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A gente pensa nos clássicos como totalmente machistas e representativos de um universo que nem cabe mais no nosso tempo. Alguns são – é verdade – mas muitos carregam histórias tão humanas que poderiam ser facilmente transportados para o nosso tempo.

Gosto dos personagens femininos do século XIX, eles me dão uma noção do que somos hoje graças às mulheres (muitas) que de alguma forma foram diferentes e inspiraram outras lá, antes das nossas avós nascerem e moldarem um pouco do que entendemos como “ser mulher” hoje.

A viuvinha, IracemaSenhoraLucíola são exemplos de ficção urbana de José de Alencar que retratavam sua “atualidade”. Senhora, publicado em 1875, na forma de folhetim, é destas histórias.  Por explorar um tema importante e quase indiscutível na época – o casamento como forma de ascensão social – permite a discussão sobre certos valores e comportamentos da sociedade carioca da segunda metade do século XIX que se perpetuaram por muito tempo, infelizmente.

Especialistas afirmam que, apesar de ser um “romance” à antiga, Senhora iniciou uma crítica à futilidade comportamental e à fragilidade dos valores burgueses e trouxe aos folhetins um grau de introspecção psicológica.

mundos de eufrasia claudia lage

Ao escrever sobre a moça órfã e pobre, dotada de grande firmeza de caráter, José de Alencar cria uma personagem que nos dá um novo modelo de heroína. Há alguns anos acompanhei uma adaptação do livro para a TV, Essas Mulheres, e gostei bastante, considerando-a atual como anos depois senti com Lado a Lado e Mundos de Eufrásia.

A história:

Aurélia, moça pobre e órfã, fica noiva de Fernando, um rapaz que a amava, mas que foi se deixando envolver pelas aparências da vida social, gastando além do que tinha e acabando por arruinar a própria família: a mãe viúva e a irmã solteira. Por isso, troca Aurélia por outra moça, Adelaide, a quem não amava, mas que possuía um dote mais valioso. Por conta disso, Aurélia passa a desprezar todos os homens. Porém, com a morte do avô, recebe inesperadamente uma grande herança e torna-se muito rica da noite para o dia, passando a ser a mulher mais cortejada de toda a corte do Rio de Janeiro. Movida pelo despeito e desejando vingar-se, resolve comprar seu “ex-noivo”. Ela incumbe seu tutor, Lemos, de propor a Fernando, através de negociações secretas, o casamento com uma rica jovem, oferecendo-lhe um dote de cem contos de réis. Em troca, exige que ele assine um contrato aceitando a condição de vir a conhecer a noiva apenas no dia do casamento. Está disposta, entretanto, a confessar o seu amor caso ele mostre dignidade, recusando a proposta indecente. Fernando aceita sem pestanejar a proposta tão vantajosa e termina o noivado com Adelaide. Quando descobre que a moça é Aurélia, fica surpreso e feliz. Na noite de núpcias, no entanto, Aurélia o humilha profundamente, chamando-o de “oportunista” e “vendido”. Só neste momento ele percebe o quanto fora ganancioso e vil. Ofendido, resolve recuperar sua dignidade e libertar-se de sua condição de escravo, comprado por cem contos de réis. Começa a trabalhar com afinco, com o intuito de devolver o dote de Aurélia. Vivem como estranhos na mesma casa durante onze meses, torturando-se com ironias, mas perante a sociedade, representam o “casal feliz”. Durante esse tempo, Seixas recupera sua dignidade e passa a ser valorizado aos olhos de Aurélia. Ele consegue juntar o dinheiro do dote, devolve-o a Aurélia e se despede dela. Sem o impedimento vergonhoso que os separava, Aurélia sente-se livre para confessar o seu amor por Seixas. Os dois, igualados em amor e honra, podem desfrutar do casamento, que ainda não havia se consumado. O final é a reconciliação dos dois.

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Inspirada no livro “Senhora”, de José de Alencar, “Dona Moça” conta a história de Aurélia Camargo, uma produtora de eventos que, após uma vida sofrida, ascendeu no mundo dos negócios e se tornou a promoter mais famosa e requisitada da alta sociedade paulista. Ao lado da melhor amiga, Fifi Mascarenhas, ela administra a agência Dona Moça. Às voltas com o excesso de trabalho, ela se vê obrigada a contratar um assistente, que para a surpresa geral acaba por ser seu antigo amor, Fernando, que no passado a trocou por uma jovem socialite. A convivência forçada vai trazer a tona uma série de lembranças e todo tipo de sentimentos reprimidos e esquecidos por quase uma década, ao mesmo tempo em que afeta todos os personagens em volta deles.

A adaptação traz uma luz moderna a um clássico da literatura brasileira, recontando a história de uma maneira que leitores e espectadores dos dias de hoje possam se identificar. Desta forma, quem já leu pode reimaginar o enredo em outro contexto, e novos leitores podem ser atraídos para o clássico, para conhecer o conteúdo original.

A narrativa acontece em cinco plataformas diferentes:

  • Youtube: É onde se desenvolve a maior parte da história. No canal principal acompanhamos a rotina e os acontecimentos na Dona Moça Eventos através de um vlog produzido por Aurélia e Fifi. É nele que a maioria dos personagens aparece e interagem. Já no “Laboratório da Nic” os espectadores podem conhecer paralelamente um pouco da vida familiar de Fernando através do programa amador de culinária criado por sua irmã caçula.
  • Twitter e Instagram: Todos os personagens possuem perfis ativos nas redes sociais, onde eles interagem entre si e com a audiência. Sua função principal é acompanhá-los em tempo real e complementar a narrativa com acontecimentos citados entre um vídeo e outro.
  • Blog: Site oficial da Dona Moça no universo da história. Mantido por Aurélia e Fifi, complementa assuntos abordados nos vídeos, como produção de eventos, moda e etiqueta.
  • 8tracks: Fifi e Nic mantém perfis ativos na rede de música, onde criam e compartilham playlists que ajudam a contar seu estado de espírito e complementam certos pontos narrativos.
  • Facebook: A página oficial da série funciona fora do universo da série e serve basicamente para atualizar os espectadores sobre as movimentações na história.

A primeira temporada conta com dez episódios, todos disponíveis no youtube:

A equipe de produção é formada apenas por mulheres e elas bancaram toda a primeira temporada da série do próprio bolso. Agora elas precisam de ajuda para continuar a produzir e contar essa história que tem sido narrada no blog: donamocaeventos.wordpress.com.

Para isso elas iniciaram uma campanha de financiamento coletivo.

Vamos ajudar as meninas a terminar esta história? Vai lá dona-moca-segunda-temporada e veja como ser um apoiador.

Fotos do post dos colegas do Apaixonados por séries, que também reuniram os links da galera: o Facebook e o blog da Adorbs Produção, o blog fictício da Dona Moça Eventos, o Twitter dos Personagens e o Instagram da FifiMadê e do Fernando.


Comments

  1. Nivia Gonçalves Says: julho 27, 2015 at 9:28 pm

    Adorei! Adoro o livro e a novela, pensando em como acompanhar a série tbm! Bacana a iniciativa, torcendo para que siga em frente!

  2. Oi, Sam! Vim aqui em nome da equipe da Adorbs agradecer por essa divulgação incrível e também por acompanhar nosso trabalho. Tem sido uma jornada doida e muito legal trabalhar com um material tão complexo quanto Senhora, e estamos dando nosso melhor pra que a série seja não apenas uma adaptação fiel, mas também um material que se aproxime do público! Muito obrigada por esse espaço! Grande beijo!

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