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Há alguns dias vi uma notícia sobre transplante cardíaco infantil. O menino de 1 ano e 8 meses, que se transformou na primeira criança do interior do país a passar por um transplante de coração, recebeu o coraçãozinho de uma bebê de 1 ano e 3 meses, que fora atropelada dias antes. A história toca o coração de pais por dois motivos: podia ser meu filho na fila do transplante, mas podia ser também o meu filho morrendo ainda bebê!

Como decidir o que é melhor? Eu sou doadora, sempre aviso aos meus familiares que gostaria que meus orgãos ajudassem aos outros. Mas como mãe, confesso, eu me pergunto se teria tanta frieza para decidir! O que tem me ajudado a pensar sobre esta minha dificuldade é acompanhar casos, ver a realidade e a rotina dos doentes que precisam de um transplante, uma espera que pode durar anos.

Hoje no rádio ouvi que número de doadores efetivos de órgãos – cujas doações resultaram em transplante – aumentou 26% no Brasil de 2008 para 2009. Os dados são de um levantamento inédito da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos). Tenho me mantido informada do tema porque um amigo nosso, Ale Rocha, pai do João Vitor, de 3 anos, está na fila dos dois transplantes, como conta no video abaixo. Não é uma criança doente, mas é uma criança que espera pela retomada da saúde do pai para ser criança com ele.

Alguns casos são passíveis de doação em vida. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado ou parte da medula óssea. Mas, por lei, apenas parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores quando vivos. Quem não é parentes ou tem necessidades especiais só pode doar com autorização judicial. Eu testemunhei dois casos de doadores vivos. Num deles um jovem foi acometido de uma doença no fígado e um dos irmãos doou parte do seu, salvando sua vida – e pouco tempo depois soube que ambos foram pais, o doador e o receptor, concendendo novas bênçãos à família. O outro caso é de um pai que precisou ir à justiça para doar um dos rins para a filha adolescente. Ele já passara da idade legal para doação, mas conseguiu autorização e eu presenciei o renascimento da garota depois de 13 anos de tratamentos e hemodiálise, podendo ir a escola, sair, comer e viver normalmente. Ela ainda está no meu orkut e por vezes eu vejo notícias suas com satisfação, percebendo como o presente dado pelo pai há 7 anos mudou sua vida.

Se o tema já está amadurecendo na sua cabeça também, você pode ter mais informações sobre a doação:

P.S. Como eu fiz, qualquer pessoa saudável é um doador em potencial, basta comunicar o desejo à família. Cabe aos parentes mais próximos autorizar, por escrito, a doação de órgãos, quando constatada a morte encefálica do doador.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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