Educativo, bonito e sustentável é o “brincar desestruturado”

Para quem estava curioso com a casa na árvore da casa do vô ;-) #curitiba
"Foto da Casa na árvore que o vovô fez para #aos8 #aos11 e suas primas de Curitiba"

“Brinquedos entram na moda ‘ecofriendly’ e já usam até energia solar”, dizia a chamada de um artigo de Valéria França outro dia sobre uma nova onda no consumo, a de brinquedos educativos que ensinam sustentabilidade.  Segundo a jornalista, dentre as novidades está “uma casa de bonecas cheia de engenhocas que desperta interesse até de meninos. No telhado, ela tem placas de energia solar, que funcionam de verdade – carregam baterias e acendem lâmpadas. A construção ainda apresenta em menor escala conceitos modernos de moradia, como reaproveitamento de água, lixeiras recicláveis, plantação com energia eólica, e por fim, uma estufa.”

Confesso que tenho minhas críticas a esta mania de brinquedos educativos (e à moda sustentável também) porque vejo muita gente simplesmente redirecionando seu consumismo para estas marcas sem, de fato, rever o consumo exagerado que é a grande questão sustentável na realidade atual.

Para mim, sustentável é deixar a criança brincar, livremente, sem imposição de brinquedos e orientação de brincadeiras por parte dos adultos ao seu redor. É mais sustentável a brincadeira de casinha usando as cadeiras da mesa de refeições com um cobertor como telhado do que estimular o consumo para ensinar a ser um adulto “legal”.

Há alguns dias estivemos em Curitiba e meus filhotes puderam conhecer a casa na árvore que o avô (meu sogro) fez para os netos brincarem no quintal. Sonho de toda criança, a simples menção da casa na árvore, que fiz no meu Instagram dias antes, deixou muito adulto sonhando com uma situação assim.

Creio que, já que não somos mais como Cebolinha e Cascão a fazer casas e carrinhos com madeira usada que reaproveitamos por aí, criar um universo artificial de brinquedos educativos ecológicos não é o caminho mais sustentável. Eu adotaria (na verdade eu adoto, em paralelo à “corda” que damos na inserção dos meninos no universo geek dos tablets e afins) uma postura de incentivo da criatividade genuinamente infantil, do brincar que inventa e faz sem exigir muito, da fantasia que transforma caixas em brinquedos sem precisar de muita estrutura (e tinta, adesivo, comercialização) e que funciona há milênios com as cores que a imaginação nos dá, de graça, esta sim, muito sustentável e imensamente mais feliz.

O que vocês acham?

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Fico feliz por contar que este post inspirou a @deniserangel a fazer um outro texto e contar de muitos brinquedos e brincadeiras dela, da filha e da neta. Adorei Denise!
🙂
Como eu comentei lá, fiquei com vontade de brincar de tudo. E felizmente, muitas vezes quando vou buscar meus filhos na escola, eu pulo um pouco de amarelinha com as meninas do pátio, que me fazem companhia enquanto espero os mocinhos brincarem com alguma “bola de papel” (não é mais de meia) ou algo do gênero.
Os meus meninos brincam muito solto, criam muitos brinquedos (em especial com LEGO, este sim um brinquedo bom porque hiper durável e uber mutante) com caixas de sobras e mil outras coisas, mas também porque muitas vezes precisam só de imaginação para inventarem histórias e se transportarem para o mundo da magia.
Acho que, tanto para crianças quanto para pais, falta muito esta liberdade de inventar, de imaginar, de sonhar sem precisar de objetos que materializem o que se sonha.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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