cidadania

Vivi uma experiência diferente nesta posse presidencial: ouvi-a pelo rádio e acompanhei-a pela internet. Ao mesmo tempo nostálgica e hightech, a situação me fez pensar sobre a modernidade que se percebia neste 01/01, fugindo de tudo que vivemos em outras trocas no comando da Nação.

Meus avós, que foram profundamente ligados à política e apoiavam abertamente o Getulismo, movimento popular com o qual o Lulismo tem tantas afinidades (ame ou odeie, apoie apaixonadamente ou critique ferrenhamente, fato é que ninguém fica impassível diante das realizações de Lula nos últimos 8 anos), devem ter ouvido ao vivo a radiodifusão de posses presidenciais. Mas não creio que imaginavam uma mulher, ex-guerrilheira contra revolucionária, passando em revista os Dragões da Independência. Tampouco o fato de esta mulher ser divorciada, não ter se “recasado” para agradar aos marqueteiros e à parte mais hipócrita da sociedade como outros “homens” fazem na política, receber o cargo das mãos de um homem do povo.

Estou repetindo o discurso emocionado de muitos partidários de Dilma e Lula e não deixei de ser da ala que critica inúmeros aspectos dos governos petistas. No entando, concordando ou não com o Planejamento do atual Planalto, não consigo me desvincilhar da visão humanista e sociológica, rendendo-me ao encanto do fenômeno que vemos nesta posse e é emblemático dos novos tempos que conquistamos com pequenas e grandes lutas ao longo dos séculos desde a Independência do Brasil em 7/7/1822.

E volto à data simbólica porque ganhei de presente de minha mãe o livro de Laurentino Gomes, continuação do best seller 1808, e Gui e eu estamos lendo e discutindo as raízes de antes de Raízes do Brasil, anteriores às reflexões de Casa Grande e Senzala, talvez até parte das que formaram a opinião do pai da nova Ministra da Cultura, Sergio Buarque de Holanda, e resultaram em Raizes do Brasil. Deixo aqui o convite para quem se interessa em discutir o novo governo para que antes relembre – ou conheça, se for o caso – a forma como este formato de governo no qual o presidente é o Pai – agora a Mãe – do povo e age em sua defesa como um Anjo Salvador, o modelo sobre o qual, em entrevista interessante e de leitura recomendada, o antropólogo Roberto Albergaria faz uma análise inusitada da aliança entre Dilma Rousseff e o antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo que a presidente terá o padrinho político como “marido virtual” no imaginário brasileiro.

“Ele vai ser o presidente simbólico do Brasil, o anjo da guarda de Dilma. É como se ela fosse a mãe do Brasil e Lula, o pai do Brasil. É um casal perfeito. Lula e Dilma funcionam como um casal. (…) Ele é o marido virtual de Dilma, até que a mídia canse dele, o que vai levar algum tempo.
(…)
Para o antropólogo, Lula deixa o governo com alta popularidade porque soube encarnar dois papéis: o de “bom selvagem” e o de “ex-pobre”, contrariando o roteiro traçado pela esquerda da USP (Universidade de São Paulo) nos anos 80.”

Fica então meu desejo de que as palavras da Presidenta no final do seu discurso (e cito baseada no que @giselerebelo postou) sejam verdadeiras e que sua parte final se concretize:

“Eu quero, neste momento, dizer a vocês que eu darei todo o meu empenho, toda a minha dedicação para fazer com que as transformações que nós começamos nesses últimos oito anos continuem, prossigam e se expandam porque o povo brasileiro e o nosso país tem condições, hoje, de se transformar no maior e no melhor país para se viver.”

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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