Divinização do normal

“A própria pessoa decide o seu certo e o seu errado, agindo com bom senso. Ela decide o seu bem.”
Erasmo Carlos (na Trip)

Há alguns meses escrevi sobre meu entusiasmo com o aleitamento materno (fui até doadora de leite humano) e minha recusa à divinização do leite materno.  Há alguns meses vivenciei uma triste discussão sobre a divinização do parto natural, assunto, aliás, que me deixa cansada (e não sou a única), mas que frequentemente é tema de controvérsia quando se fala em gestação. Mas não precisa temer, leitor, este post não é sobre gestação ou parto. É sobre o debate acerca da normalidade e o empenho exagerado que vejo nas pessoas em busca desta condição.

Como hoje é feriado cristão (não sou muito ligada a eles, mas o Gui sempre me ensina um pouco quando os explica para as crianças) pudemos conversar sobre as diferentes normalidades que a humanidade já professou e defendeu! São tantas que rendem uma vida de conversas, mas que felizmente podemos resumir na frase que abriu este post. Basta bom senso para acharmos um certo e um errado que seja bom para cada um de nós.

Deixo o convite para quem quiser pensar sobre a validade do conceito de normalidade quando visto sob a única ótica que interessa: o amor. E como seres amorosos somos sempre anormais, porque, felizmente, nisso não há margem ou medida de comparação!

Para ajudá-los, deixo algumas dicas de textos que me tocaram especialmente nos últimos tempos:

  • @maxreinert contou no texto Elas são gays sim… por quê não? que se partiu do meu texto sobre transexuais para repensar sua própria militância e a normalidade em sua vida. Fiquei profundamente lisongeada e quem o ler me entenderá.
  • @ladyrasta tratou em “Uma boa hora” da discussão acerca do parto normal versus cesárea com uma propriedade que eu não teria porque me sinto emocionalmente envolvida demais para debatê-lo. como os presentes no Brunch de lançamento da linha para gestantes Mamie Bella (do Boticário) puderam ver em abril.
  • @alessandro_M me levou às lágrimas em Minha irmã não é normal.  Neste caso, a única coisa “normal” no sentido de recorrente é o Ale conseguir, através de seus textos, tocar fundo a alma e o coração do leitor. Sou fã dele, quase tanto quanto do nosso antigo professor de faculdade, Cristóvão Tezza (autor de O Filho Eterno), citado no final do texto que relembra uma atitude de profundo mau gosto (ou vazio) que marcou a blogosfera na época.
  • @kakah e @giseleramos compartilharam comigo o mesmo texto da revista Nova Escola (que assino e aprecio imensamente), uma matéria encantadora intitulada Vale mais que um trocado. O repórter Rodrigo Ratier fez uma experiência: colocou livros usados numa caixa de papelão no banco do carona de seu carro e ofereceu-os a ambulantes, pedintes e moradores de rua de São Paulo. Ele descobriu dezenas de leitores (alguns qualificados) em pessoas que, segundo o que se consideraria normal, deveriam ser analfabetas e incapazes de se sensibilizar ou aproveitar um livro. E você, ainda se sensiliza com as crianças no semáforo?

(Sobre a divinização do normal: graças a Deus que não somos divinos e estamos aqui para evoluir! 🙂 Apesar de tanta coisa politicamente incorreta (ou explicita e orgulhosamente incorreta), ainda me encanto com o ser humano.)

😉

P.S. Para deixar bem claro: eu gosto da controvérsia, ela nos dá oportunidade de sermos melhores, de evoluirmos, de aprendermos. Só que não suporto rótulos, regras vazias de significado e menos ainda a patrulha.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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