Educação pré-natal gera resultados até o Ensino Médio

Imaginem isso:

“Um censo pré-natal é aplicado anualmente à população. Os pais, antes mesmo de terem dado à luz, se reúnem nas comunidades, com governos locais, para pensar a educação dos filhos nos próximos anos e projetam como serão as classes em 12 ou 13 anos. A prática é reconhecida como “educação pré-natal”.”

Não é utopia, é realidade, no estado americano do Havaí, somente uma das iniciativas semelhantes que, ao investir na educaçao infantil, conseguiram muitos benefícios no Ensino Médio.

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Aqui no Brasil engatinhamos numa política educacional que inclua as crianças pequenas.

Breve viverei novamente o dilema da escolha do espaço no qual minha filha pequena passará o dia e penso no quanto eu ter tido a chance de escolher quando os outros filhos eram bebês – trabalhava em casa e o berçário foi uma opção, não uma condição do nosso ritmo de vida – fez bem para toda família. Mas esta não é exatamente a realidade da maioria, pelo contrário, faltam unidades educacionais para os pecorruchos e os pais adotam espaços de recreação infantil que muitas vezes mal passam da categoria “depósito” de crianças para poderem voltar a trabalho.

Em julho de 2012 conheci, num workshop de preparação da campanha colaborativa “É da nossa conta! Trabalho infantil e adolescente“, a equipe que trabalhou para que o Brasil pudesse encaixar as creches no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), ouvindo seus argumentos e pensando muito sobre suas motivações. Infelizmente os recursos da União e sua capacidade de atuação na primeira infância são pífios e a municipalização deixou ainda mais confuso e corrupto os repasses de verba. Como aqui não temos hábito de ir aos encontros públicos para defender nossas prioridades locais e com isso obrigar o Estado a nos atender, acabamos condenados à busca por uma escolinha “menos pior” ou por um trabalho que nos permita pagar uma boa unidade de educaçao infantil. Outras famílias consideram que esta fase é menos importante em termos pedagógicos e e opta por economizar para investir na educação das crianças a partir do Ensino Fundamental 2 ou do Médio.

Mas será suficiente?

Não farão falta este anos iniciais de estimulo à leitura, ao raciocínio lógico dedutivo, à busca de soluções criativas para os questionamentos infantis, à formação do caráter e da postura cidadã?

Como escreveu o articulista que trouxe as informações havaianas que citei acima, Alexandre Le Voci Sayad, autor do livro “Idade mídia: a comunicação reinventada na escola“, “nesse ritmo, não haverá ensino médio capaz de acelerar nossos índices de escolarização e desenvolvimento.”

No texto há também outros exemplos que podem servir de parâmetro inicial para quem deseja começar a articular mudanças por aqui. No Canadá o investimento na formação dos profissionais que atuam na educação dos bem pequenos é o mais dispendioso dentre todas as carreiras daquele país, seguindo um critério de que crianças bem desenvolvidas ajudam futuramente no aprendizado de toda a classe. Uma classe com alunos bem formados acelera e sofistica o aprendizado, alavancando assim as marcas nacionais do próprio ensino médio.

[Isso me lembra que nesta semana meu filho, que hoje frequenta o sétimo ano do Fundamental 2, faltou dois dias de aulas por conta da nossa viagem e voltou contando que alguns professores falaram: “não sabia que você fazia tanta falta na aula!”. Um elogio e tanto, né?]

E é também do Canadá, mais precisamente da província de British Colombia, que vem a outra dica do texto, destacando um indicador criado para avaliar como anda o desenvolvimento cognitivo das crianças e projetar políticas públicas futuras. O Early Development Instrument é um questionário elaborado por universidades, aplicado somente a profissionais que atuam com as crianças e que permite que deixe de ser uma questão escolar e alcance a comunidade, família e também escola.

Pode-se dizer que a ONG Early Year Institute (EYI), no estado americano de Nova York, atua numa linha semelhante e é reconhecida internacionalmente por estimular brincadeiras, atividades e outras práticas em comunidades, bem como a troca de experiências.

Aqui no Brasil, acompanho trabalhos como o da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigall (FMCSV), fundação familiar criada em 1965 e que atualmente tem como principal foco de atuação o investimento na área de Desenvolvimento Infantil, com especial interesse na disseminação de conhecimentos. Já falamos do trabalho deles aqui.

[O @avidaquer já foi o blog embaixador do conceito do Brincar Desestruturado e tem dezenas de posts sobre o tema aqui]

Vamos mapear juntos projetos que relacionem brincar e educação infantil de qualidade no Brasil?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.