Era Edo na Pinacoteca


Se você não sabe bem o que fazer no feriado, tenho uma sugestão: cerca de 160 peças inéditas no Brasil compõem o acervo da exposição “O Florescer das Cores: A Arte do período Edo” que abriu ao público no dia 17/04 (e fica até 22/06) na Pinacoteca de São Paulo e traz peças provenientes de mais de 15 museus japoneses. A curadoria é de Saito Takamasa, da Agência de Cultura do Japão. Os objetos expostos são, em sua maioria, produzidos ao longo do período Edo (1603- 1867), que tem como principal característica a dominação do xogunato Tokugawa (governo militar centralizado) e o isolamento quase completo do Japão em relação ao resto do mundo. É meu período favorito na história do país de meus avós, especialmente depois da leitura do livro Musashi (de Eiji Yoshikawa, ed. Estação Liberdade), que retrata o início do xogunato após a batalha de Sekigahara. Mas uma boa noção do final do período está no filme O último samurai. 😉

Serviço:

  • O Florescer das Cores: A Arte do período Edo
  • Pinacoteca do Estado de São Paulo
  • Praça da Luz, 2 – Luz – São Paulo
  • De 17 de abril a 22 de junho. De terça a domingo, das 10h às 18h
  • R$ 4 e R$ 2 (meia). Grátis aos sábados
  • Tel.: (11) 3324-1000 Site: www.pinacoteca.org.br

A mostra é dividida em quatro partes:

Os quimonos e os ornamentos do corpo: As vestimentas japonesas de corte plano são mostradas em vários modelos: “kosode” (literalmente, “mangas pequenas”), “furisode” (quimono de mangas longas) e “katabira” (quimono sem forro, feito de cânhamo). Em destaque, a tecelagem, tingimento e as ilustrações que, geralmente, remetem à natureza. Roupas do teatro kabuki (originário do período Edo e que são marcadas por cores fortes e brilhantes) e do teatro nô (que usa máscaras e vestuários luxuosos) e acessórios como pentes, presilhas e ornamentos confeccionados com diferentes materiais e técnicas artesanais completam essa parte da exposição.

A cerâmica japonesa: Diferentes cerâmicas do período Edo são apresentadas nessa seção. Há as peças coloridas por meio da técnica Sometsuke de Imari, ponto de partida da produção de porcelanas do Japão;peças de Kokutani, com design voltado para o mercado nacional; de Kakiemon, que influenciou a produção de porcelanas na Europa, entre outros. De outras épocas, destaque para as cerâmicas do período Jomon (iniciado há cerca de 12500 anos) ligadas ao cultivo de arroz. Nesse módulo, numerosas obras são consideradas “Importante Propriedade Cultural” do Japão.

O universo dos samurais:Duas armaduras completas e selas de montaria são o destaque do módulo dos samurais, que mostra as transformações e os aperfeiçoamentos das vestimentas dos guerreiros do Japão feudal. Nessa seção também é possível apreciar duas espadas que nunca foram expostas na América Latina: uma confeccionada por Bungo-no Kuni Yukihira no século XIII, obra considerada “Importante Propriedade Cultural” do Japão, e outra confeccionada por Masatsume no século XII, considerada “Tesouro Nacional” do Japão.

Os artefatos de laca: Este núcleo traz uma coleção de pequenos objetos chamados inrô, usados para carregar remédios, acompanhados de netsuke (pequenos ornamentos colocados na corda do inrô, e que lhe serviam de contrapeso). A técnica Makie, que utiliza pó de ouro no processo de envernizamento, está presente em diversos objetos criados para o enxoval de noivas da elite social, como móveis para toaletes femininos, objetos de papelaria e artigos para incenso.

“O Florescer das Cores: A Arte do período Edo” é organizada pela Agência Cultural do Japão, com o apoio do Consulado Geral do Japão em São Paulo e da Fundação Japão.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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