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 Acabo de fazer download gratuito do livro Economia brasileira no período 1987-2013 – Relatos e interpretações da análise de conjuntura no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Quem tem a sorte de estar no Rio e conseguiu organizar a agenda pode também estar presente no debate que trata da história econômica recente do país com temas como inflação, plano real, produção industrial, ajuste fiscal, pobreza e PIB. Organizado pelo IPEA na tarde desta terça-feira, 17/11, o debate reune o organizador da obra Fernando José da S. P. Ribeiro e os autores Estêvão Kopschitz Xavier Bastos, Maria Andréia Parente Lameiras, Leonardo Mello de Carvalho e Paulo Mansur Levy, apresentando e discutindo, em ordem cronológica, os principais fatos econômicos, a evolução dos indicadores e as principais medidas de política econômica adotadas, guiando os leitores na montagem de um quadro bastante nítido do comportamento da política econômica em cada período.

  
Está se perguntando porque valeria a pena baixar um livro de um instituto governamental? Como disse o presidente do Ipea, Jessé Souza, as publicações poderiam ser excelente fonte para o estudo da história econômica brasileira recente porque guardam as análises de especialistas desenvolvidas à época dos acontecimentos marcantes da nossa economia no período. Muitas vezes, quando queremos compreender um momento histórico, falta-nos a percepção dos fatos que levaram àquela ou essa escolha, das circunstâncias que fizeram a situação.

Quer um exemplo?

Nesta semana ainda estamos vivendo o impacto das tragédias em Mariana e Paris. Quem sabe um mínimo de história moderna e contemporânea (das colônias francesas na África e Ásia ao modelo extrativista do colonialismo brasileiro em Minas Gerais) entendeu. Quem não sabe, concentrou-se na discussão do radicalismo religioso.

E há muitos motivos para nos debruçarmos na economia brasileira, pois vivemos um período recente de “grandes emoções” neste campo e ainda há pouco registro histórico formal sobre o tema.

  
O envolvimento do Ipea com a análise da conjuntura econômica data do final da década de 1970, quando técnicos do Instituto ficaram responsáveis por organizar reuniões regulares para debater o desempenho de curto prazo da economia. Era um trabalho pioneiro no Brasil à época, que envolvia pessoas da alta hierarquia do governo – os então ministérios do Planejamento e da Fazenda, o Banco Central do Brasil, entre outras. Além de grande repositório de conhecimento teórico e aplicado sobre a economia, o já Ipea tinha desenvolvido valiosa reputação de senso crítico quanto aos rumos da política econômica – qualidade essencial a uma boa análise de conjuntura. Desde então, o Ipea passou a ter um grupo permanente de pesquisadores no Rio de Janeiro − com frequência, contando com valiosa contribuição de técnicos do Instituto lotados em Brasília − reunidos no Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Instituto de Pesquisa (Inpes) do Ipea. Ainda que com mudanças posteriores na denominação do grupo – Grupo de Análise e Previsões (GAP), em 2007, e Grupo de Estudos de Conjuntura (Gecon), a partir de 2012 – e com a natural rotatividade de seus membros e coordenadores, é um grupo dos mais longevos da história do instituto.

“Não deixava de ser curioso que esta tarefa recaísse sobre um órgão cuja função primordial era pensar o longo prazo, produzindo estudos de fôlego e com rigor acadêmico que ajudassem a entender melhor os desafios da economia brasileira e fornecessem subsídios para o planejamento econômico e o desenho de políticas públicas”, afirmou o atual coordenador do Grupo de Estudos de Conjuntura (Gecon) do Ipea e organizador do livro, Fernando Ribeiro.

Mestre em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1995) e graduado em Economia pela mesma universidade, Fernando Ribeiro foi economista-chefe da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e é professor licenciado da PUC-RJ. Lembro dele por conta de “Brasil globalizado: o Brasil em um mundo surpreendente“.

 

 

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com outras seis instituições, também divulgou um Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) para os mais de 5 mil municípios brasileiros. Vale a leitura!


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