Está certo ou errado adotar o X na escola?

alteridade
substantivo feminino
1.natureza ou condição do que é outro, do que é distinto.
2. fil situação, estado ou qualidade que se constitui através de relações de contraste, distinção, diferença 
O “x” pode deixar de ser a principal letra usada na matemática para se tornar protagonista em diferentes disciplinas escolares, passando a ser usada para suprimir gêneros, reforçando a “alteridade”. 

Tudo bem, os engajados e modernos durão que os movimentos feministas e LGBTs já pregam a utilização de termos como “médicx”, “enfermeirx” e “advogadxs”. 

A novidade está no recurso em ambientes escolares. 

Está certo ou errado adotar o X na escola?

Especialistas afirmam que é importante o debate sobre gênero, mas sugerem cuidado ao se decidir quando fazer isso.

  

“A alteridade faz parte do universo escolar. Por isso, é importante o jovem já saber isso no colégio. A questão é que o aprendizado é feito em etapas. O estudante precisa primeiro entender o que é gênero e sua aplicação linguística para depois debater sobre ela. É necessário, portanto, pensarmos em que momento esta discussão e estas supressões de gêneros nas palavras devam ser iniciadas”, disse em entrevista a
O Globo a pedagoga especializada em alteridade pela UFRJ, Anna Fernandes.

Segundo notícia do jornal O Globo, no Colégio Pedro II, no RJ, o “x” no lugar das letras “a” e “o” já está em avisos institucionais em murais e em cabeçalhos de provas.  No Pedro II, as primeiras menções ao termo “alunxs” foram feitas pelo grêmio do colégio em seus jornais e informes. 

O colégio afirma que não indica e nem proíbe o uso de termos em que o gênero é suprimido. Mas na entrada de uma de suas unidades, um aviso para falar de mudanças no cotidiano devido a uma obra, assinada pelo coordenador de disciplina Raul Oliveira, já adere, logo no começo, com “Prezadxs alunxs”. 

  
 

Vale contextualizar: o Pedro II é o terceiro mais antigo dentre os colégios em atividade no país, depois do Ginásio Pernambucano e do Atheneu Norte-Riograndense. É nomeado em homenagem ao imperador do Brasil D. Pedro II e foi fundado na época do período regencial brasileiro, integrando “um projeto civilizatório mais amplo do império do Brasil” (do qual faziam parte a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Arquivo Público do Império, fundados na mesma época). 

No plano da educação pretendia-se a formação de uma elite nacional.  Atualmente o Pedro II tem 12 campi na cidade do Rio de Janeiro nos bairros do Centro, São Cristóvão (3 unidades), Humaitá (2 unidades), Tijuca (2 unidades), Engenho Novo (2 unidades) e Realengo (2 unidades). Também há um campus em Niterói e outro em Duque de Caxias.

  
Dito isso, dá para entender o quão significativo é ter esse colégio que é referência nacional há desde 1837 adotando algo tão inovador. 

Sobre o assunto, o Ministério da Educação afirmou que há indicações para comportamentos que visem preservar a alteridade de gênero, como garantias de banheiros de acordo com a identidade de gênero, mas que não há nenhuma determinação sobre o uso de termos como “alunxs”.

Os professores do próprio Pedro II afirmam que é um debate que não pode se sobrepor ao próprio aprendizado e que este tipo de discussão deve ser feita nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio, ambientes onde os estudantes possuem mais maturidade para este processo de desconstrução. 

O que você acha? Suprimir o gênero é um caminho para igualdade? 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.