Cristianismo / destaque

No começo deste ano, li um texto de Miriam Leitão que marcava um fato histórico de 2017: o momento em que Martinho Lutero rompeu com a Igreja Católica e iniciou a Reforma está completando 500 anos em 2017.

Alguns pensam que essa é uma data religiosa, mas na verdade é um fato laico porque provocou profudas transformações na sociedade da época.

Como a jornalista (que é cristã de nascimento) relembra, a sucessão dos eventos foi avassaladora.

“Ele contestava o poder do Papa quando o mundo queria discutir a separação entre a Igreja e o Estado, e os países exigiam autonomia nacional. Lutero combatia a ideia de que só os sacerdotes podiam interpretar o texto sagrado e, por isso, traduziu a Bíblia para disseminá-la. Com a invenção do tipo móvel por Johannes Gutenberg, estava aberta a possibilidade de impressão em grande escala. Para que as ideias avançassem pela Europa, era preciso que houvesse mais leitores, e isso alavancou os movimentos de alfabetização dos fiéis. O mundo foi mudando. A própria Igreja Católica passou por mudanças a partir dali. Desafiada, ela encontrou o caminho de se fortalecer na Contrarreforma.”

Apesar de ter nascido de uma discussão teológica e doutrinária, a Reforma é, sobretudo, uma efeméride laica porque representou valores universais que marcaram o fim da Idade Média e prenunciaram o Iluminismo.

Você não lembra bem disso? Vamos reviver a história!

 Mais detalhes O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox. Foto de Paul Landowski.


O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox. Foto de Paul Landowski.

A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco Solas. Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o protestantismo.

Embora minha família alemã (da parte da minha mãe) tenha sido protestante ao que consta desde a reforma, nasci num país católico e com um lado (o paterno) budista. Isso fez com que minhas descobertas sobre o Evangelho e a Bíblia se dessem tardiamente, já na idade adulta, quando minha mãe se converteu e passou a frequentar uma igreja neopentecostal. No entanto, o reflexo em mim não foi imediato: eu já era casada, morava em outro país (do outro lado do mundo!) e quando voltei ao Brasil, mudei de estado. A afinidade com o cristianismo vivido plenamente no coditiano e com a visão de mundo de que o outro é seu próximo sempre me atrairam com muita força. E foi assim que, por conta de um “comportamento cristão”, muita gente ao longo dos anos me convidava para eventos cristãos e um dia eu aceitei um que foi o definitivo, conhecendo a IBAB (Igreja Batista de Água Branca), a comunidade que frequentamos em família desde 2009. 

Ser uma “cristã nova” no meio de gente que está neste mundo há gerações me faz ter vontade de saber mais. Talvez seja força da profissão, talvez seja o fato da igreja que frequento ser Batista, uma denominação que tem como regra de fé e de prática a Bíblia Sagrada, o que reforçou muito meu jeito de CDF estudiosa. 

Foi assim que, no meio estudos que tenho feito para levar minha fé para a prática da minha profissão e gestão da minha empresa, cheguei ao livro O Treinamento dos Doze (publicado pela Geográfica Editora) e estou impressionadíssima com a mensagem.

O texto é tão atual que é muito difícil acreditar que foi escrito no século XIX.


O pragmatismo e o senso de urgência, que predominam em instituições e segmentos da sociedade neste século XXI, têm influenciado intensamente o serviço e o pensamento cristão. Parece que, na mesma proporção que cresce o público, há uma rejeição ao comportamento de certas igrejas e ministérios que focam sua mensagem nos resultados (milagres, sucessos, curas) e muita gente se ressente da dificuldade de formar genuínos discípulos de Cristo.

Como uma nova cristã eu sou a mesma “nerd” de sempre: busco estudar para entender. E esta obra foi valiosa para me explicar os evangelhos, os discípulos e o jeito de Jesus.

Recomendo para quem é cristão e quer ir além e para quem não é, mas quer entender de uma forma racional a igreja de Jesus.

A resposta que pode ser extraída desta obra é que ela tira das Escrituras a essência daquilo que Jesus usou na formação e treinamento dos seus próprios seguidores. O valor do trabalho de A. B. Bruce torna-se ainda maior hoje em dia, quando tantos obreiros cristãos estão trazendo para a igreja métodos de administração corporativa. 

Um eterno clássico que encoraja líderes a desenvolver seus dons para o reino de Deus, crescendo em oração, fé, sacrifício, santidade e muito mais. Além disso traz uma análise histórica e devocional sobre a liderança de Jesus e o aprendizado de seus discípulos.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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