E o tempo para brincar?

Ontem eu passei parte da manhã tentando conciliar trabalho e a tarefa inglória – que por momentos parece fadada ao insucesso – de convencer meu filho caçula da importância de se fazer o dever de casa.

A tarefa dele consistia da produção de um texto livre sobre um amigo, com o qual ele inicialmente não tinha afinidades, contando da sua aproximação, das diferenças entre eles e como ao final eles descobriram que gostavam de brincar da mesma coisa. Complexo, não é mesmo? Se for para narrar, não é não, sei que meu filho (tagarela como a mãe) o faria com prazer, mas escrever é uma tarefa que ele não curte ainda.

tarefa

Aos seis para sete anos (faz aniversário em dois meses) ele já lê bem, mas o processo de escrita não segue o mesmo ritmo. Estou tentando relembrar como eu fiz para ele gostar de ler… gibis, histórias sobre temas que ele goste, estímulo me vendo ler, conversas entre os leitores da família sobre coisas que lemos, coisas que fizessem ele desejar fazer parte deste mundo.

Mas como eu faço para convencer um menino tão jovem de que é bom ficar em casa escrevendo uma história sobre brincadeira e amigos ao invés de ir para o parquinho aproveitar uma manhã maravilhosa de sol e calor? Não tenho a resposta, embora eu saiba que como ele já é um aluno do segundo ano do ensino fundamental (antiga primeira série), ele tem que assumir as responsabilidades de estar onde está. Não amoleci, concluimos a tarefa (como está na imagem e na minha opinião a contento, mas vamos ver o que a professora diz), só que eu fiquei com caraminholas na cabeça. E a pulguinha atrás da orelha tem sido frequentemente o livro Einstein teve tempo para brincar – como nossos filhos realmente aprendem e por que eles precisam brincar, das psicólogas Kathy Hirsh-Pasek e Diane Eyer e da pedagoga Roberta Golinkoff. Tive contato com ele há dois anos e com muita frequência ele ainda me faz rever o cotidiano dos meus filhos.

einstein teve tempo para brincar - importancia do brincar desestruturado (1)

[Eu adoro o nome do livro em inglês: Einstein Never Used Flashcards: : How Our Children Really Learn–and Why They Need to Play More and Memorize Less]

As autoras parecem conversar conosco na obra. E esta conversa de mãe para mãe, mesmo sendo as três especialistas em educação e comportamento, nos faz pensar no desenvolvimento das habilidades intelectuais mais importantes e lembrar que este desenvolvimento depende muito do tempo que as crianças dedicam a brincar. Este é o ponto que eu penso alto e coletivamente aqui: ao contrário do que muitos crêem, o excesso de atividades dirigidas para o aprendizado de conteúdos pode atrapalhar, e muito. No livro eu aprendi como estimular as brincadeiras para torná-las mais produtivas, coisa que eu até repensei quando me aprofundei no Brincar Desestruturado (a base da ideia do Dirty is Good – porque se sujar faz bem), mas que no final tem como mote o mesmo processo de aprendizagem em cada área-chave do desenvolvimento infantil, abordando inclusive os aspectos fisiológicos envolvidos.

P.S. Para quem se interessou, as autoras participaram juntas da série Human Language (Linguagem Humana), produzida pela emissora de televisão PBS, e também são autoras do livro How Babies Talk (Como os Bebês Falam).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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