Sobre julgar um CD (artista?) pela capa

Postei há pouco no MudaRock sobre o revival das melhores capas (lembram disso em vinil?) que a Folha de S. Paulo publicou ontem, uma homenagem bonita e que quem gosta das obras musicais como um todo pode apreciar e curtir.

Gostei de ver que CD do Erasmo ganhou. Apesar da “fama de mau”, temos que admitir que o Tremendão sempre foi muito romântico na sua visão do sexo – quando paramos para reparar, ele nunca fala de sexo-sexo, fala de “sexo-com-amor” e dizem que daí veio a ideia do coração e das impressões digitais representam duas identidades que se encontram”.  E, brincadeiras à parte (ele e Arnaldo Antunes fizeram com Kamasutra uma música que lista os nomes das posições do famoso livro e garantem que os nomes são curiosos, mas o resto é de conhecimento geral), ele trata do assunto com a seriedade com que nós todos deveríamos encarar.

“Sexo é uma coisa linda e importante como o ar que a gente respira. E, no entanto, é mal tratado nas escolas, nos lares. Os filhos não podem perguntar sobre o assunto aos pais, como se sexo não fosse uma coisa profunda como português ou matemática.”

Curioso pensar no cara e imaginar família, não é mesmo? Mas é assim mesmo e, vamos combinar, para se manter bem por tanto tempo, um artista precisa de uma base de apoio daquelas invejáveis, né? Qual pode ser mais forte e confiável do que a família?

E a fama de mau, perguntam alguns. Ele responde com a clareza que vejo nas letras das suas músicas:

“Isso de fama de mau vem da minha atitude na música, do meu porte físico, da minha cara. Tudo acaba levando para esse lado. Mas eu posso ser bom também. E esse íntimo eu mostro bastante, mas ninguém olha muito para ele.”

Justamente quando, em pleno 2011, o novo CD do Tremendão é considerado a “melhor capa”, a gente fica com a pulga atrás da orelha sobre a capa, os rótulos e os julgamentos que fazemos sobre as pessoas!

Para refletir, não é mesmo?

P.S. E para quem ficou curioso, tem promoção lá na fanpage do MudaRock que premia com o CD Sexo e a biografia “Minha fama de mau”. Corre porque acaba no dia 31/12. E veja aqui as capas eleitas pelos jurados.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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