empreendedorismo / social good

“Promover a diversidade significa construir relações de qualidade com pessoas diferentes, sem discriminação, compreendendo as suas diferenças e promovendo a inclusão.”

Quem me segue no Twitter percebeu que há alguns dias eu estive no Itaú para conhecer o programa de diversidade e inclusão social deles. Já ouvira falar de algumas ações ligadas à Fundação Itaú e vi na chance de ir lá conhecer e conversar de perto com quem gerencia a área uma chance impar de confirmar os bons rumores a respeito de sua postura quanto à inclusão.

Na ocasião, além de encontrar e sabatinar parte da equipe do programa “Diversidades”, pude conhecer alguns dos profissionais contratados por meio dos projetos que visam incluir portadores de necessidades especiais: um cadeirante e uma moça com paralisia (Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência), um negro (Estágio para Negros) e uma estudante de ensino público (Programa Aprendiz). Fica chato listar assim mas foi como eles se apresentaram e como eles se sentem orgulhosos de terem sido descobertos pelo Itaú.

E como este “encontro” acontece?

Em 1991, a Lei de nº 8.213 determinou que empresas, com mais de 100 funcionários, deveriam destinar 2% de suas vagas aos portadores de necessidades especiais (PNE). No entanto, mais do que cumprir o que determina a Legislação, as organizações viram-se diante de uma incógnita: como e onde recrutar esses profissionais? Foi para encontrar a resposta deste questionamento que o Itaú instituiu, em 1999, o Programa Diversidades.

Mas nem tudo são flores. Embora o Itaú tenha projetos que buscam no mercado inclusivo os talentos que pode incorporar ao seu staff, a realidade é que muitas empresas estão encontrando dificuldade para cumprir a lei que estabelece cotas de ocupação de vagas para portadores de deficiência, como mostrou há alguns dias a reportagem de TV que insiro no vídeo abaixo:

E como o Programa Diversidades encontra os talentos? Há parcerias com a sociedade civil de onde surgem potenciais e atendem ao Programa (permanente) de Inclusão de Pessoas com Deficiência, Programa Aprendiz e Estágio para Negros.

Cada um tem seu foco:

  • Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência: visa inclusão social e econômica com igualdade de oportunidades, respeito e autonomia através da sensibilização de gestores e equipes na política de valorização da Diversidade e fortalecimento da cultura. Extensivo a todas as áreas e atividades da organização, prevê contratação como extra-quadro no primeiro ano se houver compatibilidade entre perfil do candidato com as características da vaga
  • Programa Aprendiz: possibilita vivência profissional ao jovem, contribuindo para seu desenvolvimento. Eles admitem que também fortalece a imagem da organização no contexto da responsabilidade social, além de cumprir a legislação de forma adequada às peculiaridades do setor bancário. São requisitos cursando ou ter finalizado o ensino médio preferencialmente em colégios da rede pública com idades entre 14 a 24 anos.
  • Estágio para Negros: em parceria com ONG Espro – responsável pelo recrutamento, seleção, treinamento e acompanhamento dos jovens – o programa dura dois anos com jornada de 6h/dia e se propõe a contribuir para o desenvolvimento da cidadania e capacitação profissional de jovens negros, além de prepará-los para assumir diferentes funções nas áreas de negócios.

Conheci um estagiário da parceria estendida para Educafro e universidades cotistas ou aderentes ao ProUni Duração e, mesmo muito questionado por mim sobre o preconceito que envolvida a ideia (estágio para negros é uma ideia segregacionista) ele afirmava que o foco é “descobrir talentos” e não tentar “fazer caridade”. Gostei de saber do investimento em formação que faz parte do 1º ano do programa com curso de extensão universitária ministrado pelo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada (CPDEC ) da UNICAMP e os treinamentos internos para Reconhecimento do mercado e segmento; Pioneirismo e prática de ações afirmativas; Respeito e interesse da Comunidade Negra; Reconhecimento de Órgãos Públicos.

Enfim, me pareceu que a assertividade vem de três princípios: justa competitividade diante das diferenças, heterogeneidade dentro da organização e implantação de políticas e projetos de valorização e promoção da diversidade.

Se parte do problema para cumprir as cotas é a falta de qualificação dessa mão de obra, a solução é buscar os talentos e treinar mesmo. No entanto, para o futuro, vale lembrar:  “Se toda pessoa deficiente tivesse acesso á escola como deveria ter essa pessoa, quando chegar à idade adulta, já estaria pronta pro mercado de trabalho”.

A lei de cotas para deficientes existe há 19 anos e os avanços são visíveis, mas sem gente qualificada, as empresas levam multas ou contratam sem preocupação com carreira ou qualidade. Só para cumprir a lei. Toda sociedade sai ganhando com pessoas que estejam bem qualificadas pra que elas de fato se tornem profissionais. Elas passam a ser cidadãos, de fato, dentro de uma sociedade efetivamente inclusiva.

P.S. Nesta quarta entrou em vigor, após 10 anos de discussão, o Estatuto da Igualdade Racial, que tem o objetivo de combater a discriminação e garantir a igualdade de oportunidades e de direitos a todos os cidadãos brasileiros, independentemente de raça, etnia ou cor da pele. O projeto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República prevê a adoção de ações afirmativas pelo governo, garante o livre exercício das religiões e cultos de origem africana, reconhece a capoeira como esporte nacional, inclui no currículo escolar os estudos sobre a África e pune com até cinco anos de prisão quem praticar o racismo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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