DNA de escritor – ou de periodista!

28/07/2009 por você.
A foto é minha, com jornais que trouxe da FLIP2009, e teve inspiração nesta aqui

Minha cunhada, professora de arquitetura, me disse uma vez que se ela não passa por um lugar sem notar as construções e a urbanização, eu não deixo de achar um períodico para ler. Fluente em espanhol, ela me fez apreciar o termo “periodista” – como chamam os jornalistas naquele idioma.

[Achava que periodista tinha uma conotação que fazia o jornalismo parecer um trabalho temporário demais – e hoje (com um acervo grande de revistas e jornais atualmente quase inúteis nos quais fui publicada) sei que ele tanto é, quanto não é e isso é tema para outro post.]

Creio que a ideia de capturar o momento e convertê-lo em alguma reflexão (palavra cujo radical nos remete a uma visão de nós mesmos) é mais do que uma mania, é uma condição em mim. Não faço uma busca consciente de motivos, mas, vez ou outra, encontro-os na minha história e na dos meus ancestrais.

Há 105 anos nascia meu avô Juca – a quem já prestei homenagens aqui -, de quem herdei a profissão. Ele foi dono de jornal nos aúreos tempos em que jornal e rádio eram os grandes veículos de comunicação e as revistas não eram tão descartáveis. Consumiu sua fortuna em seu trabalho, mas nos deixou uma herança incomensurável nos livros de sua biblioteca (que já doamos, pois era vasta e merecia ser compartilhada) e na forma como conduzia conversas em família. Não o conheci – ele faleceu quatro anos antes do meu nascimento, ainda novo, com apenas 63 anos, deprimido com o Golpe Militar que o tirou tanto do jornal quanto da prefeitura de sua cidade -, mas a influência que teve sobre minha mãe chegou a mim e me “ensinou a pensar” desde tenra idade.

Revivi isso ao ler, justamente nesta data, uma reportagem de Kelly de Souza para a edição 24 da Revista da Cultura (sim, aquela mesma que é distribuída gratuitamente nas livrarias de mesmo nome), na qual algumas famílias de escritores foram entrevistadas – Mário Prata, Maria Prata, Marta Góes e Nirlando Beirão; Sérgio e André Sant’Anna; Maria Carpi, Carlos Pejar e Fabrício Carpinejar – ou apenas citadas – Alexandre Dumas (pai e filho); Erico e Luiz Fernando Veríssimo; Sérgio e Chico Buarque de Hollanda; Jorge Amado e Zélia Gattai. Para quem tem acesso a uma das livrarias, minha sugestão é que leia a matéria – pode ser que você se identifique como eu, mas no mínimo creio que lhe sucitará “reflexões” e lembranças do quanto o cotidiano de sua família pode ter lhe influenciado na sua forma de pensar e de se posicionar no mundo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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