DS no parquinho

No final de semana no clube eu vejo muita coisa, umas “fofas”, outras nem tanto (como um bebê de uns 18 meses pegando do chão bituca de cigarro que a mãe jogou acessa!), mas poucas me incomodam tanto, por sua frequência, quanto ver crianças ao ar livre com aparelhos tipo DS player (aquele videogame portátil).

Vejam bem, meus filhos (#aos9 e #aos11) são usuários de tecnologia móvel e eu considero que os gadgets como videogames, tablets e etc, podem ser grandes aliados na educação. Jamais cortaria estes instrumentos de ensino que aguçam a curiosidade e estimulam a rapidez de raciocínio e o pensamento lógico, mas eu não permito que eles afetem a infância das crianças. E fico sinceramente preocupada quando vejo isso acontecendo com outros pequenos.

Imaginem a cena: a família toda reuniada, ao ar livre, fazendo um churrasquinho ao lado de um super parquinho e de várias quadras esportivas, tudo em segurança, num local onde se pode soltar as crianças sem medo. Não parece perfeito para brincar até ficar exausto? Pois o que vi foram dois meninos jogando DS, cada um no seu, claro, sem qualquer atenção dos pais, tios, avós, nada, nem para dizer “larga este negócio aí e vai tomar sol, moleque!”, nadinha, só aquela solidão compartilhada que os joguinhos eletrônicos individuais jogados ao lado de alguém permitem.

E aí vejo este parquinho (que fica ao lado da churrasqueira), onde brincamos com os meninos há seis anos, e penso que “falta companhia”. Falta adultos para ensinar que brincar é ótimo e falta também estimulo à socialização.

Logo que começamos a frequentar o clube, com os meninos em primeira infância (#aos3 e #aos5), eu estranhava ver as babás com as crianças por lá. Teve fase em que a gente ia quase todo dia, eu enchia o porta-malas de coisas que eles gostavam para brincar com areia ou bola, às vezes só cordas ou “action figures”, mas sempre com o que eles queriam no dia, e passávamos horas por lá nos divertindo, tomando sol, descansando na sombra, vendo as nuvens e as copas de árvores se mexer. Não tomava tanto tempo – meia hora, uma hora e meia, o que eu tivesse livre – mas era um antídoto para o estresse do cotidiano. Tudo bem, algumas pessoas não dispõem deste tempo livre ou não têm um local assim para ir (sempre tem uma pracinha, mas não vamos entrar neste mérito), mas sempre é tempo de brincar livremente sem as “muletas eletrônicas”, não é mesmo?

Eu sinto que falta, mais do que a vontade ou o amor, é o “jeito”, o “know-how” para brincar com as crianças e para deixar as crianças brincarem. Os pais são esforçados, mas nem sempre entendem que a melhor infância é aquela vivida com pessoas -pais, parentes, vizinhos, amiguinhos da mesma idade – numa relação afetiva que nos dá e exige em troca, que nos permite experimentar, crescer como pessoa, aprender e ensinar, evoluir.

E falta também preparar as crianças para conquistarem autonomia com segurança. Sim, porque ao mesmo tempo em que desejam estar materialmente presentes, os pais parecem crer que sempre estarão lá para tudo e (triste!) que quando não estão é melhor brincar com um gadget do que com outras crianças… A melhor infância é a vivida com brincar desestruturado, na companhia de outras crianças, experimentando com segurança e acompanhamento situações diferentes que vão prepara-las para a vida. 🙂

[Pelo menos foi assim aqui até eu liberar #aos11 e #aos9 para “abusar” desta piscina e destes tobogãs da foto!]

P.S. E para quem se perguntou – ou não! – os meninos nunca ganharam DS! Mas eu sei que com acompanhamento (como contou aqui a Chris Ferreira) até o DS vira um instrumento de socialização, mas eu prefiro estimular as brincadeiras tradicionais ao ar livre (e sobre os dois, vale ler este post da Elisa Araújo).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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