E se eu quiser uma vida medíocre?

Tudo começou num update meu nesta manhã recomendando um texto que trazia o que para mim tem sido a pegunta do ano:

E se eu quiser apenas uma vida simples, calma e “pequena”… Uma vida simples, tranquila, bonita e gentil?

 

Amigas comentaram o texto, compartilharam e eu resolvi traduzir livremente o que li:

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O mundo é um lugar tão barulhento. Vozes altas me dizendo para me apressar, para melhorar, construir, lutar, ansiar, adquirir, competir e conseguir mais. Para o que é maior e melhor.

[Tudo ao meu redor me diz:]

– Sacrifique o sono para produtividade.

– Esforce-se pela excelência.

– Seja grande ou volte para casa.

– Crie um impacto enorme no mundo.

– Faça sua vida ter significado.

Mas e se eu simplesmente não tiver isso em mim? E se todo o esforço pela excelência me deixar triste, desgastado, esgotado? [Significa que] Eu simplesmente não sou o suficiente?

E se eu nunca chegar a ser alguma coisa quando eu crescer, [se não for nada além de] mãe e irmã e esposa? Mas essas pessoas no meu círculo primário de impacto sabem que são amadas e eu iria escolhê-los novamente, dada a escolha. Isso pode ser suficiente?

E se eu nunca construir um orfanato na África, mas mandar mantimentos para as pessoas aqui e ali e for madrinha de um casal de crianças através de uma ONG? E se eu apenas oferecer os pequenos presentes que tenho para o mundo e esperar que isso seja suficiente?

E se eu não quiser escrever um livro de receitas ou construir um negócio de seis dígitos ou palestrar para multidões?

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[Eu compartilho] porque tenho algo a dizer [porque quero] investir em uma pequena comunidade de mulheres que me importam e incentivá-los a amar e cuidar de si mesmas bem.

E se eu aceitar este corpo medíocre que não é nem grande nem pequeno? [E se eu admitir que eu não tenho nenhum desejo de ter a musculatura super firme ou apenas 18% de gordura corporal.] E eu disser que estou de bem com meu corpo e que decido que quando eu deitar no meu leito de morte nunca me arrependerei de ter sido eu.

E se eu sou uma dona de casa medíocre que raramente faz faxina e na maior parte do tempo só mantém a ordem, que faço comida real, mas às vezes compro pizza e fico horrorizada em momentos pela confusão absoluta em algumas áreas de casa? Que adoro planejar o menu e orçamento, mas depois quebro minhas próprias regras? Que não me importam a decoração e coisas extravagantes?

E se eu sou feliz no meu lar como é, que sorrio quando apago a luz da sala antes de dormir e vejo a “bagunça” das crianças?

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E se eu não nasci para o ritmo frenético desta sociedade?

E se eu precisar de toneladas de solidão e calma, uma abundância de descanso, e tempo sem programação para me sentir saudável?

E se eu for religioso demais para alguns e não for suficientemente espiritual para os outros? Não for evangelístico ou ousado o suficiente?

Isso terá que ser suficiente.

E se eu sou casada há décadas e amo meu marido mais hoje do que ontem, mas sem viver o romance de conto de fadas e as regras de casamento dos “especialistas” que dizem que a chama fica acessa com uma tonelada de atividades em conjunto e infinitas coisas em comum? E nós não. E nós gostamos de tempo separados e de tempo juntos.

[O nosso casamento é bom o suficiente? Tem que ser, para mim é.]

E se eu sou uma mãe que gosta de seus filhos, mas precisa de tempo para si mesma e às vezes só quer ser o primeiro e não gosta de jogar videogame, mas que abraça e apoia seus filhos em suas paixões?

E se eu abraçar minhas limitações e parar de trilhos contra elas?

Faço as pazes com quem eu sou e o que eu preciso e honro o seu direito de fazer o mesmo. Aceito que tudo que eu quero é uma vida pequena, lenta e simples. Uma vida medíocre. Uma vida linda, calma, gentil.

Eu acho que é o suficiente.

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*Este artigo foi publicado originalmente em A Life in Progress.

(Fotos do Pixabay)

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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