Dica de série para conhecer outra realidade: Fauda

Você tem interesse em visualizar um pouco da realidade do Oriente Médio, em especial da Faixa de Gaza? Então Fauda pode ser uma série que vai te agradar.

Mas, antes de tentar assistir, vá ciente de duas coisas:

Em primeiro lugar, os árabes têm razão: a série é sionista. Mas nos dá algum olhar para este cotidiano que a gente desconhece.

Mas o fato de ser abertamente autobiográfica torna tudo mais forte e a gente entende (não digo que aceita) o jeito descarado de defender um lado.

Em segundo lugar, não há meio termo, é uma série para quem tem estômago forte, como aliás parece ser tudo na região.

Quando morei no Japão tivemos como vizinho de apartamento, um israelense, filho de escocês, nascido em Israel e que morava em Saitama para (pasmem!) estudar a arte ninja. Falava da região com franqueza, contava que visitou amigos no Brasil antes de mudar para o Japão e que o que a gente enfrentava aqui não era nada em termos de violência urbana. Para contextualizar, na época em que ele esteve aqui, década de 1990, São Paulo vivia uma violência urbana terrível como a de NY, uma realidade que mudou – um pouco – na segunda década dos anos 2000 e que vive hoje o Rio de Janeiro.

Ele era familiarizado com o modelo militar israelense (todos devem prestar serviço militar obrigatório, homens e mulheres) e tinha feito Krav Magá por muitos anos. Para quem não sabe, esta luta (קרב מגע em hebraico, que significa “combate de contato”) é um sistema combate corpo a corpo desenvolvido em Israel, que envolve “técnicas de luta, torções, defesa contra armas, bastões, facas, agarramentos e golpeamentos”.

A série, obviamente, me lembrou muito o ex-vizinho, mas também amigos que, por serem judeus, migraram recentemente para a região. E de certa forma é dessa tomada da região por judeus que trata a série.

Por que eu inseri acima um vídeo sobre Krav Magá? Foi para mostrar um pouco do jeito como eles encaram as lutas cotidianas.

Segundo li, “vizinhos quando crianças, em Jerusalém, o jornalista Avi Issacharoff e o ator e roteirista Lior Raz se reencontraram casualmente em 2010, durante uma cerimônia de formatura de jovens soldados. Relembrando suas passagens pelo serviço militar obrigatório — e suas experiências na Unidade Duvdevan, força de elite que faz operações de espionagem —, veio a ideia de criarem uma história para a televisão. Ali, nasceu “Fauda” (“caos” em árabe)”.

Como funciona o serviço militar obrigatório em Israel?

Pelo que li, todos os cidadãos israelenses física e mentalmente aptos devem apresentar-se aos 18 anos de idade. Não apenas judeus, mas também drusos, circassianos e beduínos. Terminado o serviço obrigatório, cada um é indicado para uma unidade de reserva, na qual servirá por um período que varia entre 30 e 60 dias por ano e que pode ser prorrogado por mais tempo, dependendo da necessidade. Já é parte do cotidiano nacional o “rodízio” entre os cidadãos fardados e os que não estão servindo. Se desejar, o soldado pode seguir a carreira militar, alistando-se para servir na ativa ou entrando para cursos de preparação de oficiais. Soldados e oficiais de carreira aposentam-se após 20 anos de serviço.

Trata-se de uma ficção inspirada em fatos reais. A série retrata também, sem meios tons, a situação dramática dos palestinos que vivem sem um estado independente.

Terminei #Fauda na semana passada… Recomendo muito para quem se interessa em visualizar um pouco da realidade do Oriente Médio, em especial da Faixa de Gaza. E bem, os árabes têm razão: a série é sionista. Mas nos dá algum olhar para este cotidiano que a gente desconhece. O fato de ser abertamente autobiográfica torna tudo mais forte e a gente entende (não digo que aceita) o jeito descarado de defender um lado. Segundo #patriciakogut: “Vizinhos quando crianças, em Jerusalém, o jornalista #AviIssacharoff e o ator e roteirista #LiorRaz se reencontraram casualmente em 2010, durante uma cerimônia de formatura de jovens soldados. Relembrando suas passagens pelo serviço militar obrigatório — e suas experiências na Unidade Duvdevan, força de elite que faz operações de espionagem —, veio a ideia de criarem uma história para a televisão. Ali, nasceu “Fauda” (“caos” em árabe). Produzida pelo canal israelense Yes, ela fez sucesso instantaneamente no Oriente Médio. “Fauda” foi ganhando território até figurar no catálogo mundial da Netflix e ser apontada pelo “The New York Times” como a melhor série internacional de 2017. Está prestes a entrar na sua terceira temporada." #sinopse: A trama acompanha as atividades de uma unidade militar na Cisjordânia. Falando árabe perfeitamente, o grupo é treinado para emular o inimigo e, assim, atacar o terrorismo dentro de sua casa. Na primeira temporada, o alvo é o Hamas infiltrado na Cisjordânia, região onde o Fatah dá as cartas. Na segunda, o Estado Islâmico se soma aos oponentes do Hamas. Trata-se de uma ficção inspirada em fatos reais. A série retrata também, sem meios tons, a situação dramática dos palestinos que vivem sem um estado independente. Vi na #netflix. #igualdade #empatia #solidariedade #politica #cultura #educacao #serie #israel #impactosocial #agentenaoquersocomida #avidaquer @avidaquer por @samegui

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A trama acompanha as atividades de uma unidade militar na Cisjordânia. Falando árabe perfeitamente, o grupo é treinado para emular o inimigo e, assim, atacar o terrorismo dentro de sua casa. Na primeira temporada, o alvo é o Hamas infiltrado na Cisjordânia, região onde o Fatah dá as cartas. Na segunda, o Estado Islâmico se soma aos oponentes do Hamas e surgem os árabes que aprendem tudo dos judeus.

Os personagens são marcantes, mas, admito, não é nada fácil escolher um para se encantar. Têm carisma, mas como estão todos “meio (muito?) errados”, a gente não consegue tomar partido. Por outro lado, alguns romances fazem a gente ter vontade de que Fauda fosse um filme de antigamente, que acabava com um final feliz no qual as pessoas não pensam na improbabilidade daquilo dar certo!

Doron Kavillio é um cara esquentado, autoritário, isolado. Mas mesmo assim,  admito, é do que tipo que eu teria como amigo – talvez porque tenho amigos assim! Interpretado por Lior Raz, o criador da série, o personagem tem uma família de Doron padrão – a mulher (Gali, vivida por Netta Garti), um filho e uma filha – e é um cara que, após deixar o exército, mantém-se cuidando de uma granja e vinhedo. Conhecido por ter matado um importante líder árabe há pouco tempo, ele voltará para o seu antigo posto de trabalho na Unidade 8200 das Forças de Defesa de Israel, após ter descoberto que o líder – Abu Ahmad – ainda está vivo.

Taufiq Hamed (Hisham Suliman), também conhecido como Abu Ahmad, apelidado de “O Pantera”, é a cara do primeiro ano da série junto com Lior. O resumo simples é que Taufiq é um terrorista do Hamás supostamente abatido pela FDI 18 meses antes do começo da série, mas que na realidade está vivo e se prepara para realizar ataques terroristas, apesar de se ter celebrado inclusive seu funeral. O complexo é que Taufiq, Hisham Suliman, tem família com a qual tem contato, tem uma vida que deixou e tem um papel que não pode deixar de desempenhar porque crê nele.  Seu lado humano está muito ligado a esposa,  Nasrin Hamed (Hanan Hillo).

 

Walid O Abed (Shadi Mar’i)é um homem de confiança da equipe de Taufiq, e um do poucos que segue vendo o “O Pantera” após seu (falso) funeral. Ele me lembrou muito os personagens do filme Made in France (Caminhos do Terror) que resenhei aqui no ano passado:

Dica de filme: Os caminhos do terror

E por acaso, falando em França, a Dra. Shirin O Abed (Laëtitia Eïdo), médica prima de Walid, é de Paris. A personagem foi voluntária no programa Médicos Sem Fronteiras e para seu azar trabalha no setor de emergências do Hospital de Cirurgia de Rafidia, bairro da cidade palestina de Nablus onde acontece boa parte da trama do lado árabe de Fauda. É viúva, casou-se aos 23 anos com um farmacêutico, que morreu quatro anos mais tarde vítima esclerose múltipla.

Curiosidade: o hospital existe!

Nablus existe e é um lugar controverso:

Achou o idioma estranho? Pois é, um defeito de Fauda é esse: eles falam em idiomas que não dominamos e não há dublagem! Haja legenda e atenção.

E todos os personagens são pelo menos bilíngues e, ao seu modo, dúbios, não só na conduta, mas nos sentimentos. 

Começando por Gabi (Itzik Cohen),  também conhecido como Capitão Eyov, que se divide entre as duas forças especiais, da Palestina e de Israel, e como Boaz (Tomer Kapon), trabalha com árabes no Ministério de Defesa. Todos, de alguma forma, estão sempre divididos entre muitos desejos e obrigações nesta “série de ação” que retrata um conflito real que pode estar por trás de vários conflitos e acordos da nossa vida atual, até dos nossos vizinhos paraguaios e argentinos.

😉

Produzida pelo canal israelense Yes, ela fez sucesso instantaneamente no Oriente Médio. “Fauda” foi ganhando território até ser apontada pelo “The New York Times” como a melhor série internacional de 2017. Está prestes a entrar na sua terceira temporada e as duas primeiras estão disponíveis na Netlfix.

 

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.