a vida quer

Uma ex-colega da faculdade de comunicação teve gêmeas. Alguns dias após o nascimento das meninas, ela me manda a seguinte frase via messenger:”hora de mamar, hora de trocar, hora de levar na escola… ufa!” Lembrei imediatamente da minha experiência com esta fase. Que loucura e que cansaço!

Quando soubemos da gravidez do Giorgio, hoje com quatro anos, o Enzo tinha um ano e nove meses e ainda mamava no peito. Foi uma loucura, deixou tudo de cabeça para baixo, como, aliás, noto que acontece muitas vezes com os segundos bebês das famílias.

Porque mesmo que eles sejam programados, como foram no caso da minha ex-colega (eles já tinham um, queriam o segundo), pode acontecer um imprevisto. No nosso caso sempre quisemos mais de um filho, era um assunto que nem discutíamos porque era “ponto pacífico”. Mas aumentar a família é algo que a gente precisa pensar bem antes de colocar em prática. Na teoria, antes que tenhamos filhos, é um cenário. Na prática, ter uma criancinha inserida na rotina diária do casal, é outro.

Mas tudo bem. Vencemos o desafio de sermos três, acostumamos a praticamente nunca mais ficar sós e mesmo quando estávamos sós, sentir a presença do terceiro o tempo todo. E foi natural passar a colocar toda força vital na felicidade e bem-estar daquele serzinho. E, de repente, vem o outro, que será o quarto.

Na minha cabeça passaram mil coisas quando eu engravidei do Gio. Não queria em hipótese alguma que o bebê sentisse que estava dividida, que a nova gravidez protelaria meus planos de retomada profissional, que eu não sabia onde e como ia colocá-lo no apartamento, que eu já tinha dado todos os objetos de bebê porque não planejava outro para “tão cedo”. Mas principalmente eu não queria que o Enzo sentisse que a vinda do irmão mudaria meu amor e meu tempo para ele, queria minimizar as experiências de perda que, no caso dele começaram já por literalmente “perder o peito”. (Para me ajudar, ele demorou dois anos depois disto para voltar a tomar leite)

Não vou dizer que foi super pesado emocionalmente, porque não foi. O amor pelo Giorgio foi surgindo, meus receios foram diminuindo ao mesmo tempo em que o cansaço físico aumentava. Ao contrário da primeira gestação, precisei parar de verdade, o bebê encaixou e quase nasceu com 30 semanas, descansei forçada por oito semanas e meia para segurar o apressadinho. Confesso que até o parto eu ainda pensava, temerosa, se ele seria tão bonitinho quanto o Enzo, tão inteligente, se eu conseguiria amar de modo tão incondicional outra pessoa, enfim, se seria a mesma coisa.

Não foi. Foi melhor. Olhei para aquela carinha magrinha de bebê levemente prematuro e falei o que vinha no coração, com uma intensidade que na primeira vez eu não tinha sentido: “meu filho, vem para perto da mamãe”. Assim, simples, o amor surgiu imenso e nos uniu de forma indelével até hoje, uma ligação que ele compartilha com o irmão. Não posso imaginar a vida do Enzo sem o Giorgio. Nem a minha. E encho a boca para falar “Meus Filhos”, sim, eu tenho dois!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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