cidadania / educação / sustentabilidade

“Não há motivo para que São Paulo não vire uma cidade ‘bike friendly’ nos próximos 5 ou 10 anos. Se ainda falta infraestrutura urbana, nada melhor do que ensinar a importância da bicicleta para as crianças, que terão o poder de mudar isso no futuro”.
Mikael Colville-Andersen, consultor do projeto Escolas de Bicicletas

"Sinal verde" para bikes na Antuérpia, foto de @zeoffline (janeiro de 2012)

"Sinal verde" para bikes na Antuérpia, foto de @zeoffline (janeiro de 2012)

Notícia que trouxe alegria e apreensão à minha manhã: no dia 31/03/2012 começa o programa “Escolas de Bicicleta” que promete a 4,6 mil crianças os meios para ir e voltar pedalando da escola. O início do programa da Secretaria Municipal de Educação é modesto: são 20 alunos do Centro Educacional Unificado (CEU) Heliópolis que vão receber as primeiras bikes e iniciarão um treinamento de quatro semanas na escola – e após esse período, dois monitores vão acompanhar o grupo diariamente no trajeto casa-escola.

Minha alegria é por saber que as crianças terão mais qualidade de vida (com exercícios, liberdade para ir e vir, a formação de grupos de colegas, tanta coisa boa que uma vida com bicicleta permite!), mas preocupa-me sobremaneira pensar neles no meio do trânsito paulistano. Ao contrário do que acontece em cidades menores, aqui não temos “ruas de bairro”, daquelas com pouco carro, sem caminhões ou ônibus. Aqui é “tudo junto” sempre e foi este modelo que me fez postergar até os quase 12 anos do meu filho a autonomia para ir e vir no bairro sem minha mão ajudando-o a atravessar as ruas.

Mas me parece que o programa chega a São Paulo com um planejamento interessante. Uma das principais apostas da pasta para complementar seu projeto educacional voltado para a sustentabilidade, o “Escolas de Bicicleta” pretende oferecer bicicletas para alunos dos 46 CEUs da cidade. Segundo li,

entrega das bicicletas acontecerá a cada quatro semanas, sendo que 20 alunos de cada unidade vão receber as bicicletas, passar por quatro semanas de treinamento e abrir espaço para que as próximas 20 recebem as suas. Para este trabalho de formação dos novos ciclistas, a Prefeitura contratou cerca de 90 monitores que serão responsáveis tanto pelas aulas de trânsito, mecânica e cultura de bicicleta quanto pelos comboios que vão acompanhar as crianças.

O secretário de Educação, Alexandre Schneider, garante que não haverá risco para as crianças que aderirem ao projeto após autorização dos pais porque a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) está chancelando tudo, desde as rotas, que terão no máximo 3 km e não passarão por avenidas com tráfego de ônibus ou veículos pesados.

Cotidiano de Amsterdam em foto de @zeoffline (janeiro de 2012)

Cotidiano de Amsterdam em foto de @zeoffline (janeiro de 2012)

Também nesta manhã, antes de ler as notícias nos jornais, eu compartilhara um texto no Facebook que falava sobre a reeducação para o trânsito que a Holanda promoveu para conviver com as bicicletas. Quando ouvimos falar de bike na cidade este país é uma das nossas referências, não é mesmo? Pois não foi sempre assim.

Vale a pena ver o vídeo inteiro (não demora, dura pouco mais de seis minutos) para compreender que o processo pelo qual eles passaram, do crescimento econômico (depois Segunda Guerra) com destruição de prédios para abrir ruas para os carros até os protestos contra a morte de ciclistas (400 crianças em um único ano, 1971) e o desenvolvimento de uma política pública permanente sobre o tema, que persiste até hoje.

“Precisamente no período em que surge no Brasil uma forte mobilização em favor de outro sistema de transportes e mobilidade, ele mostra que esta luta pode ser vitoriosa. Está focado na Holanda, provavelmente o país que melhor superou a locomoção baseada no automóvel individual — substituindo-a por uma vasta rede de trens, bondes e ciclovias.”

Como disse Antonio Martins, os dados são ainda mais expressivos por se tratar de um país cuja população (16,6 milhões) é semelhante à da região metropolitana de São Paulo. E poderia ser um universo menor, tanto faz.

O que faz diferença e o que falta para que as necessidades sejam transformadas em políticas públicas é ter pessoas que se reunam e mostrem que suas propostas não são um luxo ou uma mania pessoal, mas sim uma necessidade coletiva e que sua implantação como política pública poderá melhorar nossa vida em sociedade.

Parodiando o SWU, começa comigo, começa com você.

Bicicleta como meio de transporte para a escola

Que tal contar disso tudo para a escola do seu bairro, montar grupos para ensinar a andar de bike ou se voluntariar para ser um Anjo de Bicicleta? Se você não tempo para nada disso, mas acha as ideias boas, faça como eu: compartilhe as notícias, divulgue informações, torne públicos os conceitos e ajude a criar uma cultura de convivência pacífica no trânsito.

P.S. Conheça o projeto da Prefeitura de São Paulo. Quem sabe se ele não pode ser apresentado na sua cidade também? E para os mais animados, que tal indicar para a escola da sua região programas como o Caminho da Escola, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que cria condições para aquisição de bicicletas escolares de aros 20 e 26?

The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas