empreendedorismo

Dia do Trabalho ou Dia do Empreendedor?

Hoje li um artigo que me interessou diretamente: no Dia do Trabalho o colunista (agitador e ativista) Gilberto Dimenstein perguntava se nossa sociedade não mereceria um Dia do Empresário, valorizando o espírito empreendedor.

Ele levantava uma realidade que eu também vejo como crescente e pujante na atualidade:

“É visível a vontade entre jovens de não serem empregados, mas de abrir seu próprio negócio, em que se sintam mais livres para criar e inovar. Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira mostra a amplitude geral desta vontade: 60% dos brasileiros gostariam de ser patrões, tocando seu próprio negócio. É um sinal inequívoco de um salutar espírito empreendedor.”

Antigamente, quando eu lia argumentos como os usados no artigo dele – “Os impostos são altos. A burocracia, gigantesca. A legislação trabalhista, atrasada. A qualidade da mão de obra, sofrível. Os juros, estratosféricos.” – eu me calava,  num misto de aceitação com falta de condição de opinar. Hoje, já empreendedora (termo que prefiro ao “empresária”, mas que, no meu caso, significa o mesmo), entendo que há um certo exagero nisso tudo. É verdade, são poucas as incubadoras de empresas dentro e fora das universidades, mas elas existem e a internet ampliou muito o acesso às informações sobre o assunto. Aumentam os investidores dispostos a arriscar seu capital, mas, acima de tudo, com as novas tecnologias (e possibilidades como o teletrabalho e o homesourcing) temos cada dia custos menores para empreender.

Creio que deixamos de gerar mais empregos no Brasil (e falo porque eu gero, sempre que necessário e tenho orgulho disso) porque nos acomodamos nesta postura que reclama das condições desfavoráveis e esquece de se manter atualizado, perdendo a chance de saber quando (e o quanto) elas mudam. E também creio que muitos perdem a chance de gerar mais renda, criar empregos e movimentar a economia de forma saudável porque enxergam na legalização do seu negócio um buraco negro de impostos a comer seus rendimentos. Esta mentalidade pequena, junto com o ranço de “dar um jeitinho” e “ganhar por fora, tirando proveito da situação” é o maior entrave do empreendedorismo no Brasil. Enquanto pensarmos que os impostos que pagamos e as condições adequadas de empregabilidade que oferecemos aos nossos colaboradores são custos inúteis e gastos que desejamos evitar não há visão empreendedora no negócio. 

Eu pago impostos a cada nota fiscal que emito e o faço com satisfação, sabem por quê? Eles são o retorno que meu negócio dá à sociedade e ao meu trabalho, são a prova de que as coisas caminham bem, que estou sendo bem sucedida. Trato meus colaboradores com respeito, evito sobrecarga de trabalho, insisto no espaço saudável para suas atividades (na cadeira confortável, no horário de almoço, etc) e procuro fazer com que o tempo dedicado ao trabalho seja de produção, para que todos possamos sair do escritório em horário comercial e desligar dos afazeres com a consciência tranquila do trabalho bem feito que movimenta a economia do País.

Neste Primeiro de Maio, Dia do Trabalho, que sejamos valorizados não só como bons trabalhadores, mas também por termos, cada um à sua maneira, contribuído para que o trabalho e os empreendimentos no Brasil (e no mundo) tenham sido fontes de prosperidade e sucesso, mas também paz de espírito (só quem ficou sem emprego e renda sabe como a falta do trabalho tira a paz de espírito) e de alegria para todos à nossa volta. E que possamos aprender a, cada vez mais, valorizar o espírito empreendedor, mudando sua condição mítica de vilão que suga o trabalhador, para a do colaborador que, em cada um de nós, arrisca, inova e gera empregos que mudam vidas.

Parabéns a todos nós que fazemos a nossa parte, cada um à sua maneira, mas de uma forma mágica com integração e cooperação que fazem tudo funcionar!

Você pode gostar também de ler:
Desde que fiz meu primeiro detox digital, num verão há alguns anos, eu tenho descoberto
Eu vi nascer o Fórum Cristão de Profissionais. Estava no culto num domingo em que
vait_mcright / Pixabay Sempre acreditei na vida junto. Nada do que
“Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa
Participei do COLab, o Laboratório de Convergência Audiovisual, que reuniu na Unibes Cultural interessados na
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas