Estudo mostra qual o comportamento do brasileiro atual ao se alimentar

Na terça-feira um encontro na FIESP reuniu os interessados em alimentação no Brasil. Eu não pude ir, mas @gnsbrasil, que se interessa em prospectar novos mercados e escreve no Conversas de Cozinha comigo, foi e voltou animadíssimo do encontro onde ouviu para onde o setor alimentício brasileiro vai nos próximos 10 anos.

O que ele ouviu? Vozes importantes do setor alimentício brasileiro comentando a pesquisa (feita pelo Departamento do Agronegócio, Deagro, da Fiesp junto com o Ibope) que revela o perfil do consumo brasileiro de alimentos e bebidas, numa avalção multidisciplinar das características do consumidor brasileiro – e um parecer sobre sua posição acerca das tendências mundiais do setor.

Ele está alinhado, mas não deixa de valorizar suas raízes: arroz e o feijão, café e leite, enfim, os alimentos tradicionais ainda são a prioridade nacional e na hora da escolha os brasileiros ainda optam por marcas mais conhecidas por aqui.  Mas os brasileiros – especialmente a classe C, em franca ascenção e que se imagina corresponderá a 50% dos consumidores em dez anos – se interessa pelo lançamento de iogurtes; bolachas e biscoitos e sucos prontos.

Isso é reflexo de uma mudança de comportamento, segundo enfatizou Marlene Bregman, Vice Presidente de Negócios Corporativos da Leo Burnett Brasil. Ela relembrou a mudança do papel feminino na sociedade desde a década de 1960, enfatizando que a mulher que está atualmente no mercado de trabalho é a filha daquela que viveu o feminismo de 1970 e a emancipação feminina e que esta “filha” que hoje tem família própria tende a voltar a valorizar os papéis femininos.

E que o feminismo tem a ver com a indústria de alimentos? As mudanças na rotina e na expectativa das famílias, motivadas pela inserção feminina no mercado de trabalho (dados mostram que a participação da mulher no mercado de trabalho cresceu de 42% em 1998 para 47,2% em 2008) levam o mercado de alimentos a grandes mudanças, com mais gente se alimentando fora ou optando por alimentos semiprontos ou prontos para o consumo. Graças às mulheres o Brasil se sofisticou em alguns aspectos – bons e ruins, mas isso é tema para um outro debate, sobre nutrição. 😉

Socialmente falando, foram vários pontos interessantes levantados sobre nosso consumo e a evolução em áreas como educação, cultura e finanças no Brasil. O Brasil Food Trends 2020 mostrou que atualmente a maior parte das pessoas, 34% do total de entrevistados, prioriza a conveniência e a praticidade dos alimentos, em resposta às necessidades do cotidiano apressado e ao pouco tempo que dispõem – exatamente o público que trabalha em tempo integral e, por isso, adere a pratos congelados e semiprontos.

Este grupo tem um ponto forte em comum com quem não passa o dia fora, como as donas de casa com crianças menores de 12 anos: a confiança na qualidade que veem nos alimentos. O estudo indica que 23% da população é composta por consumidores fiéis às suas escolhas por marcas, produtos ou empresas, pessoas que preferem marcas que conhecem e confiam, mesmo que tenham que pagar mais caro por elas, num comportamento ainda mais forte na classe C.

Além de confiável, a comida tem que ser “gostosa e atraente”, segundo 23% dos entrevistados, os que priorizam a sensorialidade e o prazer nos alimentos. Eles têm um estilo mais impulsivo para comer e seu lema é “prazer sem culpa”, mas são também os responsáveis pelo crescimento de roteiros gastronômicos e a valorização do encontro para se alimentar como uma celebração.

Mas nem tudo é despreocupado quando se trata de alimentação no Brasil. Ponto para nós em outro ponto: diferentemente da disposição geral do resto do mundo, saúde e bem-estar e sustentabilidade e ética convergem no momento de escolha por produtos alimentícios. A mesma qualidade que o brasileiro espera dos produtos, quer ver na responsabilidade que eles possuem com a sociedade e com causas ambientais.

Tem tanta coisa mais que não cabe num só post, mas prometo continuar a contar aqui conforme eu leia o livro Brasil Food Trends 2020: tendências internacionais que influenciarão o setor de alimentos no Brasil, que foi lançado no evento e serve como guia para quem se interessa pelo tema, servindo como uma agenda estratégica do setor de alimentos, com enfoque nos desejos dos consumidores, mais informados e convictos dos produtos que adquirem.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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