvel, apesar dos impactos negativos que isso traz ao meio ambiente e à saúde das pessoas, agora e no futuro”, explica Alexandra Macmillan, principal autora do estudo, da Universidade de Auckland, em entrevista ao site Co.Exist. 

Além disso, os autores também observaram que se a Prefeitura de Auckland construísse uma rede de ciclovias segregada e diminuísse as velocidades de tráfego, tais medidas poderiam aumentar o ciclismo em 40% até 2040. No entanto, caso optasse por adicionar pistas apenas em alguns poucos pontos estratégicos, isso só aumentaria o tráfego de bicicletas em 5%.

Embora já existam pesquisas que sustentem que andar de bicicleta nos faz mais felizes, mais saudáveis e até mesmo aumenta a lucratividade de negócios locais, este estudo é pioneiro em concluir como investimentos em infraestrutura cicloviária podem trazer retornos financeiros para as cidades em longo prazo, além do bem-estar físico, social e ambiental.

Creio que o dado mais importante e valioso é este:

Quanto maior o número de pessoas que andam de bicicleta, maior a redução de custos de cuidados de saúde.

Embora o estudo tenha se concentrado em Auckland, os pesquisadores acreditam que os princípios gerais se aplicam a outras cidades onde os carros dominam.

E aqui, será que faríamos um estudo assim? E apoiaríamos o poder público se ele quisesse implantar?

P.S. Fui procurar e achei onde alugar bicicletas na Nova Zelândia… salvei na to-do list! 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.