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Desde que vi o cartaz e o trailer de Ove eu achei que ia gostar. Sabe-se lá o que atrai a gente num filme!

Uma comédia dramática sobre uma amizade inesperada, amor e o valor das ferramentas certas! 😉

Vi o trailer, li a sinopse e achei na internet o que faltava: a informação de que era baseado num livro. Isso, admito, me derruba, pois adoro adaptações quase tanto quanto adoro trilhas sonoras. E neste caso, livro de um país que eu não conheço, do qual sei pouco, me deixou ainda mais curiosa. Junte isso ao fato de eu gostar da vida cotidiana, do simples, de ser daquelas pessoas que acredita na compreensão do mundo através das histórias da vida privada.

Ficou fácil de entender por que eu fiquei ansiosa para ver o filme, né?

Perdi a cabine de imprensa, mas graças à parceria com a distribuidora Sofá Digital, agora tenho o filme na minha “videoteca” do iTunes para rever quando quiser. E devo rever, pois gostei e foi uma sessão pipoca família bem gostosa, com riso e choro.

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Um homem chamado Ove (En man som heter Ove, 2017) é um filme sueco de 2015 dirigido e escrito por Hannes Holm, baseado no romance homônimo de Fredrik Backman. O romance foi um sucesso e chegou aqui, o filme também teve um caminho legal. Foi selecionado como representante de seu país ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2017 e foi indicado para o Oscar de Melhor Maquiagem e Penteados em 2017. O filme e o ator principal, Rolf Lassgård (que vive Ove mais velho) foram indicados para o Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Comédia em 2016.

Ove é um senhor mal-humorado de 59 anos que leva uma vida totalmente amargurada. Aposentado, ele se divide entre sua rotina monótona e as visitas que faz ao túmulo de sua falecida esposa. Mas, quando ele finalmente se entregou às tendências suicidas e desistiu de viver, novos vizinhos se mudam para a casa da frente, e uma amizade inesperada irá surgir.

resenha que li explica um tanto do personagem:

livro-um-homem-chamado-ove-fredrik-bakcman“Quando encontramos Ove, ele está deprimido.  Aposentado aos cinquenta e nove e viúvo, sente o peso da solidão.  Tudo o que deseja é seguir o caminho dela.  No outro lado.  A vida perdeu a razão de ser.  Planeja cuidadosamente um suicídio.  Depois outro e ainda outro, mas é interrompido cada vez pela mão do acaso, na figura de vizinhos bisbilhoteiros, que parecem tão determinados nas suas demandas quanto ele na sua decisão.  Porque se trata de pessoa tão meticulosa, o dar errado de cada tentativa é inesperado. Narrado com objetividade a situação leva o leitor a rir.  Não só a sorrir.  Mas rir. Com gosto.  Divertido. No entanto, logo depois, nas conclusões dos capítulos somos presentados com um pensamento de Ove, sucinto, que exprime sua dor, seu amor, a falta que Sonja lhe faz.  E do riso brotam as lágrimas. Com a mesma facilidade.”

No filme, a vida do personagem, narrada em retornos ao passado que foram muito bem ajustados ao roteiro, sem aquele cansaço do vai-e-vem nem a chatice de quem conta a história de um jeito óbvio, dá tanta pena que a gente ri.

Ele perdeu a mãe cedo. Cresceu sozinho numa propriedade quase rural morando com um pai cuidador, mas incapaz de demonstrar afeto. Perde o pai ao completar a maioridade. E se redescobre com o primeiro amor da juventude, que virá a ser sua esposa, de quem, durante o filme todo, ele sente falta e com quem quer estar “do lado de lá”.

Duas versões de Ove: Rolf Lassgård e Filip Berg

Duas versões de Ove: Rolf Lassgård e Filip Berg

Ele demonstra ao mesmo tempo vazio e uma profusão de sentimentos, o jeito rabugento e generoso caminhando juntos. Um personagem interessante, um jovem que parece ter envelhecido tão cedo que não sabe ser outra coisa que não um chato.

Para completar, tem personagens secundários que nos fazem sentir empatia e simpatia. A iraniana Bahar Pars é realmente de uma simpatia irritante o filme todo, praticamente empurrando e arrastando Ove para a vida. Vizinha nova, Parvaneh (Bahar Pars), as filhas (Nelly Jamarani, Zozan Akgun) e o marido Patrik (Tobias Almborg) não são como parte do condomínio que ainda lembra dos tempos de regime militar de Ove como síndico linha dura. Chegam ao local e o tratam com o afeto e a naturalidade que lhe são característicos. E essas duas coisas podem mudar o mundo, nós sabemos.

Bahar Pars from parstimes on Vimeo.

De um jeito discreto, sem “proselitismo” nem bandeiras políticas, fica clara uma simpatia e uma defesa dos refugiados, da possibilidade de abrir os rincões da Europa para novas pessoas.

ida engvoll bring back our girls

Ela é muito bonita e o são os outros atores que compõem a história de Ove. Ida Engvoll (Sonja) está belíssima com cabelos curtos e escuros. Engajada na vida digital, percebe-se também nela este statment sobre os refugiados, a Europa, o mundo ao estilo “Unicef” e estava no movimento #BringBackOurGirls em defesa das meninas sequestradas na Nigéria – sobre o qual falamos aqui, na época.

Tudo isso com a elegante fotografia de Goran Hallberg que nos mostra uma Suécia multirracial, aberta aos imigrantes e às novas culturas.

Recomendo mesmo o filme. E olha, dá para fazer uma sessão com filhos (os que conseguem ler legendas, pois o filme não é dublado ainda) e aproveitar para rir, chorar e conversar depois do filme sobre a gentileza, o amor e a felicidade que podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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