Ensinar a pescar…

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Iniciei minha carreira jornalística atuando como “repórter-faz-tudo” na Folha Popular, jornal mantido por pouco mas de um ano pela ONG de movimentos sociais Cefuria em Curitiba. Foi exatamente no auge do programa Comunidade Solidária de Betinho (que virou Fome Zero e hoje faz parte do Bolsa Família, fundado em 2003) e eu via diariamente, na realidade da periferia da Grande Curitiba, a diferença que programas sociais como aquele faria para a população carente.

No entanto, 18 anos depois, o que vejo é uma relação simbiótica e doentia entre os beneficiados e o governo, uma experiência que reduziu a miséria material, mas não trouxe o crescimento desejado, tampouco favorece a independência das famílias envolvidas nos programas.

Uma das cidades que simbolizam as políticas públicas de renda, Guaribas, no interior do Piauí, foi visitada por uma equipe de reportagem.

Passados dez anos, as melhorias para os 4.401 habitantes são notáveis: ganhou água encanada, agências bancárias, uma unidade básica de saúde, mais escolas e ruas calçadas. Os índices de mortalidade infantil e de analfabetismo caíram, o grau de aproveitamento escolar subiu e a fome praticamente desapareceu.
Mas a dependência do cartão de benefícios só aumentou.
A cidade tem 956 famílias pobres vinculadas ao Bolsa Família – o que representa 87% do total da população. O maior temor dos moradores é o fim do programa:
“Ave Maria, nem pense numa coisa dessas. A gente ia viver de quê? Todo mundo ia morrer de fome”, disse uma moradora.

Impossível não lembrar do conceito de “ensinar a pescar e não somente dar peixe para matar a fome“. A miséria deve ser encarada e tratada como uma questão social sim, mas os programas devem incluir conceitos de Empreendedorismo Social e criar alternativas de geração de renda, caso contrário teremos somente dependentes do Estado, cidadãos cativos dos programas, afeitos apenas à manutenção do que já existe, bons apenas para quem deseja manter currais eleitorais cheios de eleitores amansados pra falta de perspectiva.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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