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Misturar religião e ciência não é novidade, haja visto novelas como O Clone (lembram-se que um médico meio maluco clonava o afilhado e tivemos uma canseira da imagem do Murilo Benício?) e A Viagem (um remake que tinha Cristiane Torloni como protagonista e fez um sucesso incrível, apesar de seu discurso abertamente panfletário da doutrina espirita) e lançamentos de cinema como A Criação, que revê a luta de Charles Darwin vivendo a dor da perda de uma filha e suas descobertas evolucionisas no seio de sua família anglicana tendo que escolher entre a fé a razão.

A temática de Escrito nas estrelas terá isso. Humberto Martins, que o público já amou como médico em Quatro por quatro (eu via esta novela amalucada com minha mãe e irmãs, era impagável), volta como um pai sofredor (que eu lembre em Caminho das Indias ele era pai do personagem internado em clínica psiquiátrica) que tenta usar a ciência para ter de volta parte do filho. Sem o realismo fantástico de Glória Perez, a trama assinada por Elizabeth Jhin (com colaboração de Eliane Garcia, Lilian Garcia, Denise Bandeira e Duba Elia e pesquisa de Marília Garcia) mostrará a busca do pai, médico e dono de uma clínica de reprodução humana, por uma mãe ideal para gerar seu neto – o moço havia congelado o próprio sêmen antes de morrer para um estudo. A novela estreia no horário das seis no dia 12/04 e me chamou atenção a postura da autora, que conta que a inspiração para a trama lendo um artigo sobre reprodução humana e os aspectos éticos ligados aos avanços da ciência genética. Através da mídia temos notícias de mulheres que querem gerar um filho com o sêmen de um homem já falecido, mas questionar as implicações desse ato na esfera espiritual foi um viés interessante e que, como num bom romance espírita, serve como pano de fundo para contar uma bela história de amor.e

A CGCOM enviou gentilmente uma entrevista com a autora que pode ser lida abaixo:

reprodução de site

Como surgiu a ideia da história de ‘Escrito nas Estrelas’?

A história surgiu a partir da leitura de um artigo sobre reprodução humana e os aspectos éticos ligados à ciência genética. Pensei em como seria uma mulher gerar um filho com o sêmen de um homem já falecido e comecei a me perguntar sobre as implicações de um ato desses na esfera espiritual.

E como você vai abordar essa questão?

Quis trazer para a trama inquietações transcendentais pelas quais todos passamos. Acredito que o tema da espiritualidade é um bom pano de fundo para uma obra de ficção, para uma bela história de amor. Também pretendo debater os avanços da ciência genética e as questões médicas e éticas que estão associadas a isso. Minha intenção é enfocar a espiritualidade no seu sentido amplo, aquela busca pelo sagrado que existe dentro do homem desde que ele se pôs de pé e conseguiu olhar para o alto. Quero mostrar uma espiritualidade ligada à alegria e ao amor que deveria existir entre as pessoas.

De todo o trabalho de pesquisa feito para a novela, alguma curiosidade te chamou mais atenção?

O processo todo de pesquisa para escrever a história foi muito interessante. Foram várias descobertas, muitas ligadas aos aspectos da reprodução humana assistida. Tive a oportunidade de visitar um laboratório especializado e “ver” as etapas de uma fertilização in vitro, de entender as várias maneiras como a concepção pode ser feita artificialmente, e o que me comoveu bastante: os profissionais envolvidos considerarem que, acima de todos os inquestionáveis conhecimento e habilidade humanas, estão lidando com um milagre: a vida é um milagre muito além da união de dois gametas.

Apesar do acidente fatal que ocorre com Daniel (Jayme Matarazzo) logo no primeiro capítulo e do mistério que envolve a morte de Francisca (Cássia Kiss), a trama é contada com bastante leveza e suavidade, sem perder a agilidade, o ritmo. Como você está equilibrando todos esses ingredientes?

Acho que o fato de amar o que faço ajuda bastante! Vou me apaixonando pelos personagens e quero sempre o melhor para cada um deles! De modo geral encaro a vida com bom humor e me esforço para passar isso para a história. O horário das seis inclusive tem a característica da leveza. Mesmo os meus vilões, por pior que sejam, têm um toque de humor. E a própria espiritualidade eu vejo como algo alegre, que ajuda as pessoas a viverem melhor.

Viviane (Nathália Dill) é uma mocinha pobre, extremamente guerreira e que chega a ter um certo nariz empinado. A personagem passará por transformações quando se aproximar de Ricardo (Humberto Martins). Na sinopse, você chama essa trajetória de “a Cinderela do século XXI”. De onde surgiu essa ideia? Conte um pouco mais sobre essa heroína de um conto de fada moderno.

Fui imaginando um homem que deseja um herdeiro mas seu único filho está morto. Mas, graças à tecnologia atual, existe o sêmen congelado deste filho, o que abre uma nova perspectiva para esse pai. Mas como escolher a mãe ideal para essa criança tão especial? Aí, claro, me veio à cabeça a história da Cinderela, do pai que manda chamar todas as moças do reino para escolher uma para o príncipe. Como estamos no século XXI, quis fazer uma heroína guerreira como são as mulheres de hoje.

Um dos afetos retratados na história é o da relação de pai e filho, com Ricardo (Humberto Martins) e Daniel (Jayme Matarazzo). Os dois se amam profundamente, escolheram seguir a mesma carreira, mas têm temperamentos e ideais bem diferentes. Viviane (Nathália Dill) vai cruzar o caminho dos dois: sentirá uma afinidade imediata no breve encontro que teve com Daniel e se encantará com os sonhos que tem com o rapaz, mas se apaixonará por Ricardo. Será um embate entre a idealização e a realização. Você acha que o público ficará dividido na torcida?

Acho que sim! Será um embate entre o amor impossível, por isso mesmo idealizado, e o amor realizável, carnal, com tudo que ele traz de alegria e realização mas também de mágoas e incertezas. Viviane vai ficar dividida a partir de um certo momento embora saiba que o amor que Daniel sente por ela só poderá ser realizado na eternidade.

O grande vilão da história, Gilmar (Alexandre Nero), é extremamente sedutor. Corre o risco de o público se apaixonar por ele?

Acho que sim! O vilão de modo geral é uma figura muito atraente porque realiza uma série de fantasias nossas pouco confessáveis. O Alexandre está fazendo brilhantemente o Gilmar! Aliás, o elenco está maravilhoso, estou muito feliz e orgulhosa com isso!

‘Escrito nas Estrelas’ também tem vários núcleos divertidos, como a família suburbana de Jair (André Gonçalvez), as irmãs solteironas Madame Gilda (Jandira Martini) e Zenilda (Walderez de Barros), além da dupla de vilãs cômicas Beatriz (Débora Falabella) e Sofia (Zezé Polessa). Humor é fundamental?

Como já disse gosto de encarar a vida com a leveza possível. Acho importante olhar para as situações dessa forma, ajuda a viver e a deixar os outros viverem em paz. Não suporto sarcasmo, mas adoto o humor como um “meio de vida”. Amo esses personagens citados, os atores estão defendendo-os de forma brilhante, o que ajuda a termos mais e mais idéias de boas situações para todos.

Qual é a sua expectativa para a novela?

Trabalhei com praticamente todos os grandes autores e fui aprendendo o máximo possível com cada um deles. Em ‘Eterna Magia’, tive a sorte de ter a supervisão de Silvio de Abreu que me orientou e me ensinou o “caminho das pedras” com muita generosidade. Agora posso dizer que estou pronta para enfrentar o desafio e estou muito feliz com esse novo trabalho.

Esta novela tem uma equipe de texto integralmente feminina – as quatro colaboradoras, Eliane Garcia, Lilian Garcia, Denise Bandeira e Duba Elia, e a pesquisadora Marília Garcia. Isso traz algum diferencial para a trama?

Trabalhar só com mulheres não foi uma escolha proposital, foi simplesmente acontecendo. Temos que escrever e “entrar na pele” de uma criança ou de um assassino cruel, não importa o nosso sexo, faz parte da nossa profissão. Eliane Garcia e Marília estão comigo desde a criação da sinopse, a Lilian trabalha há bastante tempo comigo também. O grupo todo é excelente.

Por trás das câmeras há o olhar do diretor de núcleo, Rogério Gomes, e é a primeira vez que vocês trabalham juntos. Como tem sido essa dobradinha?

Estou encantada com o talento e a dedicação do Rogério! A impressão que tenho é que já trabalhamos juntos há muito e muito tempo, tal o entrosamento que alcançamos. O Rogério está transformando a novela em algo muito especial, fico emocionada e agradecida ao ver as cenas que foram gravadas. Espero que a “dobradinha” continue por muitos anos!

P.S. Se o espiritismo lhe interessa, recomendo a leitura do ótimo apanhado que os repórteres Martha Mendonça, Leopoldo Mateus e  Mauricio Meireles fizeram sobre a importância e o papel de Chico Xavier no Brasil.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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