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Muita gente, quando sabe que sou cristã evangélica, me pergunta com estranheza por que eu trato de Diversidade no blog.

Eu respiro fundo e falo: eu defendo a igualdade de direitos, o amor ao próximo e o acolhimento humano.

Simples assim.

Também acredito que as pessoas têm valor individual, intrínseco e único pelo que cada uma é. Por isso, colocar uma “etiqueta” e generalizar tratamentos não combinam comigo. Tampouco deve ser considerada uma atitude cristã.

Mas, Sam, a Bíblia se posiciona claramente contra isso!

Bom, se a gente tomar a Bíblia ao pé da letra, literalmente e usarmos frases sem contexto, teremos “justificativa” para quase todo tipo de erro e atrocidade.

Neste contexto é que comecei a leitura de Entre a Cruz e o Arco-Íris, da jornalista Marília de Camargo César.

Logo no prefácio vi, não sem surpresa, a citação do pastor da igreja que frequento, o teólogo Ed Renê Kivitz. Digo que não foi supresa porque a IBAB tem a “má fama” de não “excluir” e de “não fazer cara feia” para ninguém – isso inclui casais homoafetivos, com uma ressalva: é um ambiente religioso, de igreja tradicional (tipo “cara na Bíblia”), então tudo é mais quieto, reservado, discreto. Na IBAB não há gritos de amém como nas igrejas neopentecostais (minha mãe é diaconisa numa igreja neopentecostal em Curitiba, sei o quanto ela estranha nosso jeito aqui), raramente alguém levanta as mãos no louvor, ninguém “fala em línguas dos anjos” no meio do culto. E não há casais que se excedem nas manifestações de afeto lá dentro, no máximo vemos mãos dadas.

Há alguns meses, um conhecido de longa data do Twitter estava na cidade e combinamos de desvurtualizar numa manhã na IBAB. Ele trabalha numa comunidade evangélica e iria lá para conhecer, então aproveitamos para conversar e eu o levei a um pequeno tour depois do culto, apresentando algumas pessoas.

Quando chegamos ao auditório dos Adolas (os adolescentes têm culto separado, com um pastor dedicado a eles), o visitante me perguntou sobre a posição da igreja acerca dos gays.

Eu não posso falar em nome da comunidade, mas repeti um testemunho que ouvi Ed Renê dar sobre uma conversa com o pastor Erwin McMannus, líder de uma igreja em Los Angeles e que visitou a IBAB há alguns anos.

– A igreja acolhe cristãos. Essa é a única condição que me parece importante para fazer parte.


Mas, como alguém que é homossexual pode expressar sua fé cristã publicamente?

A autora do livro que indico hoje levanta essa e outras perguntas:

– Seria esse um direito negado a quem não é heterossexual?

– É a homoafetividade um pecado sem perdão e que exclui da religião todos os que são assim?

– Existiria “cura”?

– Como as igrejas tratam os gays?

O livro é uma reportagem sobre a complexa relação entre os cristãos, em especial os evangélicos, e a homossexualidade.

Marília de Camargo César é jornalista e o livro segue uma narrativa e um encadeamento de ideias de uma reportagem ampla, trazendo à tona fatos e informações a partir de pesquisas sólidas baseadas em dados históricos, nas quais a autora, que na introdução explica sua falta de experiência pessoal com essa realidade (ela nasceu em família cristã praticante, é casada e mãe de crianças, e afirma que até iniciar as pesquisas do livro não tinha amigos que vivenciam essa realidade).

Nesta pesquisa, reuniu e relatou a origem do pensamento de exclusão social e religiosa dos homossexuais pelos cristãos, baseando-se em estudos de doutores em religião, história e sexualidade.

Além disso, saindo um pouco da armadura fria e distante do jornalista, evidencia também seus própria sentimentos e opiniões sobre o tema entremeadas a dezenas de entrevistas com religiosos, pastores, gays, ex-gays, ex-ex-gays, familiares, historiadores, teólogos, psicólogos, sociólogos e especialistas da área médica e de ciências humanas sobre a realidade atual da presença ou exclusão (e reinclusão) de gays e lésbicas no contexto das igrejas evangélicas brasileiras, com ênfase em experiências de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

O resultado é um mosaico de histórias profundamente humanas, que mostram, além de argumentos e discussões em torno de questões polêmicas, muitos conflitos e atitudes causadoras de sofrimento.

Não há conclusão, não há uma receita para resolver esse drama que acomete famílias cristãs. Mas há conhecimento, luz que clareia os pensamentos e um convite constante à reflexão que nos relembra que devemos buscar acolher como Jesus e aceitar os irmãos em Cristo com amor que não questiona o que Ele já perdoou, que é o pecado de todos nós. Somos todos em algum aspecto pecadores, no sentido de que diariamente comentemos erros. Por que nos julgamos aptos a escolher entre os pecados menores ou maiores e emitir julgamento e sentenças dobre eles?

Como disse Paulo nas cartas aos cristãos Romanos:

“E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.”

(Romanos 8:10)

E ele segue:

“E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

(Romanos 8:31)

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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