As mães protegem os filhos, mas quem ganha com isso são as filhas

“Quantas famílias vocês conhecem em que os rapazes são protegidos em relação às meninas? Eu conheci algumas. A garota estuda mais, começa a trabalhar cedo, corre atrás da vida e recebe pouca ajuda dos pais. Ela é tão eficiente em cuidar de si mesma que parece nem precisar de apoio, material ou afetivo. Avança sozinha. Enquanto isso, o garoto, ou garotos da casa, têm vida mais fácil. Estudam menos, demoram a buscar trabalho e moram com os pais até casar. Eles têm casa, comida, roupa lavada e, com sorte, até um carrinho. É uma situação muito comum na classe média.”

Com estas palavras começa o artigo de Ivan Martins, diretor-executivo da Época, sobre uma possível conspiração das mulheres – algo no estilo Pinky e Cérebro e que, se pensarmos bem, está mesmo acontecendo.

As mães protegem os filhos, mas quem ganha com isso são as filhas“. Como assim???,  podem perguntar as profissionais e estudantes que ainda se sentem “meninas” prejudicadas no amor e cuidados que os irmãos “homens” recebiam a mais em casa. Para responder podemos seguir a linha divertida e concordar que “é como se as mães intuíssem uma fraqueza e apoiassem quem precisava delas“, mas eu gostei mais da ideia de que “o que vem acontecendo, há várias gerações, é uma espécie de conspiração inconsciente das mulheres em benefício das suas filhas. Como as meninas tinham e ainda têm muito a conquistar em relação aos homens, são ensinadas pela mãe destacar-se na escola e lutar pela vida, de uma forma dura e efetiva: as mães, nas palavras da amiga, empurram as filhas para fora do ninho, enquanto os irmãos ficam lá, de boca aberta, piando até por volta dos 30, ou depois. O que parece proteção para os meninos, diz minha amiga, é uma sacanagem de longo prazo contra eles. Se as meninas estudam mais, trabalham mais e são incentivas desde cedo a serem auto-suficientes, quantas décadas vai demorar antes que elas ponham os homens no chinelo e tomem o lugar de privilégio na sociedade?

E nesta tarde em que estarei no youPIX debatendo os blogs femininos (no painel Blogueiras anos 50), tem assunto melhor para eu deixar em aberto aqui no blog?

BLOGUEIRAS DOS ANOS 50
O nosso debate se propõe a explorar uma curiosa questão quem vem surgindo na blogosfera: Se por um lado a mulher na era da internet possui autonomia e independência financeira, por outro a temática de muitos blogs populares como os vencedores do Bloggie Awards (considerado o Oscar da categoria) estão voltados para temas mais tradicionais como dicas do lar, culinária e moda.

Nada contra blogs dos temas acima – você, querido leitor, sabe o quanto eu estive envolvida com blogs femininos de todas as tribos como curadora da rede de blogs do MdeMulher, da Editora Abril, de 2008 a 2010 – mas o fato é que tem que ter espaço para mais. E este “plus” que já existe na blogosfera, mas não tem aparecido nos prêmios e eventos, é o tema da conversa para a qual convidamos você.

Opinem aí e assistam o painel aqui.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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