Empresas para uma nova sociedade #gife2014 (por @AnaMariaCoelho)

caio magri ethos no gife empresas para uma nova sociedade

Com o avanço da RSE e a necessidade de as empresas se tornarem corresponsáveis pelo desenvolvimento das comunidades em que estão inseridas, discutir seu papel para a construção de uma nova sociedade parece “chover no molhado”, mas a efetiva compreensão dessa temática é que torna o assunto tão desafiante.

Afinal, quem ousa afirmar o que é essa nova sociedade? Há um espaço extremamente fluido e aberto para compreender o que entendemos por uma sociedade democrática, capaz de gerar participação, controle e direitos sociais igualitários, que seja justa e sem pobreza, e que promova a ética nas relações entre seres humanos e com a natureza. Nesse contexto, seria possível o setor produtivo ser proativo e apoiar transformações em seu próprio sistema? E quais seriam as características das novas empresas para essa nova sociedade?

Caio Magri, do Instituto Ethos mediou o debate que envolveu Maria Emilia Correa, do Sistema B; Sonia Favaretto, do Instituto BM&FBOVESPA e Clemente Ganz do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Entre convergências e divergências de pensar, é consenso pensar que vivemos um momento crítico com zonas de risco agudas sejam ambientais, sociais ou éticas. Precisamos incentivar ações coletivas capazes de influir políticas públicas de qualidade que melhorem tanto o ambiente empresarial quanto a consciência do consumidor. Não é possível que empresas continuem nascendo sobre os mesmos modelos do século XIX. Precisamos pensar o modelo de negócios adequado ao século XXI aprofundando a capacidade de inovar, transformar e empreender dos negócios brasileiros. Seria um sonho pensar em organizações de fins privados cujos objetivos sejam fins públicos, no sentido de coletivos?

Sinceramente, não sei. Mas como diz o ditado: “sonhar não custa nada”! Por que não aproveitar o dia de hoje para imaginar um mundo onde a acumulação e a propriedade privada sobre o capital se pactue como interesse publico? Onde o lucro alcance o mesmo nível de importância que os resultados sociais gerados pelos negócios? Nesse debate, o lucro passa a ser uma ferramenta para lograr o propósito das empresas. E confesso que gosto muito dessa visão de empresas com propósito! Seja qual for o porte de uma empresa, é possível que ela coloque em sua agenda o bem estar coletivo e algumas dimensões sociais. Os limites entre os setores público e privado estão cada vez mais porosos. Precisamos eliminar barreiras, construir pontes, acabar com os preconceitos e criar novos modelos. O próprio conceito de investimento social privado discutido no 8º Congresso GIFE pode apoiar as empresas na transformação das realidades sociais, seja num modelo tradicional (alinhando suas escolhas ao “core business”) ou num modelo ousado e disruptivo (apoiando inovações e negócios completamente novos).

A hora é agora! Devemos apoiar um novo lucro – um lucro que contemple melhorias nos processos de gestão de pessoas, em branding, nas relações com fornecedores… em propósito! Porque se não nos prepararmos, a transformação se dará de qualquer forma.

“A transformação irá acontecer; ou ela se dá pelo amor (um desejo dos acionistas, vocação e missão da empresa), ou ela se dá pela dor (a perda de ações por trabalho escravo ou desastre ambiental), ou por inteligência (a percepção de que uma agenda social, de pesquisa e desenvolvimento e inovação é um diferencial competitivo)”, disse Sonia Favaretto da BM&FBOVESPA.

E vale lembrar que, como consumidores, não estamos afastados de todos os dilemas e contradições deste momento crítico para as empresas. Consumidores, acionistas, mães, amigas, vizinhos… Somos todos seres complexos exercendo diversos papéis. O trabalho de construção de uma nova sociedade é conjunto: empresas, poder público e sociedade civil. Apenas juntos poderemos efetivamente fazer o bem!

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Ana Maria Coelho (@anamariacoelho) é coach, consultora em planejamento e gestão de pessoas e professora universitária nas áreas de Recursos Humanos, Liderança, Empreendedorismo, Desenvolvimento Regional e Economia Criativa. É autora do blog Lounge Empreendedor e co-autora do livro “Empreendedorismo Inovador” lançado pela editora Évora em 2012. Desde então, realiza mentoria para startups.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.