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Um fato triste forçou a reação dos ciclootimistas neste final de semana: um ciclista de 21 anos que se dirigia ao trabalho teve o braço amputado numa colisão com um carro. Agravantes assustam neste caso no qual a vítima trafegava no local adequado (na ciclofaixa de lazer que funciona na av. Paulista aos domingos, mas ainda estava desativada no horário, 5h da manhã) e o fato do motorista ter omitido socorro e jogado o braço da vítima num córrego alguns quilômetros adiante, inibindo todas as chances de reimplante.

Imperdoável este abuso que nos faz pensar que alguns casos realmente não podem ficar impunes. Sinto-me em luto por esta família e por este motorista que agiu errado e fugiu da responsabilidade, piorando muito o quadro e as consequências de seus atos.

Coincidentemente eu tinha feito algumas entrevistas na semana passada, conversando com amigos ciclistas e com especialistas em urbanismo, buscando pensar coletivamente os direitos e deveres do uso de bicicleta nas cidades de forma a absorver este veículo de forma sustentável no trânsito cotidiano. Meu interesse sobre disciplina no trânsito ressurgiu ao saber de um projeto de lei apresentado pelo vereador Jorge Bernardi em Curitiba, cidade onde morei até 2005, que colocou em pauta os direitos e deveres dos ciclistas. Conheço há muitos anos o vereador que propõe, assim como outro parlamentar da cidade, Jonny Stica, que é assíduo frequentador dos encontros de ciclistas da capital paranaense, por isso tenho acompanhado mais ou menos de perto os avanços deste movimento por lá. Em visita a familiares em janeiro, no entanto, vi algumas imprudências de ciclistas noturnos na região central da cidade e me incomodou perceber que havia necessidade de organizar melhor este grupo.

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Curitiba parece ter hoje grande empenho na área. O novo prefeito, Maurício Fruetdefendeu o tema e simbolicamente demonstrou apoio à ampliação das ciclovias em Curitiba ao fazer o trajeto até o local da sua posse numa bicicleta. Mas ainda há necessidade de muitos esforços para melhorar a infraestrutura cicloviária  lá e o projeto de lei que citei acima levanta a necessidade de “disciplinar” o comportamento dos adeptos das bikes em vias públicas.

Uma das regras propostas pelo projeto seria a obrigatoriedade de que os ciclistas trafeguem exclusivamente por ciclovias e ciclofaixas, usando as calçadas somente quando desembarcados (empurrando) da bike, propondo multa de R$ 85,13 e apreensão da bicicleta para quem burlar a lei.

Mas, apesar de trazer à tona a necessidade de mais investimentos na infraestrutura voltada às bikes, o texto foi considerado equivocado por ciclistas e advogados especialistas em trânsito. O principal questionamento diz respeito à legislação. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) deixa claro que compete à União legislar sobre o trânsito, inclusive imputar sanções não previstas no código.

“Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
(…)
II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.”

Ao conversar com amigos que são ciclistas na prática eu pretendia entender como a coisa funciona em outras cidades.

Uma das cidades nas quais já usei bikes foi o Rio de Janeiro, que também debate o tema nas suas ciclovias de lazer, onde bicicletas “competem” por espaço com corretores, patinadores, skatistas, pedestres, reboques e até carrinhos de bebê.

Lá as bikes são proibidas na área de lazer, devendo ficar limitadas às ciclovias, mas abre-se exceção para as crianças até oito anos, que podem usar tanto ciclovias como áreas de lazer (e eu pergunto quem deixa a criança de menos de 8 anos sozinha e vai por outra via, mas isso é outra conversa!). Na orla, as ciclovias são compartilhadas com corredores que devem estar sempre pelo lado direito do fluxo e em passo de corrida. A legislação das ciclovias não proíbe skatistas e a legislação não cita esses equipamentos! Já os pedestres não podem trafegar na ciclovia, assim como os cães e os carrinhos de bebê, mas cadeiras de roda elétricas são permitidas.

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O que os urbanistas dizem?

Conversei com Elenara Stein Leitão, editora do blog Arquitetando Ideiasarquiteta e urbanista em Porto Alegre, RS, capital que viveu um forte movimento de repúdio a um acidente há relativalmente pouco tempo, quando um motorista acelerou e atropelou mais de 20 pessoas durante um evento. Na época discutiu-se muito a necessidade de ciclovias e Elenara reforçou esta ideia no nosso papo, levantando como necessidades urbanas básicas:

  • Ciclovias seguras e que liguem pontos importantes.
  • Educação para respeitar o ciclista.
  • Estacionamentos de bikes em pontos como metrô.

Em detalhes, a arquiteta justificou suas considerações:

“Ciclovias são alternativas e imprescindiveis. Impossível a convivência da bike e carros na mesma via. Mas para que elas se tornem realidade é importante que não sejam pontuais, pequenos trechos que sirvam mais para propaganda que para real possibilidade de transporte, é preciso educação para que se mude o foco e a bike receba a mesma prioridade que os carros. Portanto ciclovias seguras e não meras faixas pintadas.
[É preciso também] Educação e multa para quem desrespeitar a ciclovia (ao invés de multar o ciclista e tirar a bike, que tal multar o motorista e reter o carro ?). Ou seja, a mera construção de ciclovias sem planejamento, não é solução. É curativo. É preciso saber a real demanda, não usar áreas verdes para elas, garantir que existam em número e quilometragem suficientes e garantir a coexistência com o sistema viário. A palavra chave e que é o grande gargalo brasileiro nas cidades: PLANEJAMENTO.”

No interior as coisas são mais tranquilas?

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Conversei também com a engenheira ambiental Daiane Santana, editora do blog Vivo Verde e ciclista do cotidiano, como eu mesma comprovei quando nos encontramos em Palmas, capital do Tocantins, onde ela mora. Dai usa bicicleta todo dia para ir ao trabalho e às vezes até para a balada com os amigos.

Quando estive lá, exceto pelo calor intenso, considerei a cidade bem favorável às bikes por ser planejada (é uma cidade muito jovem, mal completou 20 anos) e por ser quase plana. Mas mesmo lá falta educação para o trânsito, afirma Daiane:

“Acredito que se for para melhorar a infraestrutura cicloviária das cidades não vejo tantos problemas, na verdade é uma necessidade, porém, não acredito que quem deve ser reeducado/disciplinado sejam os ciclistas, pelo o contrário, se mesmo com aulas obrigatórias para a retirada da carta de habilitação o trânsito já está assim e sem fiscalização nenhuma? Acho muito difícil também o órgão que for responsável pelas multas aos ciclistas, conseguir fazer algo eficiente, além disto, pelo o que vejo, não há tantas infrações assim provenientes dos ciclistas, pelo contrário… Aqui em Palmas/TO as ciclovias começaram a existir não tem mais que 1 ano, seu dimensionamento e infraestrutura não são os melhores, há lugares onde não dá para entrar/sair, mas mesmo assim, em boa parte delas, facilitou muito nossa locomoção, principalmente pelo fato de que agora não temos tanto contato com os automóveis nas “rotatórias”. Como o trânsito flui rapidamente, é quase impossível acompanhar o fluxo normal, justamente pelo fator “respeito”, que ainda não é dos melhores por aqui. Ainda prevalece a “lei do maior”!”

No exterior é melhor?

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Adriano Dias, jornalista que já fez várias viagens internacionais com sua bike, me contou um pouco da sua experiência em países que tem regras mais firmes do que as nossas, como a Espanha e Holanda. Vejam sua perspectiva:

“Em outras sociedades, não quer dizer que são muito mais civilizados e tal, mas as leis são mais severas e efetivamentes aplicadas, então funciona. O motorista espanhol, por exemplo, respeita a distância, passa com todo o cuidado ao seu lado, pára dando a preferência, mesmo que nem sempre fique “feliz” por isso, mas, o faz sem oferecer risco. Em Amsterdã então nem se fala… lá os carros simplesmente não têm vez, tudo é pensado para as bicicletas, e por isso mesmo elas são sereveramente fiscalizadas. Precisam andar nas ciclovias, não podem atrapalhar o fluxo das outras e muitas outras regras. Ou seja, é preciso sim termos regulamentações, diferente que muitos cicloativistas pensam.”

Ele reiterou no nosso papo que temos em nosso país pessoas que ainda não sabem se comportar bem no trânsito e eventualmente estão em uma destas posições, quase sempre se comportando mal. Então a educação tem que ser direcionada à pessoa. Mas, se a fiscalização e aplicação das leis funcionassem, também ajudaria.

Por dois anos eu e meu marido moramos no Japão e lá basicamente nosso meio de transporte urbano era a bicicleta. Usamos taxi algumas poucas vezes e trens quando viajávamos, no restante do tempo as bikes eram nossas companheiras para tudo, com chuva, sol ou neve. Eu não via regras tão firmes por lá (pelo menos nunca fui punida em minha conduta como ciclista), tampouco usava ciclovias para meus deslocamentos, notava sim uma maturidade na convivência de ciclistas, pedestres e motoristas. Por isso concordo plenamente com Adriano:

“Não devemos dividir o transito em pedestre/ciclista/motorista … devemos educá-los como um só.”

Simples assim.
:-)

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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