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Carol Terra - Blogs corporativos Há uma semana li no Imezzo, blog sobre comunicação e jornalismo editado por Daniela Berttochi, sobre o lançamento do livro Blogs corporativos: modismo ou tendência. Na segunda-feira conversei com a autora, Carol Terra, sobre a pesquisa, a atuação que ela tem neste mercado e o lançamento do livro – que acontece hoje às 19h, na Fnac do Morumbi Shopping.
Carol, que edita o blog RPlavreando, é Relações Públicas e professora de Comunicação dirigida, Técnicas de comunicação, Planejamento de RP e Projetos experimentais na Universidade de Santo Amaro (UNISA) e na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e se prepara para defender a tese de doutorado sobre as mídias sociais e como elas afetam a comunicação organizacional (das empresas) e a mídia. É ainda da equipe de comunicação social do Mercado Livre, que tem um blog corporativo – que não é mantido por ela e sim pelo presidente da empresa, no padrão dos outros sete executivos que entrevistou para o livro.

Leia nosso papo virtual aqui:

As empresas estão preparadas para Gerenciar possíveis “crises” com as informações negativas e positivas chegando até o blog?
As empresas têm a oportunidade de serem transparentes com o blog, postando informações a respeito de problemas e também esclarecendo, oferecendo a sua posição sobre o tema. Além disso, é possível “colocar o dedo no pulso do mercado”, uma vez que com um blog corporativo, o executivo passa a ter contato com usuários/clientes/internautas/blogueiros/opinião pública virtual. O blog é uma via de mão dupla que põe a empresa na seara dos diálogos virtuais.E também apresenta uma alternativa de comunicação dos usuários com a empresa. Também oferece um canal adicional de comunicação e acaba por captar outros públicos de interesse para a empresa. Públicos esse que não se imaginava no mundo offline, como outros blogueiros e lideranças de opinião.

E esta transparência (que permite que os comentarios sejam postados, lidos, respondidos) é possível? Há esta disposição por parte dos empresários no Brasil?

É sim! basta que a empresa esteja disposta a “dar a cara a tapa”. É claro que os comentários dos internautas têm que passar por uma política. Veja um exemplo em http://mlonlinegeneration.wordpress.com/sobre.

Qual o perfil do empresário/empresa que investe em blogs corporativos?

De uns anos para cá, o empresariado vem acordando para a comunicação mais transparente e mais direta, é uma empresa mais participativa, mais disposta a ouvir o que dizem dela na web e fora dela e que tem vontade de melhorar, mas não adianta manter um blog e não atualizá-lo, não responder aos comentários, não dar atenção a quem entra nele. O blogueiro corporativo tem que agir como um blogueiro convencional da blogosfera e isso inclui visitas a outros blogs, respostas a todos os comentários (sem eles on ou offtopics), atualização constante dos assuntos, disposição para críticas.

Este é o perfil do blogueiro e o da empresa que investe nesta nova midia?

A empresa tem que ser participativa, aberta, disposta a trocar com o ambiente o qual está exposta, a empresa necessariamente tem que estar disposta a ouvir o que dizem dela e também a participar nos diálogos.Uma empresa super centralizadora, com cultura mais rígida e tradicional dificilmente aprovaria um blog como ferramenta de comunicação

E esta empresa está presente em que setores? De que tamanho ela é? Tem um perfil mais jovem?

A empresa pode ser de qualquer setor. Temos exemplos na construção civil, como a Tecnisa (que tem um blog), no segmento do agribusiness, como a Embrapa. A Microsoft, a GM, uma pequena empresa do interior de Ribeirão, como a DoceShop. É uma empresa atenta ao que acontece no mercado, em seu segmento e quer estar presente nestas conversas, uma empresa que quer ser referência em seu setor, ser porta-voz, ser ativa e não apenas absorver as mudanças, sem ajudar a ditá-las…

Esta empresa busca um publico jovem? Você diria que o blog não é mais um diario de adolescentes, já é visto como midia social?

Já é visto como mídia social, com toda a certeza, não se trata mais apenas do público jovem e de diários de adolescentes, já temos certo amadurecimento na ferramenta, já estamos falando de empresas que querem estar presentes on e offline, mas principalmente, de empresas que querem construir redes sociais de relacionamento na web. A internet proporcionou um salto em termos de comunicação que não tínhamos com a mídia tradicional: qualquer pessoa pode se expressar, não precisa mais dos meios de comunicação de massa para fazê-lo e isso inclui as empresas.

Estas empresas investem também em redes sociais?

Sim, investem em redes sociais, assim como investem em comunicação tradicional. Eu questionei as empresas pesquisadas sobre que ferramentas elas utilizavam para complementar o mix de comunicação e o resultado foi que todas elas investem em um mix bem completo de instrumentos de comunicação.

Como é este mix de instrumentos de comunicação?

Este mix é um conjunto de ferramentas de comunicação, por exemplo: além de ter o blog, a empresa investe em seu site na internet, em chat online para clientes, em fóruns de discussão online, em publicações impressas, em ações de relacionamento como eventos, etc…

Quem é o blogueiro que migra para um blog corporativo? Ou ele é um funcionário que se descobre blogueiro?

Na verdade, a empresa tem que selecionar alguém que tenha aptidão para ser blogueiro, que se dê bem com a internet, que redija bem, que entenda do negócio e do assunto do blog. Não precisa ser necessariamente um blogueiro anterior.

Mas está acontecendo esta troca? Blogueiros estão sendo contratados?

No nosso caso aqui [Carol trabalha na Comunicação do Mercado Livre], descobrimos na figura do presidente um excelente blogueiro. Lá fora, já vi uma empresa que tem uma chief executive blogger. Eu vejo isso como um nicho de mercado para os profissionais de comunicação que reúnem essas características.

Este nicho é só para comunicadores?

Veremos comunicadores e outras formações. Para você ter idéia, existe um engenheiro – Fábio Cipriani – que fala sobre bogs corporativos.

Você acompanhou a discussão de blogueiros e jornalistas no Campus Party?

Sim, só que mais no sentido de como profissionalizar o blog, ganhar dinheiro com ele. Acompanhei as discussões sobre como profissionalizar os blogs e ganhar dinheiro com eles. Achei fantástico! Tem gente que vive de blogar já! E que fez disso um meio de vida.

Neste universo, as coisas mudam muito rápido. Estes blogueiros estão dentro da realidade de mercado que você levantou para compor o livro?

Não… são outro nicho, são blogueiros individuais, não ligados a nenhuma corporação e cuja fonte de receita sai do blog.

Que tipo de funcionario da empresa tem blogado?

É um funcionário antenado às novas tecnologias, não necessariamente de alguma formação específica, porém, por percepção, tenho visto muitos comunicadores (em especial os jornalistas) nestas funções. No entanto, em minha pesquisa para o livro, foquei nos executivos como blogueiros – executivos presidentes, gerentes e diretores, não me ative à formação, apenas ao cargo gerencial. Eles estão muito presentes em empresas, mas não nos veículos de comunicação, porque as redações estão enxutas e os jornalistas precisam se encaixar em outras funções.

Os blogs corporativos, por atenderem a esta divulgação imediata que a internet traz, podem reduzir os comunicadores nas empresas ou reforçarão a importância do trablaho com comunicação?

Acredito que reforçarão a comunicação. Não importa se o comunicador vai estar dentro da organização ou se vai prestar esse serviço, o fato é que toda a empresa que quer ser transparente, NECESSITA de comunicação. É aí que entra o comunicador, não importa se CLT ou como consultor, assessor externo.

Como se relacionar com o leitor e tornar o blog corporativo algo mais pessoal e próximo do público?

Eu acredito que sendo informal e participando das conversações na blogosfera. Por exemplo: um executivo que quer tornar o blog corporativo da empresa mais acessado, mais lido e mais comentado tem que necessariamente, fazer a ronda em outros blogs afins, comentar neles, participar de discussões, fóruns, listas. Fazer o mesmo que um blogueiro comum tem que fazer para se tornar popular.

Como anda este tema nas faculdades de comunicação?

Ainda está engatinhando, para não dizer rastejando. Uma ou outra universidade incluiu a disciplina novas tecnologias em comunicação, muitas incorporaram o conteúdo em outras disciplinas como técnicas, comunicação comparada, comunicação dirigida.

Como você percebe interesse dos alunos nesta área?

Eles têm total familiaridade com as novas tecnologias. Em minhas disciplinas trabalho muito com as novas tecnologias, já pedi que fizessem podcasts, blogs, ferramentas colaborativas, virais e eles “piram”, adoram, porque faz parte do mundo deles.

E você como professora usa o blog para se comunicar com eles?
Pelo meu blog (RPlavreando) faço links com os deles, só corrijo os blogs que estão no ar e vale nota para um semestre. Os podcasts, faço-os postarem em seus blogs, com isso, eles desenvolvem habilidade para as novas tecnologias e vêem utilidade no que fazem.

Para finalizarmos,como você vê o futuro proximo nos blogs corporativos do Brasil?

Eu vejo como uma possibilidade de emprego/de trabalho/de atividade, como uma oportunidade de transparência para as empresas e como uma oportunidade de diálogo na blogosfera.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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