blogosfera / educação

Conheci Luis quando ele me convidou para ser uma das debatedoras no painel sobre Homeschooling no VivoEduca de 2010. Daí começamos a nos seguir e conversar às vezes no Twitter e, afora os horários de jogo do Corinthians (risos), a timeline dele é das mais inteligentes, vivas e estimulantes na área de educação, inovação e uso de tecnologia para o bem no Brasil. Por isso, ao chamar pessoas para escrever aqui como convidados da blogagem coletiva #EstudarValeAPena, lembrei imediatamente do nome dele.

Blogagem Coletiva #EstudarValeAPena As imagens são selos que a equipe de Leandro Ogalha, um dos apoiadores oficiais do movimento, criou para quem quiser usar como apoio nos seus posts. http://www.samshiraishi.co​m/o-dia-do-estudante-e-a-b​logagem-coletiva-estudarva​leapena/

“A escola teve um papel muito interessante em toda a minha trajetória de vida, fez com que o meu desejo em ser professor universitário se torna-se uma oportunidade de vingança.

Você leitor pode estar assustado com minhas primeiras palavras aqui neste texto, que tem como objetivo inspirar pessoas declarando que estudar valeu a pena em minha vida, e sim, teve uma importância tremenda para a minha carreira profissional, colecionar alguns diplomas e outros blá blá blás. Mas a questão é como eu disse, me aventurei por um tempo a me tornar um professor para me vingar das provas, dos trabalhos escolares e etc, primeiro porque isso fez com que em meu dia-a-dia na sala de aula eu me disciplinasse a não cometer todos os erros e atrocidades que meus professores cometeram durante a minha formação, e apenas utilizasse como fonte de inspiração momentos ricos que sempre me recordo da escola. Você já parou para pensar que os trabalhos, as aulas mais diferentes, interessantes e divertidas é que você consegue se recordar facilmente? Por que será? Porque o professor se permitiu quebrar as regras estudantis tradicionais, o que fascina todo e qualquer aluno. Porque estimulou a criatividade, a possibilidade de vivenciar o erro e aprender com ele.

Em minhas aulas logo no primeiro dia eu rasgava a ementa (documento que todo professor precisa preparar para a coordenação do curso contendo o planejamento de aulas e conteúdos) e construía com as turmas qual seria o nosso percurso, qual seria o nosso mapa do tesouro ao final daquele semestre de convivência. Este mapa era construído de acordo com o que cada um trazia de experiência pessoal e profissional, seus desejos e expectativas. Tudo isso ia se constituindo com base em conversas, desenhos e etc. Pense comigo, qual seria o melhor jeito de fazer com que numa sala com 49 mulheres de um curso de Secretariado pudesse haver concentração e prazer por aprender? Colocando a turma para conversar. Conversar sobre a história de vida de cada um, sobre o dia-a-dia no trabalho, na família, o que pensa em relação ao nosso país, ao mundo.

Outra coisa que eu sempre fiz com os alunos em que eu adorava me vingar, eram as provas. As avaliações sempre nos deixam sem sono, desesperados em correr para fazer a cola, para enganar o professor, para decorar o conteúdo das aulas e tão logo ao sair da porta da sala de aula simplesmente esquecer tudo. Então, minhas provas todas eram sempre com consultas e em dupla. Todas as questões eram preparadas para que a dupla pudesse debater seus pontos de vista, e não simplesmente copiar e colar conceitos que estavam nos materiais de nossos encontros. Ah, e o aluno que ficava de exame final também voltava a fazer provas com consultas aos seus próprios materiais. E eu deixava o aluno mesmo que por meio ponto. Mas aí aluno é sempre aluno, quando o camarada ficava por meio ponto eu sempre era o grande FDP, e nunca parava para refletir sobre si mesmo, aliás, ser aluno é duro não? Nunca a culpa é nossa, sempre é do professor.

Você pode estar lendo tudo isso e se perguntando, oras bolas, mas esse texto está muito chato, não era para eu ler, e sim para o meu professor ler. Pois é, ledo engano seu. Tudo o que eu disse só foi construído porque em muitos momentos da minha vida estudantil eu sempre fui desafiado. Por ter sido o filho mais velho, sempre eu tinha de ser um exemplo aos meus irmãos, pelo menos eu me cobrava disso. Ser o mais velho da casa significa também sempre ser o cobaia, o primeiro a viver certas situações, o que ajuda a nos amadurecer e muito. Desafiado, porque sempre que o meu professor generalizava ao taxar a classe, a esculhambar todo mundo, era este o momento em que eu tomava pra mim como um desafio de mostrar por A + B de que ele estava errado, e neste momento superar todos os meus limites.

Enfim, aqui escrevi algumas coisas que ocorreram com minha trajetória estudantil. Mas se há algum recado que posso deixar para qualquer um de vocês, deixo um que mudou completamente a minha vida em meu trabalho e que infelizmente a escola não conseguiu fazer, o prazer pela leitura. Nunca fui uma pessoa de ler muitos livros, sempre fui um ser mais televisivo do que leitor. Mas graças ao meu trabalho passei a ler em média 50 livros por ano, das mais variadas áreas e aqui está um grande valor no que quero dizer para vocês. Se quer conhecer um pouco sobre vinhos, vá ler um livro sobre eles. Se quer saber um pouco mais sobre a pessoas convivem, como a nossa sociedade se organiza, leia sobre formigas, sim formigas.

Além da leitura outra grande riqueza que você deve guardar dos seus tempos de escola são os amigos. Faça amizades. Cultive amizades. Conhecer pessoas que têm interesses por assuntos diferentes dos seus ajuda a ampliar o seu conhecimento no mundo. Não tem sensação mais bacana do que reencontrar os seus amigos de escola muitos anos depois no Orkut e Facebook e ver que muitos já estão casados, com filhos, bem sucedidos em suas carreiras profissionais, outros nem tanto. Por isso, eu gosto sempre de dizer uma frase que representa muito o porque você deve conhecer muitas pessoas, “eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos”, pense nisso e se quiser pode colocar no seu MSN…..hehehe

Até uma próxima.”

Luis Fernando Guggenberger (@luisguggen) é gerente da área Debate e Conhecimento e Novos Projetos da Fundação Telefônica

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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