Entendendo a Espanha de Franco através de séries na Netflix

Graças a séries como Ministério del tiempo, Tempo entre costuras e Merlí, eu leio uma notícia dessas e “sinto” o significado. Antes eu só (achava que) entendia.

O Ministério de Defesa da Espanha deu os primeiros passos para que os documentos militares da Guerra Civil (1936-39) e da ditadura franquista, considerados sigilosos até agora, sejam postos ao alcance de estudiosos, pesquisadores e do público em geral. A Comissão Qualificadora de Documentos da Defesa aprovou no último dia 4 um relatório, ao qual o EL PAÍS teve acesso, que recomenda à ministra Margarida Robles que “autorize em caráter geral a consulta pública da documentação anterior a 1968” presente no Arquivo Geral Militar de Ávila (centro-norte do país).

A comissão do Ministério de Defesa encarregada da qualificação de documentos, presidida pelo secretário-geral técnico do departamento, pediu a abertura ao público de um imenso acervo documental, até agora difícil ou impossível de ser consultado, por levar carimbos de reserva ou confidencialidade. Esses papéis abrangem fatos da Guerra Civil (partes de operações, mobilização de unidades), a repressão franquista (campos de concentração, batalhões de trabalho), o pós-guerra (fortificação dos Pirineus, Marrocos) e os boletins da seção de inteligência do Estado-Maior Central.

Os documentos em questão cobrem um período que vai do golpe de Estado de 1936 até 1968, quando entrou em vigor a ainda vigente lei de Segredos Oficiais. Eles ficam guardados no Arquivo Geral Militar de Ávila, centro de referência para o estudo da Guerra Civil junto com o de Salamanca.

A pesquisa do Bruno é impactante em Merlí! Quando vi o capítulo, parte da segunda temporada da série catalã, me lembrou uma visita à Casa Rosada (dois dias antes das celebrações dos 30 anos da volta da democracia na Argentina) em que a guia explicava que só exibiam os bustos dos presidentes eleitos democraticamente.

E por aqui, ainda temos os nomes dos militares do golpe de 64 em todo lugar!

Quer dizer, em alguns lugares, já temos novos nomes. Um exemplo é o Elevado Presidente João Goulart, nomeado anteriormente Elevado Presidente Costa e Silva.

Desde antes de as obras começarem, o nome do elevado tinha sido anunciado pelo prefeito da época, responsável pela obra, como Elevado Presidente Costa e Silva, em homenagem a um dos generais-presidentes do Brasil no período da ditadura militar, que fora, também, o responsável pela indicação do prefeito para seu cargo.

Popularmente conhecido como Minhocão, é uma via expressa elevada da cidade de São Paulo, Brasil, que liga a região da Praça Roosevelt, no centro da cidade, ao Largo Padre Péricles, na Barra Funda.

Muita gente critica quando um candidato se diz fã de um torturador, outros enaltecem os terroristas que lutavam contra o sistema – de minha parte, sou contra apoiar qualquer atitude contra lei, não importa a cor da bandeira ou a sigla do partido que o faça – mas poucos levantam a voz para apagar dos destaques das nossas cidades os nomes dos criminosos.

Aqui em São Paulo, alguns se movimentam, por exemplo, contra os bandeirantes, que matavam indígenas, mas poucos reagem aos nomes dos familiares de um conhecido político condenado que estão em complexos viários pela cidade.

E agora, vamos as séries, pois se deixar por mim, acabo entrando na política e este tema é muito controverso, em especial neste ano de 2018.

A última série espanhola (pode chamar catalão de espanhol sem ofender?) que vi citar o franquismo foi Merlí. Mas eu aprendi mesmo sobre a Guerra Civil Espanhola com Tempo entre costuras e outras “novelas” (como Gran Hotel) por isso fica a dica de olharem o catálogo da Netflix ou da Net, o que tiverem disponível. Sobre o Franquismo, em especial, aprendi muito com Ministério del Tiempo.

 

A mais incrível é Merlí, sem dúvida.

Produzida pela TV3 e popularizada na Netflix, a série acontece num universo incrível para nossos tempos: aulas Filosofia numa escola pública.

 

No entanto, tem um segredo aí: um professor de filosofia que, usando alguns métodos pouco ortodoxos, incentiva seus alunos a pensar livremente – dividindo as opiniões de alunos, professores e famílias.

Quem quer pensadores, né? Mas como diria Merlí, “se as coisas são de um jeito, não significam que não podem mudar”.

😉

Na época em que aqui no Brasil se discutia a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o documento que vai nortear o que será ensinado no ensino médio, o criador da série Héctor Lozano, concedeu uma entrevista comentando a situação e defendendo a filosofia como um elemento essencial na escola.

“A política tende a discriminar a filosofia e isso é uma pena. É a filosofia que vai formar cidadãos maduros, com critério, capacidade de questionar.”

E eis porque eu trago hoje esta mistura de temas, arquivos secretos da ditadura, postura diante de governos não democráticos e adolescentes.

De todas, para ver com adolescentes, eu indico Merlí como necessária. Até – e sobretudo – para famílias cristãs, como a minha, porque traz modelos, questionamentos e oportunidades de ver o mundo e conversar sobre ele.

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Uma publicação compartilhada por A Vida Quer (@avidaquer) em

 

E sobre o Franquismo…

A Guerra Civil Espanhola deixou mais ou menos 1 milhão de mortos. De certa forma, ela serviu de demonstração do poder bélico que a Itália e a Alemanha vinham armazenando para a Segunda Guerra Mundial.
Terminada a Guerra Civil Espanhola com a vitória dos autodenominados nacionalistas ou Movimiento Nacional, Francisco Franco passou a ser o Chefe do Estado.
O franquismo é um termo usado para designar o período histórico e a ideologia, de caráter autoritário, em que se baseava a ditadura de Franco, instaurada na Espanha após a Guerra Civil (1936 – 1939) e o fim da Segunda República.
O regime franquista ainda sobreviveu à morte do ditador Francisco Franco (falecido em 20 de novembro de 1975), até a autodissolução das Cortes franquistas em 1977, em consequência da aprovação da Lei para a Reforma Política em referendo realizado a 15 de dezembro de 1976.

 

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook