Porque ser doador medula óssea

“O Brasil tem o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. Está atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Aqui o cadastro de doadores é feito pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula (Redome), instalado no Instituto Nacional do Câncer (INCA) e integrado ao National Marrow Donor Program (NMDP), a maior rede de registros de doadores de medula óssea do mundo.”
Three Rivers, série médica que trata do tema com frequência

Imagem que encontrei no blog Across My Universe (de @syssy)

Recebi da @mellancia um convite que se tornou uma convocação: aproveitar a audiência do blog para ajudar a esclarecer com que facilidade podemos nos tornar doadores de medula óssea. É fácil e, melhor ainda, esta atitude pode salvar a vida de alguém.

Passo a passo para se tornar um doador:

• Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.
• Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.
• Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
• Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação. Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de UMA EM CEM MIL!
• Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.
• Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.
• A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.
• É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta que o doador ligue para (21) 3970-4100 ou envie um e-mail para redome@inca.gov.br.

Como proceder caso você decida doar:

  • Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante).
  • É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros nos estados. No Rio de Janeiro, além do Hemorio, o INCA também faz a coleta de sangue e o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea de segunda a sexta-feira, de 7h30 às 14h30, e aos sábados, de 8h às 12h. Não é necessário agendamento. Para mais informações, ligue para (21) 2506-6064.

Como é feita a doação:

Será retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais. Em seguida, seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro. Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários. Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado.

Eu vou sofrer muito se for compatível e chegar a doar a medula?

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

Como a Mafê eu também não tenho casos na família, mas já contei para os leitores do blog que em 1995 eu ajudei, como voluntária do MNMMR, a acomodar um jovem e sua mãe que migraram por uns meses do nordeste para Curitiba por conta do tratamento. A convivência com eles mudou nossa vida de forma indelével. Anos depois, quando já trabalhava em Tokyo, acompanhei um caso no qual uma colega da JB Communication descobriu que tinha leucemia ao se descobrir grávida (ela manteve a gestação e teve o bebê) e foi por acompanhar sua dificuldade para encontrar um doador compatível (ela era mestiça nascida na Bolívia, condições que a diferenciavam do padrão genético japonês) que atentei para a necessidade de pessoas como eu e você, nascidos de mistura étnica, sermos doadores também.

Saiba mais: Perguntas e Respostas sobre Transplante de Medula Óssea.

P.S. Já que abri o post falando de seriados: muitos episódios tratam do tema, mas um dos que lembrei hoje foi “Time After Time” (temporada 3, episódio 20), de Grey’s Anatomy, no qual a filha que Izzie deu para adoção na adolescência é levada ao hospital para fazer tratamento à leucemia e a personagem é convidada a doar a sua medula óssea.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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