Será que a escola pública voltará a ser para os ricos?

Ao ler o artigo que dá conta de que 8,6% dos estudantes do ensino médio matriculados nas escolas da rede pública pertencem a famílias com renda per capita na faixa dos 20% mais ricos do país lembrei imediatamente que minha mãe contava de uma escola-modelo em sua cidade (Ponta Grossa, no interior do Paraná) que na década de 1950 era frequentada praticamente só por filhos de pessoas ricas. A escola era mantida pela prefeitura e por isso era gratuita, mas atraia tantos filhos privilegiados (pessoas que, depois, vi serem grandes expoentes profissionais no meu estado) que sobravam poucas vagas para os menos ricos.

Os dados que abrem o post e integram a “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2012”, elaborada pelo IBGE (da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Pnad, referente a 2011), nos mostram que esta realidade pode até voltar a ser realidade por aqui. Muita gente vai reclamar, mas eu acho que mostra que estamos no caminho dos países mais desenvolvidos socialmente do que nós, aqueles nos quais a educação é uma questão pública e atende igualmente a todos os cidadãos. Mais ou menos ricos, crianças e adolescentes devem ter o mesmo direito de acesso a uma boa educação e me alegra ver que as famílias começam a deixar a “redoma” da escola particular e optam por deixar seus filhos conviverem com a sociedade de forma mais real.

Os motivos desta mudança são óbvios: o bom desempenho de estudantes de escolas públicas federais, técnicas e militares em exames como o Enem e vestibulares também atraem famílias com melhor condição financeira.

Eu fiz este caminho no final da 8a série (atual 9o ano): mesmo tendo condições financeiras e estando em escola particular, por escolha própria, preferi ir para o colégio público e fez o concurso seletivo para ingressar numa instituição federal. Meu filho, que está indo para o 8o ano, se prepara para fazer o mesmo caminho. Preferimos que nossos filhos tenham uma formação menos teórica e mais voltada para a vida real, pensando numa formação profissional ao invés de fazerem o ensino médio pensando na futura faculdade.

O fato é que, como comentei outro dia com os estagiários daqui da Otagai Mídias Sociais (egressos de escolas públicas no ensino médio e hoje estudantes de faculdade particular), os jovens que saem de uma formação em escola particular teriam mais chance de aprovação nos vestibulinhos.

O que vocês acham? Como estão orientando os estudantes da sua família?

P.S. E a matéria ainda tem foto do lindo filho da querida Débora Domingues!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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